Poema Quase de Pablo Neruda
Deixa eu escrever, me distrair com letras garrafais, dar voz ao pensamento, expressar meu sentimento.
Ignores se não curtir, mas deixe meu caminho eu seguir.
Mentem o tempo inteiro, mas a verdade é luz que não se pode ocultar, cedo ou tarde cumpre seu proposito que é brilhar.
Quero apenas um canto pra ninguém me perturbar.
Não quero cantar, busco abrigo onde possa descansar.
A cada instante nos despedimos de nosso ser, nesse ciclo existencial, morte e vida intrinsecamente ligadas, vence a morte carnal, restando saber algum dia, a eterna vida espiritual.
O orgulho e a altivez serão sepultados de uma só vez. Não tem grande ou pequeno que possa subsistir, o fim da vida a extinguir.
Água e pó constitui meu ser, assim também toda espécie animal ou vegetação. Vidas que dó pó vieram, para ele retornarão.
A cada suspiro, menos alguns segundos de lida. Sim, porque estamos de partida, e a qualquer momento, há de se extinguir a vida.
Estamos confinados e nem percebemos, e a cada instante vários são os eliminados. E nessa lida, quem poderia salvar a própria vida?
Estamos de partida, e na correria da vida, sem tempo de se despedir. Sim, a qualquer momento vamos partir.
Estou de partida, não sei para onde vou. Sem rumo estou, sem chão sem razão, apenas aflito e ferido o coração.
Humanos, seres incríveis e dotados de grande capacidade para criar problemas que desaparecem quando partimos desse plano existencial.
Palavras rudes são lancinantes, traspassam a alma, geram cicatrizes e volta e meia anunciadas por novas investidas verbalizadas.
Vem no seu tempo, numa constante, se abre para a vida, toda exuberante, espanhando sua fragrância, em odor marcante, sua beleza é reluzente e sua existência marca para sempre a vida da gente.
