Poema Passei para Deixar um Beijo
A cada clique, um grande carrasco,
Que quer governar além das entrelinhas,
Não sabe interpretar o que diz a cartilha;
E quer governar sozinho o mundo inteiro.
Em cada janela, um olheiro arbitrário,
Que cerceia a liberdade da nação inteira,
Prende, incrimina, oprime, exila e humilha.
Para intimidar o mundo inteiro.
O lugar de quem pensa, crítica é na prisão.
O meu reino e sobrenome é tirania,
Tiro de quem quer que seja a voz e a Liberdade, diz o tirano.
Pátria amada Brasil, não vamos te trair.
Deus, liberdade, ordem e progresso,
Que Deus tenha misericórdia e abençoe este chão,
E que a luz da verdade reacenda nossa nação.
(Fortaleza, 22 de abril de 2024)
DEUS se disfarçou de pobre,
saiu procurando um lugar para dormir,
foi em várias casas e mansões,
nem mesmo as portas quiserem abrir...
Então foi em cada templo,
foi impedido de entrar,
usam apenas seu NOME,
Para ricos ficar...
DEUS voltou para o céu,
isso foi triste e eu chorei,
ELE olhou para mim
e eu acordei!
Quando Deus te afasta de um lugar,
não julgues apressadamente como perda.
Muitas retiradas são proteção,
e muitos cortes, são cuidado oculto.
Há vínculos que sustentam o apego,
mas enfraquecem a alma.
Deus remove não para ferir,
mas para preservar
o que ainda pode continuar vivo
Uma estrela é apenas uma estrela
Não é só dela
Que vem o brilho do universo
Assim como um verso
Não se faz poema
Quem se perde nessa imensidão de palavras
Tem amor e ódio no olhar de quem ficou com sentimentos transbordando rancor, daquele que mais no mundo amou.
Depois de tudo somente dor restou!
sentindo nada eu sentia tudo
acordei
em êxtase
sentei na cama e senti um enorme vazio
nessa lacuna existencial pude sentir todos os meus sentimentos passando por cada centímetro meu corpo
não sei qual deles ecoavam mais alto
a dor da ausência
a solidão em estar só
(...)
e mesmo
sentindo nada
eu sentia tudo
na dor
me senti viva
Seu amor é um mar revolto e profundo,
uma onda imensa que me puxa pra si,
um furacão que desarruma o meu mundo
e me faz rainha no caos onde eu vivi.
Ser amada por esse seu jeito avassalador
é perder o fôlego e, ainda assim, respirar.
É um fogo que arde sem dor, uma força gigante que me escolheu para habitar.
Em suas mãos fortes, encontro o cuidado,
na sua braveza, um refúgio de paz.
Sou sua, por inteiro e sem freio, num abraço apertado que me deseja como ninguém jamais.
E quando a sua intensidade me invade,
eu me sinto segura, inteira, sagrada.
Porque no seu amor que tudo sacode e chacoalha, eu sou a sua brisa... e a sua mais profunda morada.
Sua, Carolina.
Aquele que fala demais,
Se torna apenas um mero pebleu de suas próprias palavras.
Aquele que fala menos,
Se torna escravo de palavras magoadas e mal tratadas pelo mero pebleu.
Aquele filho do tal “príncipe”, “digno do trono de Oas” nunca será exaltado como o de poucas palavras que sempre foi o escravo de palavras magoadas e pesadas.
Mais uma vez a vida deu um jeito de seguir seu rumo. Afastou novamente quem deveria permanecer, levou para outro continente quem deveria estar permanentemente recebendo calor e ser possível todo dia abraçar.
Se ela vai trazer de volta ou não, já não posso dizer, não é possível premeditar.
Já não tenho mais coragem de fazer planos ou simplesmente esperar alguma resolução prévia do que se sucederá.
O destino nunca foi uma caneta possível de se segurar.
Pobre menina que não pesquisa antes de se apaixonar, que sempre esteve a mercê do que virá.
Este chão que desliza enquanto ando, o mesmo solo que pareceu-me um dia ter sido tão fértil.
Esta cabeça de humano tão capaz de pensar, repensar, criar, concluir e deletar.
A caneta jogada nas minhas revistas, ama, traça, rabisca, ensina e como inspira.
Esta arte aberta sobre a mesa que preenche-me e finaliza-me todos os dias.
Este cigarro que conheço desde uma pré-adolescência bem vivida, que afaga a alma e invade com teu gosto amargo de prazer.
Sinto pena de ti teclado, ao receber uma surra diária de boas palavras e assuntos tão sérios, não abandonar-me.
Eu proponho então um brinde a esse pequeno universo.
Era mais um dia de sol, era carnaval quando teu olhar pousou no meu,
como quem não queria nada, enquanto a vida vibrava naquela praça.
Aquele ambiente vivo, alegre e colorido,
novamente teu olhar pousou no meu.
Eu que respondia cada um deles, desfoquei, brinquei, conversei.
Você riu das minhas piadas com um sorriso bobo e uma gargalhada afiada,
foi quando descobri que do mesmo humor se tratava.
Calor de 40º no Rio de Janeiro, procurávamos sombra,
estávamos ali sentados, soberbos e agitados.
Dessa vez, meu olhar pousou no teu,
tua mão pousou na minha,
meu riso caiu no teu e teus lábios permaneceram nos meus.
Olha isso, olha aquilo e a gente ria,
em uma gargalhada infinita,
jurava que aquele dia não acabaria.
Corre para cá, corre para lá,
até que corremos para tua casa,
roupas no chão misturadas,
corpos em brasa,
então deixa a faísca,
nos deixamos pistas,
para quando precisarmos,
corrermos um para o outro,
com fôlego de quem quer e faria tudo de novo.
O tal do si.
Às vezes tudo que você precisa é um de espaço seguro para manter o foco em si, redirecionar a atenção, o cuidado, o investimento do grandioso tempo, para si.
Às vezes o “si” , se colide com algo que poucas pessoas conseguem enxergar, mas o segredo é manter essa janela para si. Se o outro quiser ver, que a destranque e a abra.
O “si” é um espaço sagrado, é o lar, o refúgio das almas inquietas que estão a todo momento lutando para não transbordar e quando ela vaza de “si”, se torna instantaneamente vulnerável.
Às vezes é necessário parar, olhar ao redor e dar uma pequena vasculhada no “si” e investigar se realmente é ali que ele pertence, para que ele não se perca e o “si” permaneça onde se deseja e onde se cresça.
A Mulher
A Mulher é um Ser inexpugnável — a faculdade de conhecer e de compreender é superior à do Homem. Possui uma percetibilidade natural, consegue notar através dos sentidos, gestos ou silêncios que gravitam no seu espaço físico — e denotem tristeza — descalcifica-os com a sua exímia sensibilidade. A Mulher cumpre com inteligência uma incumbência profissional ou social — fá-la apaixonadamente, recorrendo à sua natureza intuitiva e à sua inata perseverança. Quando a Mulher chora, comovem-se todos os mares; e quando está combalida emocionalmente, serve-se da sua congénita potência de fénix, produzida pela epidérmica combustão feminina e ergue-se magistralmente para o mundo. A Mulher é poesia em noites frias, sístole e diástole nas linhas da vida, arrebol ao entardecer e canção ao luar. O cérebro feminino é composto por dois hemisférios: inteligência e romantismo. A Mulher não pode ser enjaulada por obsoletos costumes, evapora-se, ou desidrata-se na própria alma. A Mulher gosta de apoio nas horas impróprias, expressa-se com o olhar, consegue desacidificar os nossos silêncios, e carinhosamente mordoma-nos quando estamos com gripe. A Mulher sabe: amar, beijar, acarinhar o ego, preliminar e sobejamente copular com a alma. A Mulher é mãe, consegue trazer ao mundo o seu próprio mundo. A Mulher é teoria que passa à prática, é complicada como uma equação — apenas quem consegue decifrar a intelectualidade feminina a consegue resolver — raciocínio dedutivo das relações. — Sou filógino — sei que a Mulher é a anatomia do poema. Pulsa ao ritmo do universo: é uma adulta que nunca se extravia da infância.
Em suma, a Mulher é a evolução da espécie, o Homem a espécie.
A Envergadura das Sílabas
Essa oscilação lúcida
entre o avesso insano
de um sonho cobalto
e um mar abandonado
pelo oceano, naufragado
no pousio de uma enseada.
Quão denso é o tempo
que estremece a existência
numa mutável cronologia
de sedução a porvir a cor
pendente na frágil Vida.
A envergadura das sílabas
mede-se pela infância
dos imodestos horizontes
que se contraem nos poentes.
A noite em carne viva
queima o vértice dos amantes.
Afixo as Minhas Âncoras
Atolado na indecisão
navego na deriva
de um mar indigesto.
Repleto de sais e dúvidas
esta ondulada hesitação
move o êmbolo da minha nau.
No alambique da minha pele
escorre o poema que perdi.
Grita o vento no íntimo da noite,
desflora o silêncio.
O desembarque das tempestades
arrefecem as estrelas
- saboreio os astros que iluminam
as débeis praias;
afixo as minhas âncoras
nos areais onde severamente
se acomodam as civilizações
nesta esfera pintada em tons de azul.
Alcançámos as Nossas Almas
Faremos um poente
numa porção de mar
e de braços abertos
deixaremos entrar a canção
desenhada no alaranjado céu.
O luar de boca aberta
narra a melodia das amoras,
deitados na cristalizada areia de jasmim
os nossos desnudados corpos
amaram-se até as estrelas adormecerem
e entre o céu e a terra
alcançámos as nossas almas.
Um Dia
Um dia ouviremos o mesmo mar
um dia iremos nos despir no mesmo luar
um dia saborearemos os mesmos caminhos
um dia amanheceremos na mesma pele
um dia anoiteceremos na mesma boca
e ao fim do dia
seremos infinitamente tudo isso.
Um Momento Contigo
Trocaria umas longas férias
no lugar mais paradisíaco do mundo
por um momento contigo
onde se pudesse ver as estrelas
e ouvir as palavras dos nossos olhos.
Complexidade Humana
Complexidade humana: uns querem, avidamente, sair de um confinamento em casa;
outros querem, desesperadamente, entrar em confinamento numa casa.
Conclusão : 'No creo en' Aliens, 'pero que los hay, los hay'.
Estou a necessitar
de um mar, uma lua cheia,
e de ouvir os nossos olhares a conversar
até epidermicamente amanhecermos
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