Poema Passei para Deixar um Beijo

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Decepção


É quando a realidade te dá um tapa com a mão aberta depois de você jurar que era carinho.
É perceber que você não se enganou por ser burra… se enganou porque quis acreditar. E acreditar, às vezes, é o erro mais caro.
É quando alguém te prova, com ações bem claras, que você era opção… enquanto você tratava como prioridade.
E dói mais não pelo que a pessoa fez — mas pelo que você imaginou que ela nunca faria.
Decepção não quebra só o coração, não. Ela corrói a confiança, desmonta tua intuição e ainda deixa aquele gosto ridículo de “eu devia ter visto isso antes”.
E o pior?
Quase sempre você viu.
Só escolheu ignorar porque sentir era mais confortável do que encarar a verdade.
Tem um momento específico que é o mais sujo: quando você entende tudo.
Quando as peças se encaixam e você percebe que não foi azar… foi escolha mal feita.
A sua.
A da outra pessoa.
Um caos compartilhado.
Mas aqui vai a parte que ninguém gosta de engolir:
decepção é um tipo de lucidez. Violenta, sim. Mas limpa.
Ela arranca a fantasia, rasga expectativa, joga luz onde você queria manter sombra.
E por mais que doa, ela te devolve uma coisa que você tinha largado pelo caminho: critério.
Você fica mais fria? Fica.
Mais seletiva? Ainda bem.
Mais difícil de acessar? Óbvio. E talvez seja exatamente isso que te salva da próxima.
Porque no fim das contas, a decepção não te destrói.
Ela só destrói a versão de você que aceitava menos do que merecia.
E essa… sinceramente… já tava pedindo pra morrer faz tempo.






Livro: Textos que Doem e Acordam por Lucci Santz

“Respirar pesa,
como se o ar tivesse memória.
E ainda assim eu fico,
carregando um silêncio
que só quer… paz.”

"Frio que Sente"


Tem um frio
que não vem do mundo,
vem de dentro.
É quando você ainda sente tudo,
mas já não consegue demonstrar nada.
O coração não para de bater…
só aprende a se proteger.
E, às vezes,
se proteger
é esfriar.

Não é só no peito, é em mim inteira,
um peso que chega e nunca beira.

Feito de tudo que eu não soltei,
de tudo que senti e nunca falei.

Dias parados, querendo voltar,
coisas em mim sem saber onde ficar.

Eu sigo firme, mesmo cansada,
carrego o mundo sem dizer nada.

E no silêncio onde ninguém vê,
eu luto comigo pra não me perder.

Um dia, quando eu voltar...

Um dia, quando eu voltar, talvez nada esteja no mesmo lugar.

As ruas terão seguido seus caminhos, as pessoas terão contado novas histórias, e o tempo terá feito aquilo que sabe fazer melhor: continuar.

Mas algumas coisas permanecem.

Permanecem os abraços que não demos. As palavras que ficaram guardadas. Os sorrisos que a distância não conseguiu apagar.

Um dia, quando eu voltar, não quero encontrar o que ficou parado me esperando. Quero encontrar o que cresceu, o que floresceu, o que teve coragem de viver.

Porque quem ama de verdade não guarda a vida numa gaveta. Cuida dela até o reencontro.

E, se esse dia chegar, que a gente se reconheça não pelo que perdeu, mas por tudo aquilo que teve força para continuar sendo.

Um dia, quando eu voltar, que o tempo não seja uma desculpa. Que seja apenas a ponte entre duas saudades que sobreviveram.

Lucci Santz ✍️

O mundo dá voltas na longa caminhada,
e a verdade mais simples continua gravada:
cada um colhe, um dia, aquilo que semeou na estrada.

O estrangeiro, o diferente, o deslocado, carrega dentro de si um idioma secreto feito de ausências. E enquanto o mundo enxerga apenas alguém tentando seguir em frente, existe uma batalha silenciosa acontecendo entre quem ele era e quem precisa se tornar.
E o que ele repete para si mesmo todos os dias:
"Um dia isso não vai doer mais."
E, curiosamente, é essa mentira que muitas vezes o mantém vivo até que ela finalmente se transforme em verdade.
Porque nos seres humanos somos estranhos assim. Construimos pontes com ilusões temporárias para atravessar abismos reais. E, contra toda lógica, às vezes funciona.

A lua em minuto,
tão breve quanto um suspiro,
mudou o curso da noite.

No céu, nada parecia diferente,
mas dentro das pessoas
havia um estado alterado de convivência.

Palavras ficaram mais pesadas,
silêncios mais longos,
olhares mais distantes.

Talvez a lua não mova apenas marés.
Talvez ela toque
as correntes invisíveis da alma.

E por um minuto apenas,
o mundo inteiro esqueceu
como era conviver consigo mesmo.

Somos feitos dos hábitos que alimentamos

Não é um único dia que define quem você é.

É aquilo que você repete quando ninguém está olhando.

Um hábito é uma escolha que deixou de pedir permissão. Depois de repetida muitas vezes, ela passa a conduzir seus passos sem fazer barulho.

Da mesma forma que um pequeno descuido diário pode destruir uma vida aos poucos, um pequeno gesto de cuidado pode reconstruí-la sem pressa.

Ler algumas páginas.
Beber mais água.
Ouvir antes de responder.
Agradecer.
Descansar.
Escrever.
Perdoar.
Recomeçar.

Nada disso parece grandioso em um único dia.

Mas o tempo tem uma estranha habilidade: ele multiplica tudo aquilo que repetimos.

No fim, nosso destino raramente é construído por grandes acontecimentos.

Na maioria das vezes, ele nasce dos hábitos silenciosos que escolhemos cultivar todos os dias.

Quando o amor pede um lugar


Há quem entregue o melhor de si sem medir esforços, sem economizar carinho, sem calcular a intensidade.
Ama com presença, com cuidado, com vontade de construir.
E, ainda assim, guarda no peito um desejo simples:
não ser um segredo.
Não por vaidade, nem por aplausos, mas porque todo amor merece um lugar ao sol.
Há uma paz diferente em saber que alguém não tem medo de caminhar ao seu lado.
No fim, não é sobre aparecer.
É sobre pertencer.
Sobre sentir que o amor, quando é verdadeiro, não precisa se esconder para existir.

Há um desejo em mim
que não faz barulho,
mas pronuncia seu nome
o tempo inteiro.

Se um dia meus passos se perderem,
que encontrem meus versos primeiro.
Neles deixei tudo o que fui,
o que sonhei e o que ainda espero.
Porque a alma não pesa pelo que sofre,
mas pelo amor que insiste em guardar.
E os versos que minha alma carrega
o tempo jamais conseguirá calar.

Surpreender alguém é um ato de coragem,
é tocar a alma sem pedir passagem.
É chegar em silêncio, levando emoção,
e florescer sorrisos dentro do coração.

Não é o valor do presente que faz a magia,
mas o carinho escondido na simplicidade do dia.
Porque quem surpreende sem esperar gratidão,
deixa para sempre um pedaço de luz na lembrança e na emoção.

O Turbilhão


Existe um vendaval morando em mim.


Ninguém o vê.
As pessoas enxergam o meu sorriso,
as minhas palavras,
os meus poemas.
Mas ninguém escuta o barulho dos destroços que carrego por dentro.


Há dias em que tudo o que eu quero
é ir embora.


Ir embora das expectativas,
das decepções,
das promessas quebradas,
das portas fechadas,
das pessoas que só lembram de mim quando precisam.


Quero ir embora da culpa que me veste,
do cansaço que me acorda,
das batalhas que ninguém imagina que luto.


Mas, no fundo,
não quero desaparecer.


Quero encontrar um lugar
onde eu possa respirar sem pedir desculpas por existir.


Quero voltar para mim.


Porque há muito tempo
venho morando na vida dos outros
e esquecendo de cuidar da minha.


Talvez esse turbilhão
não seja um fim.


Talvez seja a tempestade
arrancando tudo aquilo
que nunca foi abrigo.


E quando o vento passar,
se passar,
espero encontrar entre os escombros
a única pessoa
que nunca deveria ter abandonado:


eu.

Às vezes, um atraso vira tempestade.
Um silêncio pesa como despedida.
E um abraço, por menor que seja, tem força para reorganizar o mundo.

Há quem chame isso de exagero.
Eu chamo de sentir sem pele.

Porque alguns corações vivem entre o medo do abandono e a coragem de amar por inteiro. Caem, levantam, quebram, recomeçam... e seguem procurando um lugar onde finalmente possam descansar sem precisar duvidar que alguém ficará.

Talvez a palavra nunca tenha sido "demais".
Talvez sempre tenha sido apenas intenso.

Talvez recomeçar
seja acordar um dia
e perceber que você ainda se deve uma vida.

Um recomeço nem sempre chega acompanhado de uma grande descoberta.
Às vezes, começa com uma decisão simples:
Hoje eu começo.
E desta vez,
o passado não precisa autorizar nada.

“Se um dia você não conseguir encontrar palavras, não conseguir me procurar, não souber por onde voltar... ainda existe uma coisa que pode me alcançar"...



🎵

Histórias escritas

Existe um dom quase mágico
em transformar palavras em mundos.

Uma frase pode abrir uma porta,
um parágrafo pode atravessar séculos,
e algumas poucas linhas
são capazes de criar vidas
que jamais existiram...
Mas que, de algum modo,
passam a existir dentro de nós.

Escrever é possuir o infinito nas mãos.
É poder escolher outros caminhos,
inventar outros destinos,
dar aos personagens
as vidas que o mundo real lhes negou.
Em cada história,
nasce uma versão diferente da realidade.
Um universo onde o impossível acontece,
onde o tempo pode voltar,
onde encontros podem durar,
onde despedidas podem ser adiadas
e onde até o destino
pode ser desafiado.

Talvez seja esse o verdadeiro encanto
das histórias escritas:

não criamos apenas mundos.
Criamos possibilidades.
E enquanto houver alguém disposto a escrever,
nenhuma história precisa terminar de verdade.
Ela pode renascer em outra página,
em outro tempo,
em outro coração.
Porque algumas histórias
não são feitas apenas para serem lidas.
São feitas para nos lembrar
que também poderíamos existir
em outras versões de nós mesmos.

Amor ou ódio, apreço ou desprezo, respeito ou indiferença: cada um receberá de mim aquilo que merece. Afinal, a vida tem uma regra simples — cada um colhe exatamente aquilo que decide semear.


- Jelson Tavares
04/09/26