Poema o Amor segundo Carlos Drummund de Andrade
Fosse eu um poeta genuíno,
Da linhagem nobre dos versos,
Lhe teria escrito um hino,
Com algozes mais perversos.
Na espera dum sono denso,
Mero espectro d’escritor,
É o que sou ao bom senso,
Palavras cunhadas com a dor.
De espreita nesta mente,
É o descaso bem latente,
D'amizade outrora ardente,
Restou o veneno da serpente.
Não se vive um só momento,
Primo o simples e duradouro,
Não o encanto tremendo,
Dos abraços curtos de ouro.
Ah!
Via que caia
caindo?
Como isto? Sem paraquedas?
Enquanto uma pétala de rosa,
me disse,
caio contigo,
daí perguntei,
o que fazes aqui?
também caí,
como caíste,
Deus me mandou,
acompanhar-me?
sim,
para que possas renascer,
onde?
Em seu Reino,
Onde a morte não existe,
Acabaste de cair no Paraíso!!!
SAUDADE QUE DÓI
(Tiago Figueiredo)
O tempo voa,
não tenho o controle de meus deveres.
Minha autoestima está fraca,
preciso de limites para meus afazeres.
Saudade que dói, que aperta,
e me ensinou a valorizar.
Saudade que dói, que aperta,
e me ensinou a mais feliz ficar.
Ensinamentos que a vida me traz,
queria só dizer que sempre te amei,
queria só dizer que por você, minha rotina eu mudei,
ensinamentos que a vida me traz.
Minha querida, foram vários dias que eu sorri por ti.
Foram alegres horas que eu vivi,
minha querida...
Cada momento foi único em minha vida,
minha saudade é interminável,
minha saudade não é mais controlável.
Cada momento da minha vida.
Cada momento foi único em sua vida,
e esta dor já toma conta de mim,
e esta tristeza já me deixa quieto, assim.
Cada momento da minha vida.
Saudade que dói, que aperta,
Você marcou-me como uma tatuagem.
Saudade que dói, que aperta,
Revelou em mim, a mais linda imagem.
Saudade que dói, que angustia,
Ensinou-me a olhar pro bem.
Saudade que dói, que angustia,
Ensinou-me a amar sem importar a mais ninguém.
MARCAS DE UM EGOÍSMO
Querem que eu repita minhas ações,
assim como os belos traços no desenho das mansões.
Querem que eu confirme aquilo que eu não vi,
assim como sempre fazem julgando a ti.
E neste mundo onde a vantagem conta mais valor,
fico pensando nas vezes em que falta o amor.
E neste mundo onde a incerteza vale como argumento,
fico pensando nas vezes em que falta o sentimento.
Os homens perderam a razão do negociar e do fazer da paz.
A vida se tornou um marasmo, um cadeado sem a sua chave.
E ainda perguntam como serão as marcas das gerações.
As mulheres agora lutam com prazer e força.
Que marasmo irritante se tornou esta rotina.
E ainda perguntam sobre minhas visões.
Bebês segurando bebês, amamentando o que o futuro viu.
Realidade que se torna bem efetiva neste lugar.
E ainda perguntam sobre nossas emoções.
Se foi, se foi, se foi... Eu não sei.
A união do mundo que rasgou seus traços.
São marcas de um egoísmo vivente em nós,
são só gente perdeu os seus abraços.
Se foi, se foi, se foi... Eu já vi.
A união de um mundo que não dá sua mão.
São marcar de um egoísmo vivente em nós,
são só gente que perdeu amor no coração.
Querem que eu repita minhas ações.
Neste mundo onde a vantagem conta mais valor.
Onde foi a união e seu heroísmo.
São as marcas que compõe este egoísmo.
LAMENTO, CRIANÇA
Trancado neste sótão há um mês inteiro,
apenas algumas borboletas celebram o reflexo do sol por aqui.
Haja gritarias vindas da minha única janela,
a qual só cabe meus olhares, que não posso tirar fotos.
Disseram-me que uma tal de guerra começaria,
pelo menos eu tenho alguém que olha por mim neste lugar.
Acho que vou crescer carregando estas correntes,
com pão e água vindos todos os dias pelo buraquinho da porta.
Sinto-me um cachorro com dentes espumados,
louco para explodir todas coisas que surgem diante de mim.
Há muito tempo não ouço a voz dos homens.
Há muitos dias minha boca convive com a incerteza da alimentação.
Barulho de ferros e mapas jogados,
perfazem o cenário e tudo que vejo deste chão.
Há muito tempo quero sair daqui e brincar com meus carrinhos,
mas os soldados não queriam que eu saísse.
Me protegeram, mas estou mais preso que um assassino.
E o fim de tudo isso como será, ninguém me disse.
Há muito tempo eu choro com os ratos,
e nem a lua resolveu surgir pela madrugada.
Mas vou esperar o soldado voltar para me libertar daqui,
e dizer que toda esta batalha será sanada.
Um novo dia e mais um pão será oferecido a mim,
mas que estranho, a porta finalmente foi aberta.
Um soldado carregando um chocolate.
Minha esperança cresceu como uma criança pequena e esperta.
Perguntei a ele se tudo havia terminado,
finalmente os homens pararam com discussões e batalhas inúteis.
Até que enfim conseguiram vencer o respeito,
e viverem de maneira a fazer coisas realmente úteis.
O soldado abaixou a cabeça e começou a chorar.
Deu-me o chocolate, pediu perdão e desfalecido ficou.
Olhei para ele e percebi que a guerra realmente teve seu fim,
apenas deu tempo de ouvir algo que ele me falou:
Lamento, criança, ninguém voltará.
Lamento, criança, seu futuro, a humanidade a Deus dará.
_ Trouxe umas flores!
_ Você sabe quais são?
_ Sim, margaridas!
Margaridas para quem me ensinou a amar;
Margaridas para quem é cheia de amor no coração;
Margaridas para quem me viu quando oculto estava;
Margaridas para quem me valorizou;
Margaridas para quem me deu razão de viver;
Margaridas pelos seus abraços fortes;
Margaridas para quem me amou como eu merecia;
Margaridas pelos ensinamentos que aprendi;
Margaridas para quem sempre me ensinou a ter Deus;
Margaridas para o amor da minha vida;
Margaridas para a mais perfeita e adorável tulipa que imaginei em conhecer.
Saudade
A saudade aqui
No infinito mar
Não carece de se preocupar
Não o esqueci
Num fluxo, as lembranças
Na onda minhas lágrimas
Na água, esperanças
E na correnteza,
sua beleza
Serás esquecido
Se minha falha mente falhar
Navegarei, entretanto
No infinito mar
RESQUÌCIOS
Resquícios do fim de tarde
tornaram as palavras invisíveis.
Secaram os olhos e os sonhos.
FLOR DE LUZ
Das cinzas nasce a flor do encantamento.
Beira do asfalto.
Cantinho iluminado.
Movem-se as areia do tempo.
Frágeis galhos abraçam o céu.
Vislumbram azuis em olhar infinito.
Pétalas brancas rescendem a sol.
Melodias dos lábios bailam ao vento.
Resplandecem doces devaneios.
Deixa-se colher por mãos repletas de nuvens.
E sonha.
Em meio a correria do dia, ainda há que se permitir meditar para a mente e o coração aquietar.
Em meio ao dia de labor,
ainda há que se ter olhos para ver o sol extraordinário nascer ou se pôr.
Em meio as atribulações da vida ainda há que se perceber as lições delas extraídas.
Em meio as alegrias inesperadas ainda há como se revigorar de energias qualificadas.
Faça do seu caminhar
o seu despertar.
Transforme-se no seu trilhar,
sem achar que deva se manter num trilho linear.
Faça do seu trabalho
parte do sentido de sua existência.
Tornando-o ancorado
no servir dedicado.
A passagem na orbe terrestre faz parte da missão à cumprir, que se estende no
por vir.
Trabalha, se instrua e ama com fulgor. A vida é uma viagem para descobridor, que ao iluminar seus recônditos sombrios com sapiência, íntima reforma consegue operar.
E assim, como um Cireneu possa auxiliar os que à ti recorrer no caminhar.
Poesia no ar,
Bem estar.
Poesia no astral,
Leveza sem igual.
Poesia no coração,
Avalanche de intuição.
Poesia no pensar,
Sentimentos revelar.
Poesia na alma,
Serena, calma.
Poesia no sonhar,
Amor desabrochar.
Bem estar,
Poesia no ar.
Leveza sem igual,
Poesia no astral.
Avalanche de intuição,
Poesia no coração.
Sentimentos revelar,
Poesia no pensar.
Serena, calma,
Poesia na alma.
Amor desabrochar,
Poesia no sonhar.
Deixe que se vá
Algumas vezes
Precisamos deixar ir
Mesmo doendo
É melhor assim.
Deixe que o vento traga coisas boas
Coisas novas
Que nos façam sorrir
E nos permitam sentir
novamente.
É hora de recomeçar
Remover a poeira
Abrir as cortinas
E suspirar bem fundo
Como se tudo no mundo
Se iluminasse num segundo
Quando se percebe
Que todos os caminhos são possíveis
Basta só ter coragem de tentar
Já é hora de se reencontrar.
Poema publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - vol. 170
LEMBRA
Lembra de mim
Quando o vento soprar
E a árvore florescer
E sentir o cheiro da chuva
Mesmo antes do céu escurecer.
Lembra de mim
Quando a música tocar
E quando o sol nascer
E o horizonte estiver colorido
Fazendo tudo mais emudecer.
Lembra de mim
Quando o frio ceder
Deixando o calor voltar
E for possível correr pro mar
Marcando pegadas na areia
Numa mistura de som, cheiro
e pés molhados.
Lembra de mim
Quando ouvir algo
Que eu não podia dizer
Quando a vida estiver difícil
E der vontade de partir
E a vontade de chorar for vencida
Por encontrar um motivo pra sorrir
Lembra de mim
Quando o incômodo valer a pena
E as pedras e conchas não forem perfeitas
E o livro usado retomar seu lugar
Lembra, quando suspirar ao lembrar.
Publicado em " Grandes Nomes da Poesia Brasileira" - Ed 2018
Solitário, solidário.
Eis a jornada luminosa e edificante do navegante.
Embarca só e
Desembarca só, em meio ao mar da vida,
Que o convida como tripulante à pilotar o veleiro ao destino certeiro da Luz, não olvidando de ser solidário aos que na nau conduz.
Solitário, solidário.
Eis a jornada luminosa e edificante do navegante.
Quem é você?
Eu sou aquele que sente medo
Sou aquele que possui sonho
Sou a realização do sonho
Daquela que um dia teve medo
Eu sou aquele que ama a vida
Que respira e pira.
Sou a inspiração que te inspira
Eu sou aquele que vive a vida
Eu sou o erro da equação
De dois corações que se amam
Eu fui fruto da paixão.
Hoje, os corações se partiram
Pois quem sou ainda não sei
Mas e você! Sabes quem é?
Alexandre C.
Poeta de Libra
Quando errei, foi porque não sabia como fazer, falar, agir.
Aprendi errando , e errando aprendi. Não nascemos sabendo como viver plenamente. E como aprender? Errando!
GILSON DE PAULA PIRES
Limites da memória ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Me dá um tema que faço uma frase
Me dá o lema para seguir a direção
Ainda me confundo onde pôr a crase
Mas nada impede de escrever com o coração ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Queria que fôssemos soberanos
Pois nada sabemos e nada somos
Ou não esqueceríamos alguns momentos
Aquele pensamento que vem embasado
A faltar trechos do passado
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Me dê argumento para minha frase
Por que não somos tão soberanos
Para inventar temas que não tenha passado
Pois somos tão óbvios e parecidos
Que nos faz pensar que de sabidos
Somos apenas esqueleto a ser enterrado
Quem sou eu?
Quem, ou o que sou eu, uma das perguntas mais polemicas e subjetivas existentes, mas afinal o “eu” existe ou é apenas uma construção social. Onde se não houvesse nós, não haveria eu. A resposta considerada “logica” normalmente é “Sou um ser humano”, “Pessoa”, “Gente”, isto superficialmente responde, porém, ao observar mais de perto e Realmente pensar sobre. Você se pergunta o que define “ser humano”, isto é, basta apenas nascer para “ser humano”. Ou se precisa provar sua, ética e valores para definir sua humanidade, ou seja, se você é “humano” ou “merece ser”. Se sim, você precisa ser socialmente “bom” para “ser humano” entra outra questão. Se você é bom por medo de algo ou alguém, você é realmente “bom”, ou no caso “humano”?
