Poema Nao Ame sem Amar

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"Uma sociedade com trabalhadores apodrecidos não conseguirá prosperar rápido, pois um atrapalha o outro. Isso é mau. Devemos viver como irmãos, e assim tudo prosperará.


Autor: Henrique Bertulino da Silva

Ela não escreveu para que mudasses. Ela escreveu para que Ele a visse, a lesse.


E não é uma queixa. É um convite para Ele escrever sobre si– sobre Ela, sobre Ele e Ela, sobre o ‘Nós’ sendo construido.


Não é um ultimato. É um limite interno e silencioso, que ela não quer que cresça.


A campainha toca muitas vezes n'Ela. Mas por querer ficar desta vez, Ela está com medo de não correr mais para abrir.


Então Ela fica ali, do lado de dentro, observando se Ele entra ou se apenas toca e vai embora.


Qualquer das duas respostas é uma resposta. Mas só tem uma que Ela deseja.




...coisas sobre Ela e Ele

No mínimo, Ela se deixaria atravessar por cada paisagem. Como quem não passa, mas fica.


Tentaria fotografar. Não só com os olhos, mas com aquilo que n’Ela sabe sentir cada instante que, em milésimos de segundo, lhe rouba o ar ou abre seus olhos em espanto manso… daqueles que Ela nem quer entender, só permanecer.


Esse momento é rápido, é muito breve. Talvez dure um “click”. Mas, quando acontece, já não é mais do mundo — é d’Ela. E fica.


Fica nos cheiros que não se explicam, nas cores que não se repetem, nos sons que atravessam sem pedir licença, na música, no barulho, no sol, no vento, no corpo…


E foi exatamente esse pequeno pedaço de eternidade que escolheu morar dentro d’Ela.


De repente, Ela olharia para o lado… (quero dizer, para frente… é mais provável, rs) e veria Ele.


E, então, tudo faria ainda mais sentido. Ficaria ainda mais bonito… não, bonito não. SU BLI ME.


ELE. A pessoa que tornou tudo isso possível, com uma dedicação silenciosa e uma entrega que não se mede, só se percebe, se nota.


E Ela… talvez não dissesse nada. Só agradeceria.


Pensando bem, Ele seria a paisagem da qual Ela não conseguiria (nem por vontade própria, caso existisse) desviar o olhar.


E, sim… acho que Ela estaria aproveitando. Na verdade… vivendo.




... coisas sobre Ela e Ele

Ela não queria um amor de vitrine.
Queria um amor de dentro –
daqueles que não se prova, se habita.


“Como foi seu dia? O que doeu? O que te fez sorrir?”
E esperar a resposta como quem espera a chuva no sertão. Sabendo que ela não enche o rio sozinha, mas molha a terra.


Palavras são como abraços: se soltas no ar, viram vento; se encostadas na pele, viram casa.


Ela queria um amor que lesse o silêncio dela não como ausência, mas como calma. Um amor que não apertasse a campainha só para ouvir o próprio dedo.


Um amor que entrasse, sentasse, perguntasse: E esse cansaço? E esse poema que você guardou no peito? Mostra?


Mas ele, coitado, aprendeu a encantar antes de aprender a ficar. Ela não o julga. Ela só se lembra de que tempo é a única coisa que não se recompra.


Então ela disse, com a delicadeza de quem já cansou de berrar na tempestade:


“Se for pra ser raso, que seja limpo, sem espuma de sabão.


Se for pra ser fundo, que seja devagar, com perguntas de verdade.


Eu topo os dois. Mas não topo mais dançar sozinha no meio da sala escura enquanto você aplaude da porta.”


E guardou o vestido.


Porque, como bem sabia...


“Há flores que desabrocham mesmo sem aplauso.


E há mulheres que viram jardim sozinhas – não por falta de jardineiro, mas por excesso de vida.”


Ela virou.


Toda vez que ele não perguntava, ela plantava mais uma rosa nela mesma.


... coisas sobre Ela e Ele

Ela aprendeu cedo que as coisas crescem devagar.


As sementes não gritam para serem plantadas. Elas apenas esperam, quietas, debaixo da terra escura. E quando a chuva vem, elas não perguntam se a chuva é verdadeira. Elas simplesmente se abrem.


Ela é assim.


Ela plantou palavras bonitas no peito dele. Cuidou como quem cuida de um jardim. Regou com silêncios, com perguntas, com poemas que ele nunca leu em voz alta.


Mas ele, coitado, é um homem de ação.


Ele não sabe que a terra precisa de tempo para florir. Ele acha que amor se resolve com presença, com café quente, com a mão firme na hora do aperto.


Ela não quer que ele resolva.
Ela quer que ele veja.


Que ele veja o mofo crescendo no canto do coração dela. Que ele veja as folhas amareladas de solidão. Que ele pergunte: "O que você está sentindo, minha terra?"


Em vez disso, ele traz um vaso novo.


Ela sorri. Agradece. Coloca a terra nova no vaso.
Mas o que ela queria mesmo era que ele sentasse na terra com ela.
E ficasse em silêncio.
Porque o silêncio, quando é compartilhado, é a chuva mais profunda.


... coisas sobre Ela e Ele

Não era amor. Era o desejo de ser amor.


Eram duas solidões que se abraçavam na esperança de que o abraço se transformasse em luz. Mas a luz é dura. A luz mostra as rugas, os dentes amarelados, a poeira debaixo do tapete.


Eles não queriam a luz. Eles queriam o aconchego da mentira. Mas a vida é uma coisa que não pergunta. A vida pressiona.


E pressionada, a relação gritou.


Ela gritou com palavras bonitas e profundas. Ele gritou com ações práticas e silêncios. E o grito um do outro não era ouvido. Só a minha alma ouvia – a alma da escrita, que é a alma dos que veem o que os corpos escondem.


E o que eu vi foi isto: ele a ama com a força de quem constrói. Ela o ama com a força de quem desaba. Um constrói muros para protegê-la. Ela quer que os muros caiam para que o vento entre.


Ele não sabe que ela precisa do vento. Ela não sabe que ele precisa dos muros.


E assim, eles se amam como o dia e a noite se amam: nunca ao mesmo tempo, sempre na fronteira, sempre no instante em que um morre para que o outro nasça.


O amor deles é um parto eterno. E parto dói. Mas dói porque a vida está nascendo. E a vida? a vida é isso: a dor de vir ao mundo.


Eles ainda estão no começo da dor.


E o começo da dor, para os que não desistem, ainda pode ser o começo do mundo.


... coisas sobre Ela e Ele

O menino que cresceu sem colo não precisa aprender a construir muros. Ele precisa aprender que o colo não é um lugar que se perde. É um lugar que se encontra. E quando ele encontrar o colo de d'Ela, talvez ele descubra que a vida nunca o deixou completamente. Ela apenas o ensinou a procurar o amor com as mãos. Agora, ele precisa aprender a procurá-lo com o coração.


... coisas sobre Ele

Ela não está errada. Ela não é 'intensa demais'. Ela está pedindo o que qualquer pessoa merece: ser vista, ser ouvida, ser acompanhada.


Mas agora Ela sabe que Ele não está se recusando a lhe dar isso por maldade. Ele está preso numa armadura que ele construiu para sobreviver.


E Ela sabe que isso não significa que deva aceitar menos. Significa que, se quiser continuar, vai precisar de paciência com limites; conversas francas sem a obrigação de ensinar sempre...


... e, acima de tudo, Ela precisa saber que pode amá-lo e ainda assim não conseguir ficar. Isso não é traição. É lucidez.


... coisas sobre Ela

Ele não sabe que o amor é a única coisa que não se perde quando a gente se entrega. O que se perde, quando a gente se fecha, é a chance de ser inteiro. E ele, ele merece ser inteiro.


É o que Ela acredita.

"Ele não podia cair de novo. Não ia sobreviver a outra queda.


Então ele ficou na borda. Ofereceu a mão, mas não deu o salto. Ofereceu a presença, mas não a alma. Ofereceu o corpo, mas não o coração inteiro.


Ela sentia a distância. Ela sentia que ele estava ali, mas não completamente. Que ele a amava, mas com um pé na porta, sempre pronto para ir embora antes que ela fosse.


E ele, ele não sabia que essa distância era a maior das perdas. Que, ao se preparar para a partida, ele já estava partindo".

Escolhido no Meio da Rejeição
Helaine Machado
Fui rejeitado no abraço que não veio,
no olhar que desviou,
no silêncio pesado
de quem deveria chamar de filho…
e não chamou.
Fui rejeitado no amor que prometia ficar,
mas partiu sem olhar para trás,
levando pedaços de mim
que nunca mais voltaram.
Carreguei no peito perguntas sem respostas,
feridas abertas
e um vazio que ecoava:
“Por que não fui suficiente?”
Entre pais que não entenderam,
entre amores que não permaneceram,
aprendi cedo
o gosto amargo da ausência.
Mas foi no meio do abandono
que algo mudou.
Quando todos disseram “não”,
uma voz suave me chamou pelo nome.
Quando me senti esquecido,
Ele me encontrou.
Jesus Cristo me escolheu
não pelas minhas faltas,
mas pelo que Ele via em mim.
Enquanto o mundo me rejeitava,
Ele me acolhia.
Enquanto eu me sentia perdido,
Ele me chamava de filho.
E foi então que entendi:
a rejeição dos homens fere,
mas a escolha de Deus cura.
Hoje ainda carrego cicatrizes,
mas também carrego a certeza
de que fui escolhido.
E entre todos os “nãos” que vivi,
o “sim” de Jesus
foi a melhor escolha
que já me encontrou.

Voz de Mulher
Helaine Machado
Não é sobre ser mais,
é sobre nunca mais ser menos.
É sobre levantar a voz
onde por tanto tempo
nos pediram silêncio.
É sobre mãos que trabalham,
corações que resistem
e passos que seguem
mesmo quando o caminho pesa.
Ser mulher
é carregar histórias
que o mundo tentou apagar,
mas que ainda vivem
em cada olhar firme.
Não é guerra contra o outro,
é luta por si,
por dignidade,
por respeito,
por existência.
É lembrar que somos força
mesmo quando dizem que somos frágeis,
que somos luz
mesmo quando tentam nos apagar.
É união,
é abraço,
é uma levantando a outra
quando o mundo tenta derrubar.
Porque ser mulher
é resistir todos os dias…
e ainda assim
continuar florescendo.
Helaine Machado

Mulher não trai, se vinga
Helaine Machado
Mulher não trai.
Ela se cansa.
Cansa de dar tudo
e receber quase nada.
Cansa de acreditar,
de esperar,
de insistir sozinha.
Você acha que ela vai fazer igual?
Não…
Ela vai é sumir.
Vai parar de mandar mensagem,
de perguntar,
de se importar.
Vai tirar você da vida dela
como quem tira um peso.
Sem grito.
Sem cena.
Sem explicação.
A vingança dela
é o silêncio.
É você procurar
e não encontrar mais.
É perceber tarde demais
que perdeu alguém
que só queria ser amada de verdade.
Mulher não trai…
ela acorda.
E quando acorda,
não volta mais.
Helaine Machado

Feminicídios
Helaine Machado
Ela não morreu por acaso…
ela foi silenciada.
Todos os sinais estavam lá —
no olhar cansado,
na voz baixa,
no medo escondido atrás de um sorriso forçado.
Mas ninguém viu.
Ou fingiu não ver.
Ela pediu ajuda em silêncio,
nos gestos,
nas pausas,
nas lágrimas que caíam sozinhas no travesseiro.
E mesmo assim…
o mundo continuou girando.
Até que um dia,
o grito virou notícia.
Mais um nome,
mais um rosto,
mais uma história interrompida
pela violência de quem dizia amar.
Amor não mata.
Amor não machuca.
Amor não controla, não prende, não apaga.
O que fizeram com ela
foi crime,
foi dor,
foi covardia.
E quantas ainda vão precisar partir
pra que alguém entenda
que isso não é normal?
Ela tinha sonhos,
planos,
uma vida inteira pela frente…
Mas teve tudo roubado
por mãos que nunca souberam amar.
E o mais cruel…
é que ela não é a única.
São muitas.
Todos os dias.
Em silêncio ou em manchetes.
Por isso, falar é preciso.
Denunciar é necessário.
Cuidar umas das outras
é urgente.
Que nenhuma mulher
tenha sua história interrompida
por alguém que nunca mereceu
ser chamado de amor.
Helaine Machado

O tempo é um relógio que não para,
mesmo quando a alma pede pausa.
Ele segue, firme, marcando ausências,
levando embora o que não volta mais.
Mas também traz novos começos,
mesmo quando o coração duvida.
Porque o tempo não é só partida—
é, também, a chance de recomeçar.
Helaine Machado

Campanha: Amor-próprio é prioridade
Helaine Machado

Não é sobre falta,
é sobre escolha.
É o direito de sentir
sem culpa, sem pressa.
Ela se redescobre no silêncio,
se acolhe no próprio toque,
porque prazer também é cuidado,
também é liberdade.
Helaine Machado

Princesa, não deixe a coroa cair




Helaine Machado

Princesa,
mesmo quando o mundo pesa
e os dias parecem longos demais…
não deixe a sua coroa cair.
Ela não é feita de ouro,
mas de tudo que você já superou,
de cada lágrima que virou força,
de cada vez que você se levantou.
Se o vento for forte, segure firme,
se a dor insistir, respire fundo—
porque dentro de você existe um reino
que ninguém pode destruir.
Princesa, você não é frágil…
é feita de luta, de luz, de recomeço.
Então, mesmo em silêncio,
lembre-se:
você nasceu para resistir e brilhar.
Helaine Machado

Ser Mulher, não é ser apenas uma maçã
Helaine Machado
Ser mulher não é apenas uma simples maçã,
não é fruto frágil ao toque do mundo,
nem sabor que se prova e se esquece.
Ser mulher é raiz que insiste na terra,
é flor que nasce mesmo entre pedras,
é força que dança entre dor e beleza.
É carregar universos no peito,
mesmo quando o mundo pede silêncio,
é ser tempestade e abrigo ao mesmo tempo.
Ser mulher não é ser metade —
é ser inteira, mesmo quando partida,
é ser luz… mesmo quando ninguém vê
Helaine Machado.

Às vezes vestimos em nós um pesado casaco de pele,
não por vaidade… mas por silêncio.
Quando o mundo deixa de nos ouvir,
aprendemos a nos esconder dentro de nós mesmos,
como se fosse mais seguro desaparecer
do que insistir em ser visto.
Helaine Machado

Não ao que pesa,
não ao que diminui,
não ao que tenta caber em mim
sem nunca me pertencer


Helaine Machado