Poema Nao Ame sem Amar
Não venceram
eles com terror,
eles seguirão
com a sublime
resistência
como resposta
e a reverência
pela memória
de seus
heróis mortos:
Paz na tumba
de Edgar Yucailla.
A História tem
se repetido
nas suas fórmulas
de morte e tortura
para do povo
roubar as suas
riquezas e a ternura,
querem levar
o povo a loucura.
O Outubro Negro
foi copiado
no Equador,
para acintar
e fazer chorar
os seus indígenas
pelos heróis
que o autoritarismo
condecorou e honrou
como os seus
assassinos estimação.
Não como apagar
da memória,
e nem tentar
escrever mais
nenhuma outra
nova história:
foram afastadas
a honra e a glória,
é uma absoluta
e real constatação.
Não tem como
não se queixar
da justiça
que vem sendo
todo o dia
por conveniência
desaparecida
deste jogo de xadrez
onde peões
se portam como rainhas,
onde heróis
são mortos
e seguem presos
injustamente
como o General
e muitos na América Latina.
Buscando não deixar
cair no esquecimento
o sofrimento do General
que segue preso numa
grave injustiça infinita,
Lamento a morte
inesperada do jovem
oficial carcereiro,
Ali não é digno nem
para os culpados,
e tudo escandaliza.
O tempo de liberdade
já era para ter chegado,
Não vejo nenhuma
calma na América Latina.
Dançando no abismo
com os meus poemas,
Em tempo de partidos
aos totais partidos,
Entusiasmada pela
luta da Bolívia
por sobrevivência,
Em mim está o signo
místico e hereditário
da resistência indígena;
A insatisfação chilena
a mim também pertence.
O clamor da Mãe pelo
filho envolvido no tal
conhecido Golpe Azul,
comove-me de norte a sul,
E nada posso fazer,
a não ser escrever
para ninguém esquecer.
Há um preso
que a irmã
idosa por
ele clama,
Não importa
o quê ocorreu
lá atrás,
A vida pede
é que todos
de uma vez
por todas
aprendam
olhar com
uma mirada
reconciliadora
lá para frente,
Espero em
Deus que
do coração
deste povo
jamais seja
apagada na
vida a chama.
Existe ainda
muita gente
para o mundo
nos dar conta,
e histórias
sobrenaturais
para a gente
se assombrar:
Um General
está com
câncer
na garganta,
E há gente
que finge não
se espantar.
Tem um preso
desaparecido
que todo
o dia a Mãe
pede para
não ficar
sozinha até
saber onde
o filho está,
Algo diz que
o coração
de Mãe no
fundo já
sabe qual
é a resposta.
Da Trindade
dos Generais
que estão
presos em
Fuerte Tiuna
não se sabe
quando irão
os libertar,
Clamo por
eles até
onde a voz
não se esgota
e a esperança
da mesma forma.
Quem não se
reconhece como
alma de gaivota,
não chega perto
nem de ser
como uma pedra,
porque neste
mundo não
há quem não
seja imigrante.
Rejeitar entender
o quê se passa
com Generais,
a tropa e o povo
que se encontram
num exaustivo
e asfixiante sufoco
que por astúcia
dos radicais
vem atingindo até
os entes queridos,
é o mesmo que
não amar e rejeitar
deixar a vida viver.
Nem de gente
pode ser chamada,
quem assim
não se enxerga,
não aprecia o som
do Rio Arauca,
não se comove
com o Rio Orinoco
e nem dança
com os pássaros
e a sua orquestra.
Não é preciso
ler em oráculos ou
nas cartas de tarot,
É nômade quem
sabe ir e ler
o quê está
escrito nas estrelas.
No chá servido no
samovar do tempo,
Tu haverá de queimar
a tua língua,
Pois em cada passo
em imigração,
Eis me presença
mesmo não me veja.
Cada filho longe
da Pátria equivale
a uma gaivota
longe do oceano
e perdida
na tempestade
em busca
de sobrevivência.
Alma de gaivota
leve, livre e cheia
de bondade intacta
como a Brigada "Gracias Causa"
plantando flores.
na Plaza de
la Mujer em Tacna.
E cantando
"Alma Llanera"
em tom tão alto
quanto do ronco
do Rio Arauca,
Pedindo a todos
os ventos
a libertação
de tanta gente,
do General
que está preso
injustamente
e irmãos de farda
cada um a sua
maneira dotados
de sublime ideal.
Não ignorem
a juventude
e a infância
adoçadas
pela guerrilha
na fronteira,
se ninguém fizer
nada a tempo
em boa coisa
isso não vai dar,
os filhos do povo
não podem servir
de diversão
em parque eleno.
Tudo anda a cada
dia neste mundo
anda mais insólito
como o estranho
mistério de Anabel,
como deputado
fugindo de fininho
depois ter aceso
o pavio do bloqueio;
quem faz isso
cedo ou tarde
a História irá cobrar,
porque se ela
assim não fizer,
eu é que vou recordar.
Insisto que ele
e os outros salvem
a vida do General
que nem deveria
ter sido preso,
só de saber que ainda
segue desassistido
tem me causado
um confesso tormento.
Algo me diz que
os olhos de azabache
inabaláveis do General
observam cada
verso de insistência
que pedem
a reconciliação nacional.
Cai a chuva mansa,
e minha alma não
cansa de perguntar
quando irão libertar
a tropa e o General?
O General não deveria
ter sido aprisionado,
dizer que ele instigou
a rebelião é um absurdo!
Até agora não soube
mais se ele teve
os pedidos atendidos:
Bíblia, lápis e livros.
Quero saber da saúde
que sei não bem
depois de tanto mal
praticado contra ele,
Esta poesia bruxa
insiste que não deixe
ir longe esta loucura,
Abaixo esta e qualquer
tipo que seja de tortura.
A pergunta que
não quer calar:
onde está
o Hugo Marino?
Não era nem preciso
perguntar isso,
Pois já era para
ter sido respondido.
O tenente continua
largado nu
como um louco,
era tempo de ter
já parado de colocar
tanta gente em sufoco.
E assim vou contando
a história de
um povo sofrido,
de um General que
foi preso injustamente,
e que nem
sabe que eu existo.
Olha, meu bem,
só uma coisa te digo:
- Não se meta nunca
mais com o Esequibo!
A única guerra
entre a Colômbia
e a Venezuela
que deveria
ser permitida
é uma batalha
de joropo na fronteira
fazendo os cantores
vencerem um
ao outro na canseira.
Essa cultura de prisão
por qualquer motivo
é preciso ser vencida,
Não é civilizado
prender por
falso positivo,
Não se sabe o quê foi
feito do Tupamaro,
Dizem que ele
foi sequestrado,
dá para perceber
o mau hábito repetido.
Não quero fazer
ninguém ofendido,
Mas desde a prisão
injusta sofrida pelo General,
Não houve nenhum
avanço e fatos vem
tragicamente se repetido;
Neste momento não
sei se deixaram
ele receber a Bíblia,
cadernos e livros.
Espero que já tenham
liberado a senhora
camponesa e o menino
presos em Guarico,
Que essa história
não mais se repita,
Pois com os mais frágeis
é preciso ter paciência,
E não levar qualquer coisa
até a última consequência.
A cela do General
que está preso
injustamente
não tem janela,
não deixam
entrar ventilador
e lá está
quente como
a Amazônia
ardente pelo
fogo destruidor;
é um claro sinal
de que se estende
o quê é um horror,
e ele segue sem
acesso ao devido
processo legal.
Estranhos
estes tempos
modernos
estranhos,...
Abrem
e fecham
as asas
do condor.
Ah, Colômbia!
Não preciso nem
entrar em detalhes,
A tua política
perdeu o andor
desde o dia
que iniciou
a fazer
a Pátria Grande
conflitante.
Posso até vir
perdoar as
heranças dos
maus hábitos
oligarcas,
porque perdoar
é cristão,
mas o tempo
e a história
são diferentes:
ele(s) não.
Da Amazônia da Pindorama
sendo queimada,
não se ouve quase nada.
Até os velhos guerrilheiros
na Colômbia
retomaram as armas.
Não sei o quê se passa,
nesta nossa Abya Yala
que vem andando virada.
Da Pátria que levam
a luz e o aroma na pele,
a canção ainda é cantada.
Só sei que do bom General
e da tropa não se
ouve falar mais nada.
O pássaro de ferro
foi detectado
e recolocado
ao destino correto,
ele não deveria
ter molestado,
assim como os
setenta outros,
e só estamos
na metade do ano.
Não há como
não suspeitar:
que recomeçou
o terrorismo elétrico
que deixou
a Pátria vizinha
num escuro tétrico.
Tudo isso parece
ter a assinatura
do Império que
não cansa de furtar
a paz alheia,
roubar o tempo,
afastando com
intrigas os melhores,
e impedindo quem
precisa a merecida
liberdade alcançar.
O General é vítima
de um pesadelo,
e está há mais
de um ano sem direito
a audiência pré-liminar
e nem um livro
até ele pode chegar,
até onde essa
dureza vai te levar?
Sinto-me triste até
pela falta de cuidado
com a saúde
do velho sargento,
porque do jeito
que está não dá.
Não é segredo
para ninguém
que desejo tocar
o coração de
todos os que
estão deixando
sem notícias
aqueles que
têm os seus
na prisão,
e sem saber
como estão
há muito mais
de um mês.
Prisões ilegais,
festivais
de torturas
e de tormentos,
Não dá para
fingir que
nada ali
não está
ocorrendo,
Muitos nem
deveriam
estar presos,
E vocês bem
sabem que
tenho razão.
Tudo isso é
de doer
o coração,
E sobre
o destino
de quem
quer que
seja não
se deixa
nem por
uma hora
em silenciação,
Mas isso tem
acontecido
com o General
preso injustamente
e tantos outros
que estão desaparecidos.
De uma terra distante
o teu acorde não
falou mais alto e nem
bonito no meu ouvido.
O Pai de Arpa e Thor
foi condenado,
mais não foi esquecido.
Podem falar em todas
as línguas para tentar
ser convincentes.
Será muito difícil,
pois nada haverá de
ser como antes.
Se não se conforma
com a sua imaginação,
Nada posso fazer,
Estou a implorar para
saber do paradeiro
de um General que foi
preso injustamente,
e segue desaparecido.
Sou livre para falar
o quê eu quiser,
e manifestar a quem
eu bem entender.
A esposa espera
o corpo do marido
Capitão-de-Corveta
para enterrar,
Não estão querendo
à ela entregar,
E o vexame a cada
dia só faz aumentar.
Nada será como antes,
mesmo tendo liberado
a juíza e os estudantes.
Não há nenhum motim,
e sim há uma
grande resistência
de heróis da paciência.
Há médicos reunidos
com o povo em oração
com rosário na mão
em prol da liberação
dos presos políticos.
Do General que foi
preso inocente
e está desaparecido
não se ouve um pio,
E dele só paro de
falar quando o meu
clamor for atendido.
Se não fosse com
a intenção de libertar
desde o primeiro
dia nenhum poema
haveria escrito,
Viver a Independência,
é buscar reconciliação,
mística e libertação,
E sobretudo ter pelo
povo amor no coração.
Um jovem perdeu
a visão por
perdigonazos,
Tu não sabe
o quanto a mim
me dói a notícia
de cada filho
ferido ou tombado.
Responder a um
cumprimento,
a um pedido
ou pergunta
é sinal de respeito:
Onde está o General?
Os calabouços
do Inferno
de cinco letras
seguem longe
das vistas,
e em especial
para duas visitas
foram encerrados.
Por favor,
me responda
se o General
Rodríguez Torres
continua vivo!
Os calabouços
do Inferno
de cinco letras
receberão
uma manifestação
de autoria
do autoproclamado,
Mais uma
trapalhada
para a coleção.
Não faz sentido
tanto silêncio
envolvido...,
Da mesma
forma tanta
austeridade
que chega
dar enjoo,
Há outros oficiais
forçosamente
desaparecidos,
E sobre o General
e todos eles
nenhum pio,
Tudo isso
só causa
mesmo é arrepios.
O filho de
um outro
General não
reconheceu
a voz do Pai
numa gravação,
Não entendo
como
conseguem
conviver
o tempo
todo com
a ideia
de conspiração.
Pais correndo
contra
o tempo
querendo
saber
do filho
há mais
de 8 semanas,
E eu escrevendo
e escrevendo...,
Ainda estou
tentando crer
que cada
palavra
minha cairá
no ouvido certo.
Do General
injustamente
aprisionado,
nada mais
sabemos
como tem sido
há mais de
dois meses;
E hoje pelo jeito
será um
dia a mais
que nada
saberemos mesmo.
A paz jamais
será unilateral:
a paz que se
oferece deve
ser devolvida,
Não existe
paz que
não venha
acompanhada
de boa
comunicação
e de justiça;
Não existe paz
de barriga vazia.
Imigrantes
encontrados
rumo a Trinidad
y Tobago;
Desidratados
e famintos,
Não dá para
negar que
tudo nesta
vida anda
muito errado,
Eles foram
simplesmente
abandonados.
Não há como
posar de
defensor paz,
enquanto
houver gente
sem notícias
de quem ama,
e o bloqueio
que pegou
o dinheiro.
Se a paz
for ofertada
diferente do
que nós sabemos
não poderá
ser chamada
de paz;
Paz que é paz
deve fazer
todos abrirem
mão de algo
em prol
do bem comum,
Do General
inocente não
há nenhum
sinal de vida.
Hoje não teve
desfile militar,
Um dia triste
como este
não há como
não lamentar.
Mesmo assim
poesia não
poderia faltar,
E doa a quem doer,
Não vou parar
de querer
saber como
está o General.
Não vou parar
de perguntar:
para onde é
que levaram
o General?
O grito do teu
silêncio infame
a mim soa
rude e gutural.
A pergunta não é minha:
"Ruído de sabres?"
Não me arrisco em afirmar,
Dizem que suspenderam
a parada militar;
Preferia ouvir
brados de liberdades,
Serão 3 meses de agonia.
Com as marcas
nos corpos dos sete
comandantes torturados,
Ao redor de mim estão
presentes os caídos,
Serão 3 meses de agonia.
O oficial com o melhor
rendimento acadêmico
recebeu como prêmio
o seu desaparecimento,
Serão 3 meses de agonia.
Mais mil historias também
por sebastianas letras,
Desta estrela na escuridão
me aproprio do brilho,
Para que você
não se esqueça:
Mais uma obra de arte
do Inferno de cinco letras,
Serão 3 meses de agonia.
E pelo General preso
injustamente sigo
insistentemente a procurar,
Serão mais 3 meses de agonia:
por quem está desaparecido
pelas mãos que tinham
o dever de notícias dele dar,
E nem sequer por um dia
aprisionar e tampouco isolar,
Serão três mais meses de agonia.
