Poema Nao Ame sem Amar
Não é este o filho do carpinteiro? O nome de sua mãe não é Maria, e não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?
Mateus 13:55
Quando morremos?
Quando não fazemos nada.
Quando não acreditamos no objetivo.
Quando não pensamos no futuro da vida.
Quando não acreditamos em nós mesmo.
Quando deixamos de amar.
Quando não temos mais fé.
A vida e a morte são inseparáveis em todas as religiões:
-Se eu não existisse, tu não viverias. (Vida)
-Se eu não vivesse, tu não evoluirias. (Morte)
— Passei por ti tantas vezes e tu não me viste.
— A sério? Quando e onde?
— Todos os dias, no teu coração.
— Queres casar comigo?
— Não!
— Porquê?
— Porque já sou casada.
— Casada? Com quem?
— Com a tua alma!
A Boca
Da boca saem múltiplas palavras
discursos vãos: vão-se e já não voltam.
Na boca refreiam-se palavrões
contidos no palato
e livres, aos pulos, no pensamento.
De boca em boca tentam os beijos
empoleirarem-se,
apertados ou indecisos,
a querer nidificar o silêncio
ou o gemido que desfolha a pele.
Antes que a noite comece a salivar
vamos amarrar as nossas bocas
até que os nossos corpos se calem.
O Mar Traz-me o Teu Beijo
Não vou à terra estranha de mim
vou vazio de espera e condenado
de esperança
o horizonte puxa a minha estrada.
Todas as estrelas apagaram o sonho
envolto no teu cheiro a atestar
o meu pensamento
o meu coração enuncia as lágrimas.
Não me deixam ficar
sem pão e sal
rebento o momento
escorrem lembranças
que alagam as horas
neste exprimido suspiro
queima o silêncio
escuto os meus passos
cingidos pelo vento
perto da distância
longe da tua boca
os dias não amanhecem
as noites não adormecem
suavemente abre-se a janela
e o Mar traz-me o teu Beijo.
Tens que parar de fazer caminhadas
nos meus pensamentos.
Lembra-te: o meu cérebro
não é uma passadeira de Fitness.
Escuridão
Já há alguns poemas que não te vejo
talvez estejas escondida entre os versos
ou entre as minhas amarrotadas madrugadas
aquelas que eu respiro na tua pele
cada vez que escrevo os meus
movediços e sonoros vazios
de amar-te até à exaustão dos poentes.
Sei que irei encontrar-te onde estou perdido
naquele lugar naufragado em mim.
O Amor Sem Palavras
Escrevo para dizer-te
que o Amor não existe
dentro das palavras.
O Amor existe dentro
de silêncios que gritam.
Sintomas de um inesperado Amor
Manhã:...tu?
durante o dia...porquê tu?
noite...novamente tu?
não sei...tu?
sei...és tu!
Não se consegue
esquecer alguém
que nos deixa madrugadas na pele, manhãs na boca, fogo nas veias e canções no coração.
Hoje acordei
sob um ataque severo
de melancolia.
Sinto que o tempo
não se mobiliza em mim.
Ouço a amputação das horas
a crepitar neste tácito sentimento.
Esta intensa e indefinida vontade de existir.
Como não posso ver-te: vou amarrotar a distância.
Como não posso beijar-te: vou escrever os teus lábios.
Como não posso anoitecer contigo: vou sonhar-te até ser dia.
Como não posso existir sem ti: vou ser eternamente existência neste cósmico amor.
Continuo
a abraçar-te
mesmo quando
tu não dás por isso.
Continuo
a beijar-te
quando a tua boca
é mar e a minha boca
é um poente.
Continuo
a olhar para ti
mesmo que tu
não me vejas.
Continuo
a ser o Outono
que se desfolha
quando tu passas.
Continuo
a amanhecer
nos teus olhos
quando abres
a janela do
teu quarto.
Continuo
a viver e a morrer
como um poema
nos teus dias de chuva.
