Poema Nao Ame sem Amar

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ALÉM - TÚMULO:

Falar de morte é utopia!
Nós não morremos. Apenas...
Morrer é tão somente uma cedência
Ao JAVÉ!,,,
À uma incumbência
Às vezes,
No prelúdio de nossa aurora.
O que muitas vezes destroça
Entes queridos
Na incompreensão de breve reencontro
Quiçá, na proclamação do Além - Túmulo.

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RIMA DO PÉ QUEBRADO:

Revirando-me pelo avesso.
No reverso do meu verso.
Versa não me envergonhar
Do reverso de ideias
Por não me aviltar
Do fato de raciocinar

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FARSA:
Não me apraz
O ouro ou a prata
Eu nasci sob a casta
Que mata...
Meu coração?
Um misero palhaço
Não me impunha raça...
Não me faculta graça...
A construção poética, uma carcaça
Uma medonha farsa!
É flor sem perfume
Sonho que se sonha sem sonhar.
Não me apraz
O riso vulpino do poeta
Sobre a dor que tingida
De certo é dor fingida...

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EU!...
Encontro mas não percebo
Tenho mas não possuo
Vejo mas não alcanço
Gosto mas não saboreio
Sonho mas não acordo
É melhor dormir sem ter...
Que acordar sem ser...

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MITO, CIÊNCIA OU METAFÍSICA?!

Não sei se me alenta.
O mito, a ciência ou metafísica!
Meu coração em agruras
Minha “razão” em profundo silêncio
Grita incessantemente à resposta do ser...
Confunde-me a razão!
Bolina-me a prenoção!
A inércia do amor fantasia as paixões
E a prolatada existência da razão, sabedoria ou ser...
Materializa-se em uma real utopia.
E nesse emaranhado de ilações e meros devaneios
Morro a cada dia
Neste vazio de respostas e contradições que nem a ciência positivista
Explica-nos... Enfim nada temos ou sabemos
Meras substâncias à fertilização do terreno
Em recompensa ao pouco ou nada que somos.

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TORMENTO:


O tempo que passa, fica.
Como não fico ao tempo,
É vento que brada, fita,
Em silêncio todo intento.

Se pudesse volver à vida!
Minha infância, meu alento,
De certo encontrar a ida
Pra verter meu sofrimento.

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MEIAS VERDADES:

Não há verdade a não ser desconstruída.
Não se encontra lógicas empírica ou metafísica a explicar
O "ser".
Tudo transcende à uma ilusão metafísica que a própria ciência
Se empata a definir seu fim.
Tudo que entendemos somos...
São meras abstrações metafísicas.
É na "loucura" que o individuo atinge o ápice da racionalidade e liberdade.
Uma vez que se liberta das normas convencionais, dos dogmas teológicos, das censuras sexuais e provimentos indumentários.
Pré - requisitos à uma "loucura racional".

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A VIDA LIDA:

Neste rio perenes de loucuras!
O permitido permite-se como tal
O que não...
como sempre se perfaz
Na contra mão do abstrato, afinal,
O poeta em sonhos se refaz.
Qual fênix do quimérico pro real
Neste leito de mazelas que me traz
Corre, core... Sobre rio surreal
Como sonho de sonhar tão magistral.

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DEUS NÃO SALVE O REI!

Assim como na ficção.
O reino tupiniquim é permeado por falta d’água, submissões e achaques!
Por conseguinte, nesse reino aonde "rola a bola e a bola rola", o vaidoso potentado assim como nas fantasias globais, também rega sua vida real ou fictícia, com suas “Helenas”... A vinhos em suas cartagenas.
Que Deus não salve o rei, eu guardo a Esperança.

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RÓSEO DE HIROSHIMA

Eles não vencem as rosas.
Que vivem róseo.
Verbalizem as flores!
Não murchem, orvalhem!
Pois nem tudo está perdido.
Sobrevive o meu sonho libertário
Do carmim da rosa que mancharam.
O que me importa é não está vencido.
Por mim,
Não por eles...
Não que eu não possa vencer
Às vezes, não é bastante o vencer
Não ser vencido basta.
Ceifam rosa, margarida, jacinto ou Antero.
Por seus carmins libertários
Que verberam o rei secundário
E seu confuso “liberal” ideário.

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NÓS:

O “homem” essa nau à deriva não possui porto.
E o tempo que lhe aporta, aborta!
Não possui margem.
Flui como a água corre ao mar!
Deserta como a razão sobre o ditar...
Ele é veloz e nós passamos.

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POETIZANDO:

A poesia não pede palco
Não demanda aplausos
É solidão, intimidade e paixão.
É sentimento que freme
Num turbilhão de emoção.
A poesia é marginal...
O poeta capital.
Não possui ser nem autoral
É abstrata atemporal.

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OLHOS QUE NÃO VÊEM:

Após uma tarde memorável em que assisti uma magnifica aula ministrada pela professora drag queen Rita Von Hunty mestranda em letras pela universidade de São Paulo acerca de uma temática bastante pertinente ao contexto Político/social da atualidade: O capitalismo e suas metástases que aniquila aos poucos as sociedades modernas.
Ao retornar à minha residência, ainda no ônibus escolar e na altura do supermercado ideal, quebra-se a rotina da viagem ao deparamos com um grande frisson.
Ao observar o que acontecia vi que funcionários das lojas estavam todos nas calçadas atônitos e os transeuntes se manifestavam na rua sob o som de uma música natalina e o brilho de luzes psicodélicas que lentamente aproxima-se decorando alguns caminhões da Coca-Cola, todos igualmente pretos, sem suas luzes convencionais, apenas iluminados por milhares de luzes natalinas que os adornavam.
Em um deles havia um grande trenó com um personagem de papai Noel e duas crianças que usavam a mesma indumentária.
Moral da história, no ônibus as mocinhas e os mocinhos todos formandos da universidade estadual da Paraíba, e que paradoxalmente alguns teriam participado da citada aula havia trinta minutos.
E no compasso daquele frisson levantaram-se de seus acentos e gritavam euforicamente: Nossa, que coisa linda! Ai meu Deus!
Logo alguém me indaga. Seu Egberto o senhor não gostou? Não acha lindo?
Ééé, respondi. Mas é de uma beleza artificial.
Essa beleza ofusca os olhos das crianças do pedregal, do morro do urubu, ramadinha, favela do papelão...
E em uma interrogativa. Isso vai para onde?
Irá ancorar no templo sagrado do capitalismo, (shopping center), o espaço público que priva. Segrega e exclui os olhos da pobreza. Por isso eu não gosto do natal.

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⁠EXISTIR:

Existir?!
Não existe em mim.
Esse vazio existencial
Na existência impune
Desse universo matafisico
De razão surreal.
Ao qual, sou literalmente recluso.
Na busca imensurável de liberdade
Ao meu delirante corpo físico
Eu, não me vejo... Não me tenho!
Minh' alma assim como a tua
Sôfega na vileza
Dessa existência boreal
Beira a varanda da vida
Que não, dessa vida astral.

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⁠⁠INFELIZ ANO NOVO:

Como não se indignar, ao ver crianças morrerem de desnutrição, pessoas dormirem ao relento sem uma única refeição diária, 789 milhões de analfabetose a morte batendo às nossas portas.
E saber que na contra mão, apenas oito "indivíduos" possuem mais dinheiro que o restante do planeta.
É esse o país e o mundo que queremos para as novas gerações?
Novo? Que novo?
Como novo?
Se tudo permanece como antes...
O capitalismo, é sim, modelo inconteste de metástase cancerígena.

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⁠PELO AVESSO:

Ontem, eu era eu!
Ou quase... Pelo menos
Aos mais íntimos.
Hoje, não há poesia
Apenas angústia
Juízo em demasia.
Afora o surrealismo
Das redes
Existe vida real!
Hoje, sou o que sou
O sonho é que se faz
Real.

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⁠SEMPITERNO:

O maior legado que se pode deixar
Para nossos filhos
Não são bens matérias moveis ou imóveis
Todos são efêmeros
Ademais, podem nos causar
Danos irreparáveis

Porem, o conhecimento, a letra
São sempiternos

A cifra pode comprar luxo, beleza e diplomas
Mas, nunca, jamais a verdade e a verdadeira justiça

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⁠CLASSE SUBALTERNA:

Diferentemente do que pensa o senso comum, a classe média brasileira não pertence a elite. Uma vez que não detém os meios de produção. Ela é sim, pertencente à classe trabalhadora.
Por exemplo, o médico, o advogado, o professor, o engenheiro e todos aqueles que vendem sua mão de obra, igualmente pertencem a mesma classe que dos garis, pedreiros, empregadas domésticas, canavieiros e etc.
E nunca vão ascender à elite! Que as odeia, igualmente odeia a classe miserável.
No máximo, vai usá-la como massa de manobra mediadora de tensões, objetivando preservar sua hegemonia dominante.
A classe média, em declínio no Brasil, vai está sempre em lugar de insignificância e considerada parte integrante da ralé brasileira ante à dominante, e aos olhos do capitalismo neoliberal.
Em consonância com o sociólogo brasileiro Jessé Souza, podemos dizer que é irmã gêmea da já citada ralé. E, ante o atual contexto sócio/político, essa, também poderá mais tarde ser efetivamente, parte integrante dessa mesma ralé.

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⁠SABER!
Sábio, não é aquele que detém as condições para a sabedoria.
Serei o que me der à cabeça. Porém, tenho que querer o ser.
O triunfo consiste em ter triunfo, sem possuir as condições para o tê-lo.
Condições para boa safra existe em qualquer chão bem temperado.
No entanto, como encontrar esse chão se não o fizerem?
No agir, permeia-se a verdadeira sabedoria.

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⁠PROSA

A poesia da alma é existêncial.
Do corpo comercial.
Poetizar não é consuetudinário.
Possui alma inusitada!
E viaja o mapa astral.
Chora, rir, mácula ou celebra.
É anuir ou repugnal.
Singular ou plural.
Atemporal...
possui ética.
Amoral.

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