Poema na minha Rua Mario Quintana
BONDE FANTASMA
Demétrio Sena - Magé
Minha vida já deu; não por desgosto;
por nenhuma tristeza; depressão;
pelo não do meu sonho a cada dia
nem por tantos cansaços de seguir...
É um flanco estendido sob os pés,
a lacuna dos tempos desgastados,
um revés de mistérios resolvidos
que perderam a graça para mim...
Os meus anos gastaram a minh'alma;
desbotaram as minhas fantasias;
tenho calma que arrasta ferros velhos...
Quero ir e não tenho para onde;
meu estado é cratera capital;
é um bonde fantasma sem destino...
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#respeiteautorias É lei
PORQUE PENSO, PENSO E PENSO
Demétrio Sena - Magé
A minha garganta
tem um calo,
de tanto que me calo...
...
O que a cerca
tem a dizer acerca
do quanto me cerca?
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Em
qual
idade
temos
qualidade
devida
de
Vida?
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Mais valem os dois pés voando, do que bater o pé teimoso e pirracento em uma questão infértil.
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Há muitas formas de se driblar o Facebooksonaro. Quer um exemplo? Quando você quiser chamar aquela besta de besta, e não ser punido por isso, é só se referir àquela besta como aquela Topic... ou aquela Van.
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Escolha,
porém o faça
com arte...
ou se aparte.
Porque uma parte
de mim
é uma parte.
A outra
é à parte.
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Estou no fim do começo;
começo meio no fim;
voar virou meu tropeço
e dizer não, virou sim...
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O que mais me magoa
é que você sempre faz
o que mais me magoa...
...
Isso não é normal;
eu nem bem fiquei bem
e já fiquei bem mal...
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ESCRAVO DE NÃO SER ESCRAVO
Demétrio Sena - Magé
Já tive a fome como a minha escolha,
quando meu cardápio era ter fome ou ser livre.
Quando ter comida e ter também liberdade
não caberiam na bolha do meu mundo...
Na verdade, optei por comer poesia,
por ter as artes como sobremesa,
se a mesa não podia ser variada;
era isto ou aquilo, na barriga ou n'alma...
Hoje como ensopado de cultura,
já tendo alimentado bem o corpo...
não cato mais tanajura pra ter "carne"...
poesia é meu emprego, as artes complemento.
Meu alimento é graças à teimosia
de querer me manter de ambas as formas.
Compro meu vestuário, embora modesto,
com o que "não dá camisa pra ninguém";
não disse amém à receita desumana
de suor e de sangue para ter comida;
da lida insana que os exploradores ditam.
Fui um bravo sem nome; sem escudo;
devo tudo a ter escolhido a fome,
quando a fome queria me tornar escravo.
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BREU DE MINHA LUZ
Demétrio Sena - Magé
Há em mim tanta coisa meio nada;
um inteiro quebrado em nenhum caco,
longa estrada sem vista pro futuro,
num buraco não feito na minha'lma...
Tenho aqui tanto lá indefinido,
muito algo apagado na memória,
farta história cravada num momento
esquecido no breu de minha luz...
Morro vivo no caos dessa dormência;
este corpo mais alma do que o corpo
é demência da própria lucidez...
Sinto a força brutal do não sentir;
do mentir com intacta verdade
na saudade que tenho de quem sou...
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ÚLTIMO TRAGO
Demétrio Sena - Magé
Gastei todas as pressas, os anseios,
levo a minha preguiça num silêncio
sem rodeios e sem explicações
a quem passa por mim pra não sei onde...
Caminhei o meu tempo, agora vago
pelos restos de sonhos e vivências;
dou meu trago final, se agora sou
reticências das próprias ilusões...
Solto a minha fumaça lentamente,
não há frente longínqua pros meus olhos
que já podem mirar o que não veem...
Somo perdas e perco minhas somas,
tenho comas que chamo de dormir
e me levo, sou carga sem urgência...
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GRITOS
Demétrio Sena - Magé
Tenho gritos tampados no meu peito,
amarrados ao nó da minha língua,
no meu jeito sereno por disfarce
ou na íngua escondida sob o ego...
Levo gritos na caixa dos meus medos,
na sacola das minhas agonias,
entre os dedos fechados do sorriso
que pretende calar o que me dói...
Há um canto estridente na minh'alma,
uma calma que há muito enlouqueceu
sob um eu que não sabe mais quem é...
Tantos gritos ouvidos por ninguém
são apitos do trem desgovernado
nos abismos de muita solidão...
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DESDESISTÊNCIA
Demétrio Sena - Magé
Eu desisto da minha desistência,
sempre quando estou pronto a desistir,
pois preciso insistir em nunca mais
deixar minha insistência me deixar...
Mas o meu nunca mais, mais uma vez
e mais outra, num sempre que renego,
é o mesmo até três que se reconta
em meu vício de achar que ainda existo...
Ressuscito pro quanto já morri,
para rir de mim mesmo e do meu choro,
minha dor, meu decoro tão quebrado...
Não resisto e retomo a resistência;
desdesisto após tanto que desisto,
se meu isto é aquilo e vice-versa...
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A HORA DA SOLIDÃO
Demétrio Sena - Magé
Tá chegando meu tempo de saber
com a minha verdade mais secreta,
que me resta caber no meu vazio
ou na minha maleta emocional...
Tem um sonho desfeito sob o caos
onde minha esperança curte o coma,
esta soma de perdas vezes danos
é o subproduto que me aguarda...
Vejo a hora em que minha solidão
será sólida mesmo que abstrata,
uma lata que anula vida inteira...
Vem o tempo da tampa sobre nada,
porque é no que tudo já resume
tanto lume que nunca iluminou...
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MINHA VIDA
Demétrio Sena - Magé
As partidas me partem, mas entendo;
é difícil ficar, sei que machuco;
se não prendo, é porque me reconheço
como dura colônia, e não de férias...
Deixo ir e me abraço à solidão
que me faz entender o quanto é minha,
tem o triste perdão que nem lhe peço,
pois também é castigo natural...
Não esquentam lugar no meu recanto;
meu encanto se quebra de repente,
sou a cama da qual se cai do sonho...
E acabo num porre de poesia;
compreendo quem sai de minha vida;
eu também sairia, se pudesse...
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RESISTÊNCIA
Demétrio Sena - Magé
Se não viro esse disco é porque na verdade
minha indignação não é moda fugaz;
novidade volátil que perdeu a massa
feito gás ao ar livre; nos braços do vento...
E não viro esse disco porque sou assim;
digo não ao silêncio, se vejo injustiça;
vou ao fim do meu sonho de mundo melhor,
e sonhar, no meu caso, não perde sentido...
A canção da maldade não saiu do ar,
a má fé não cedeu e o preconceito medra,
ninguém pôs uma pedra sobre o fanatismo...
Pra virar esse disco eu preciso sentir
que será sem mentir sobre ter esperanças
nas mudanças viáveis e na resistência...
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Respeite autorias. É lei
FIM DE PEÇA
Demétrio Sena - Magé
Você foi o meu ciclo mais extenso,
minha história mais longa; pesarosa;
hoje penso em você como passado
que não tive; só tive a sensação...
Porque foi um encanto sem raiz,
uma luz ilusória no meu túnel,
fui feliz por engano e condução
da carência envolvida em seus tecidos...
Suas linhas teceram meus enredos
entre dedos astutos, teatrais,
seu adeus foi o pano em fim de peça...
Nada foi verdadeiro em seu afeto;
foi um teto abstrato, pois lhe via
nas estrelas que tive por você...
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FEIRA DO TEMPO
Demétrio Sena - Magé
Minha mãe já demora e me preocupa,
pois me deixa perdido nesta feira,
nesta culpa infantil por ter ficado
entretido nas cores; entre cheiros...
Ela nunca voltou pra me buscar;
fico aqui, neste choro, a ver o mundo;
os meus olhos no mar e seus navios,
para dar um sentido à nostalgia...
E a feira do tempo não tem fim;
sua xepa se alonga no meu medo,
há em mim tanto caos e tanta espera...
O meu sonho perdeu a minha mãe;
meu silêncio ecoando além do além;
ela nem sinaliza; está bem mais...
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Respeite autorias. É lei
CONSCIÊNCIA PRETA E PARDA
Demétrio Sena - Magé
Minha terra tem dores e gemidos
que não cessam; ecoam no meu ser;
meus ouvidos perguntam até quando
vai doer a presença do passado...
A ferida simula cicatriz,
mas a casca não dura sobre a pele
do país que a cutuca; não perdoa
o silêncio rompido à luz dos tempos...
Despertamos a nossa consciência;
não há mais paciência pro racismo
declarado, sutil nem distorcido...
Seja meu e de todos meu país,
filial de matriz da qual se orgulham
filhos pretos e pardos da esperança...
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ARTILHEIRA
Demétrio Sena - Magé
Sobre a tua desculpa sempre pus a minha;
me sentia culpado se não desculpasse;
dei o passe perfeito a cada jogo teu,
para dares o chute que arbitrasses dar...
Foram tantos e tantos os gols que fizeste;
fui um débil goleiro que nem se mexia,
porque via em teus olhos uma perda eterna,
se num salto perfeito eu detivesse a bola...
De repente um descuido me fez espalmar
o teu chute perfeito como sempre foi;
meu olhar foi ligeiro e providencial...
Eu queria não ter acertado em teu dolo;
te manter artilheira sem nenhuma pausa;
preservar este colo de ninar teus truques...
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Respeite autorias. É lei
MINHA COLCHA
Demétrio Sena - Magé
Se remendo meus dias por aqui,
é porque não conheço a fraude certa
pra deixar a cortina com seus flancos
numa rua deserta e sem saída...
Vou perdendo vontades e sentidos;
descarrego as quimeras que sobejam;
calo todas as minhas tempestades
que trovejam arroubos de festim...
Ser poeta me traz algum alento;
ter o vento que acolhe meus segredos
pra guardar na distância que me chama...
Só aí se completa minha colcha,
porque forjo no tempo meus retalhos
em atalhos de sonhos desbotados...
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Respeite autorias. É lei
REMÁGOA
Demétrio Sena - Magé
Minha mágoa não teve as agressões
que sofri, ao expor essa ferida,
nem buscou nas versões da tua fúria
um achado pra ter por que ferir...
Lamentei entre cantos lacrimosos;
eu confesso, fui amplo em me queixar;
decantei a tristeza sem pudores
e não quis enfaixar a contusão...
Fui apenas poeta, como sou;
porque tudo pra mim desaba em verso;
é do meu universo agir assim...
Quanto a ti, foste apenas mais cruel;
teu pincel de arremate contundente
não poupou a minh'alma da remágoa...
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Respeite autorias. É lei
DIVAGAÇÃO PERTURBADORA
Demétrio Sena - Magé
Minha adolescência e minha juventude não pesaram tanto, na adolescência e na juventude, como pesam hoje. Foram se acumulando em mim, com ágio sobre ágio, para cobrarem dos meus anos restantes, a partir do prenúncio da minha velhice.
Chego a crer que alguns casos de perturbação mental na terceira idade não sejam patologias causadas pelos desgastes físicos e mentais dos anos vividos... antes, uma escolha imperceptível de quem não suporta o peso das lembranças, de saudades e traumas que não se apagam nem com a longevidade. Em minha opinião, quem alcança a maturidade, mas morre antes da velhice, propriamente, não cumpre a pena devida - e de vida - por ter sido adolescente, jovem ou ter logrado mais alguns anos.
Não alcancei essa impunidade. Caminho para sessenta e cinco anos. Só espero não cumprir a pena máxima pelo adolescente, o jovem, o adulto que fui. Quero "partir" antes de, imperceptivelmente, me ver tentado a optar pela perturbação mental.
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Respeite autorias. É lei
Percebi o tamanho da minha fé quando parei de sentir o a tua força, quando não mais sentia o teu amor.
Quando me fechei para a luz da tua graça, mas isso não foi ruim, pois o senhor sempre sabe o que faz.
Aprendi através da ausência que a fé não é emoção impulsionada por sentimentos simplesmente, trata-se de uma mistura de certeza com vontade.
Certeza que Deus esta presente em todos os momentos principalmente naquele onde não o sentimos e a vontade de busca-lo a todo momentos principalmente os mais revoltosos.
Obrigado senhor por se tornar sempre presente em minha vida e por me fazer perceber o quanto é grande o teu amor por nós...
O que te faz pensar que pode me julgar?
Minha capacidade ou incapacidade só depende de mim.
Minhas vitorias e derrotas só depende das minhas escolhas e da minha vontade ao prosseguir o meu caminho.
Deixe me aprender com meus erros e acertos, pois dependo deles para poder crescer e amadurecer.
Percebi o tamanho da minha fé quando parei de sentir o a tua força, quando não mais sentia o teu amor. Quando me fechei para a luz da tua graça, o senhor sempre sabe o que faz e permites em nossas vidas.
Pois foi nesse momento que mais aprendi através da ausência de sentimentos, que a fé não é uma simples emoção que te impulsiona, trata-se de uma mistura de certeza com vontade, certeza que Deus está presente em todos os momentos principalmente naquele onde não o sentimos.
É a necessidade de busca-lo a todo momentos principalmente os mais tempestuosos, é a vontade de ser feliz em meio a tristezas e desilusões.
