Poema Menino
O Menino Jesus vive há 2025 anos, e você ousa pensar que tudo acabou só porque passa por tribulações? Levanta-te, criatura de Deus, desengaveta a tua fé e celebra o Natal.
Benê Morais
No berço da Judeia nasceu,
um menino de olhar sereno,
trazendo ao mundo a promessa
de que o amor é o caminho pleno.
Belém repousa em terras feridas,
onde povos clamam por liberdade,
mas a voz suave ainda ecoa:
“Que a paz esteja em vossa verdade.”
Assalamu alaykum, Shalom,
palavras irmãs que se entrelaçam,
como rios que correm ao mar,
buscando o mesmo horizonte que abraçam.
Homens erguem muros e espadas,
chamam o próximo de inimigo,
mas esquecem que o Criador
não fez fronteiras no coração amigo.
O verdadeiro terror é o ódio,
que cega olhos e endurece mãos,
mas a luz divina insiste em brilhar
na esperança que une as nações.
O menino dos limões
Eu estava voltando pra casa de bicicleta
carregando cansaço, dívidas emocionais
e uma vontade silenciosa de desaparecer do mundo por algumas horas.
Então ele me chamou.
“Tia… você tem alguma moeda?
Eu tô com fome.”
Era só um menino.
Magrinho.
Pele morena.
Olhos verdes que ainda não tinham desistido da vida.
Um pitózinho torto no cabelo
e uma dignidade dolorosa na voz.
Dei as moedas e fui embora.
Mas alguma coisa me atravessou no meio do caminho.
Quando voltei
ele estava em cima de um muro
tentando pegar limão pra comer.
E naquele instante
o mundo inteiro ficou pequeno.
Pequeno feito gente egoísta.
Pequeno feito orgulho.
Pequeno feito discussão inútil.
Pequeno feito pessoas que machucam outras por vaidade
enquanto uma criança tenta enganar a fome com fruta azeda.
Levei ele na padaria.
E o que mais me destruiu
não foi a fome dele.
Foi o cuidado.
“Se ficar caro, tia…
pode deixar o refrigerante.”
Criança nenhuma deveria saber o peso de um refrigerante no bolso dos outros.
Mas ele sabia.
E eu ali
sem dinheiro
sem rumo
emocionalmente quebrada
percebendo que talvez eu tenha gastado demais tentando salvar adultos
quando poderia ter alimentado mais crianças.
Ele foi embora sem saber meu nome.
E eu fiquei ali
vendo um pedaço da humanidade indo embora a pé
com pão nas mãos
e fome no mundo.
Ass: Lucci Santz
Te amo, menino.
Botou a mala nas costas e se foi
Nos bolsos, somente os bolsos
Na mente os planos valentes
Medo? Quantos!
Ficar seria concordar
Se acovardar, teria sido a morte
Misturei as lágrimas, me soltei dos meus abraços, abri as asas e saltei.
Não sei por quanto tempo
Nem sei por onde andei, de tanto que andei
Me ajudei e ajudei desconhecidos.
Apaguei as memórias e arrebentei os conceitos do poder das indiferenças nas diferenças
Onde e quando cheguei nem importa.
as cicatrizes se moldaram na pele e as rudezas das palavras arrancaram pedaços, mas não detiveram a restauração do meu destino. Ivo Terra Mattos
25/12/25
Caminhos de luz
É Natal
É o nascimento do Menino Jesus
É para a vida, um novo olhar
É seguir caminhos de luz
— Olhar de Vidro: Uma Jornada de Descoberta no Jardim Botânico
Rafa é um menino que enxerga a natureza de forma técnica e distante, como algo a ser estudado e analisado. Durante um passeio escolar, ele conhece Raione, um menino indígena que o convida a olhar o mundo com mais sensibilidade. Ao observar pequenos detalhes da vida natural, Rafa aprende que a verdadeira riqueza da natureza não está em dominá-la, mas em respeitá-la e cuidar dela. Essa experiência transforma seu jeito de ver o mundo, despertando nele empatia e conexão com a vida ao seu redor.
Essência da história: aprender a sentir a natureza é tão importante quanto entendê-la. 🌿
O menino e o furacão
Diziam, em silêncio:
"É só uma criança com atraso…
lá no fundo da sala,
com uma folha branca nas mãos."
Eu sei — é o que todos pensam,
mas não dizem.
Estão mais preocupados em embelezar os títulos da deficiência do que em trabalhar,
na prática, a inclusão.
Decoram nomes,
enfeitam diagnósticos,
mas esquecem do essencial:
ver.
Eu nunca tive alunos,
e sim histórias com nome:
Antônio. Bernardo. Daniel. Fernanda. Gabriela…
cada um era único — uma pessoa, uma personalidade, uma habilidade,
mesmo quando o mundo insistia em reduzi-los.
E ele…
O menino da cadeira de rodas,
de movimentos curtos, quase ausentes,
fazia desenhos incríveis que ninguém via —
porque queria a perfeição
e, quando não saía em total sintonia,
por cima do desenho criava um furacão.
Rasgava o próprio céu,
girava sobre o que tinha criado,
cobria tudo —
como se dissesse, sem voz:
“Se não for inteiro, ninguém vai ver.”
E ninguém via mesmo.
Mas eu vi — vi além.
Tentei falar, e ninguém se importou…
Para que dar trabalho,
se ele já estava quieto, ocupado,
com uma folha na mão?
Era apenas um estágio.
E, no fim do dia, havia sempre duas almas frustradas:
A dele —
gritando por reconhecimento.
E a minha —
aprendendo o peso de não ser ouvida.
ARRUMADINHO DE AMOR
Desde os tempos de menino,
Quando a vida era brincar,
Já diziam: "Esses dois
Ainda vão se enamorar."
Théo sorria para Flor,
Sem saber o que esperar.
As famílias, entre risos,
Já faziam armação,
Um passeio no parquinho,
Uma doce diversão;
Era um jeito carinhoso
De plantar a afeição.
No balanço e na gangorra,
Na corrida e no escorrega,
Os olhares se cruzavam,
Sem que o tempo desse trégua;
A inocência da infância
Foi quem fez a entrega.
Veio então a adolescência,
Na escola a estudar,
Sempre havia um professor
Que fazia aproximar;
Na mesma fila da sala,
Pra conversa despertar.
Num trabalho em parceria,
Num caderno a dividir,
Entre provas e recreios
Viram sonhos florescer;
Sem que o mundo percebesse,
Começavam a se querer.
Já na flor da juventude,
Nas festinhas do lugar,
Os amigos insistiam:
"Vocês têm que se encontrar!"
Cada dança era um convite,
Cada música um luar.
Quando a vida fez madura
Sua estrada prosseguir,
No cinema, lado a lado,
Foi difícil resistir;
Na penumbra da telona
Fez o amor se definir.
Já adultos, os encontros
Reuniam amizade;
Sempre alguém organizava
Com enorme felicidade:
"Théo e Flor vêm para o jantar,
É por pura afinidade!"
Tantos laços preparados,
Tantos risos sem igual,
Mostravam que o destino
Escrevia um ideal;
Cada encontro era um capítulo
Desse enredo magistral.
Um olhar virou promessa,
Um abraço, um coração;
Duas almas descobriram
A perfeita direção;
Quem nasceu pra caminhar junto
Vence qualquer solidão.
Hoje contam essa história
Com ternura e gratidão:
Nem foi sorte, nem acaso,
Nem somente intenção;
Foi Deus guiando os caminhos
Com amor e perfeição.
"Por que caminhas a esmo, jovem menino? A quem procuras? Vejo em ti uma centelha de luz, mas vejo também uma vontade avassaladora de ser ouvido, de ser protegido, de ser alguém, ainda que tão jovem. Por qual razão derramas tuas lágrimas? Roga pelo acolhimento de tua mãe, és dela e ela é tua. O colo materno é o refúgio mais caloroso que existe, um abraço seu é capaz de arrancar-te de tua perturbada noosfera e te entregar, ainda que por um breve instante, à mais pura tranquilidade, resgatando-te dos martírios de uma existência amargurada.
Como dizes? O que sussurraste? Não te sentes seguro ao lado dela? Não podes confiar no seu abraço? Mas ela é tua mãe, e as mães são perfeitas... Não são?
Pobre alma. Venha ao meu encontro. Percebi que não tiveste a sorte do resto do mundo, notei que vieste até aqui e aqui permaneces completamente só. Compreendi que maldito seja aquele que moldou a droga, e malditos sejam o ego e o orgulho que constroem uma vida miserável. Vem a mim, jovem alma, e eu te servirei de escudo contra a desgraça que consome a tua vida."
- Emanuel Horácio
Dor de Dente
Eu sou daqueles menino que pouco fala e não mente
Minha vó sempre dizia a mentira dá dor de dente
Eu sou daqueles menino que pouco fala e não mente
Minha vó sempre dizia mentira dá dor de dente
A minha vó me ensinou e hoje eu sou clarividente
Aprendi ver com clareza a bondade e seus acidentes
Minha vó me ensinou e hoje sou clarividente
Aprendi ver com clareza a bondade e seus acidentes
Já fui menino
Andando de braços abertos
Em cima de muros altos
Avesso a qualquer redoma
Incauto e descalço
Um gênio sincero
À espera ingênua
da imensa luz que dissipasse as sombras
E somasse sempre aos sonhos
Desenlaces concretos
Menino inquieto
Que um dia caiu de nuvens
Levantou-se
E sem chorar foi seguindo a vida
Alheio às coisas do mundo
Crédulo e feliz
A cada nova jura
Num tempo que não jura nada
Mas cumpre
A cada ameaça que porventura
Tenha vindo acompanhada de sorrisos
Sou menino perdido ainda
Atrasado na tarefa de crescer
Prefiro morrer assim
Não quero que digam no final
Que eu tenha sido igual a eles.
Edson Ricardo Paiva.
"Dizem que para ser menino é uma questão de nascimento, ser um homem é uma questão de idade...Mas ser um cavalheiro é uma questão de escolha."
☆Haredita Angel
- Porque Dezembro tem cheiro de sonhos,
e cor de céu as vestes de Jesus menino.
Haredita Angel
28.12.25
O menino que cresceu sem colo não precisa aprender a construir muros. Ele precisa aprender que o colo não é um lugar que se perde. É um lugar que se encontra. E quando ele encontrar o colo de d'Ela, talvez ele descubra que a vida nunca o deixou completamente. Ela apenas o ensinou a procurar o amor com as mãos. Agora, ele precisa aprender a procurá-lo com o coração.
... coisas sobre Ele
Tempo Moleque
Um menino atrevido, impiedoso, jamais nos espera.
Seu tic-tac corta a vida como lâmina afiada,
um compasso que não retorna,
arrasta dia e noite sem pedir licença,
e ri de nossa impotência.
Brinca de nos surpreender,
adora novidades;
por instantes parece parar —
mas é uma armadilha,
uma ilusão que nos faz acreditar que dominamos.
Segundos e minutos escorrem como areia entre os dedos;
tentamos congelá-lo em uma fotografia,
mas ele escapa, zombando,
e nada jamais será o mesmo.
Passa, passa, e nos deixa vazios,
restando apenas lembranças que ardem.
Esse moleque cruel pinta e borda nossas vidas,
sem medir consequências, sem pedir perdão.
Nada detém o seu riso impiedoso:
o tempo moleque, tirano invisível,
faz de nós simples humanos
seu brinquedo favorito.
Helaine Machado
Menino Levado
Helaine Machado
Quieto demais pra chamar atenção…
perigoso demais pra ignorar.
Não promete —
faz sentir.
Não corre atrás —
faz você ficar.
E quando se revela…
já é tarde demais
pra não querer mais.
Helaine Machado
Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, o mesmo que um dia caiu de uma cachoeira, lançado contra a água gélida como se o mundo tivesse decidido testá-lo cedo demais. Eu ainda posso senti-lo atravessando o ar por um instante eterno, o silêncio antes do impacto, e depois… o choque brutal contra o frio, contra a pedra, contra a realidade dura do pedregal que não teve piedade. Durante muito tempo, tentei esquecer essa queda. Tentei agir como se levantar fosse suficiente, como se seguir em frente apagasse o que ficou cravado na pele e na alma. Mas a verdade é que ele nunca saiu de lá completamente… uma parte dele ficou presa naquele instante, molhada, tremendo, assustada, esperando que alguém voltasse. Hoje, eu volto. Hoje, eu desço até aquele lugar dentro de mim onde a água ainda é fria e o eco da queda ainda ressoa. E eu o abraço. Abraço com o calor que faltou naquele momento congelado, com a firmeza que o mundo não ofereceu quando ele se chocou contra a dureza da vida. Seguro aquele menino como quem resgata algo sagrado das profundezas, não para apagar a dor, mas para finalmente dizer: eu estou aqui agora… você não está mais sozinho. E então eu entendo. Ele nunca foi fraqueza. Ele foi o impacto que não destruiu, foi o corpo pequeno que resistiu à correnteza, foi o coração que, mesmo assustado, continuou batendo contra o frio, contra a pedra, contra tudo. Ele foi sobrevivência. E agora, ao invés de fugir daquela queda, eu a transformo em reencontro.
Permaneço com ele, no meio da água gelada, sobre as pedras irregulares da memória, até que o frio já não machuque como antes, até que o tremor se torne apenas lembrança, não mais prisão. Porque aprendi, da forma mais crua e mais verdadeira, que ninguém merece mais o meu amor do que aquele menino que caiu… e mesmo assim, não se perdeu de mim.
- Tiago Scheimann
O tempo é um menino debochado
que tem a façanha de passar levando certos pesos,
Colocando certas coisas no lugar.
