Poema Infantil de Vinicius de Moraes
RENASCER
Recomeçar...
Aventurar...
Sentir a emoção de viver.
Ter coragem de aprender.
Coragem no saber que vale
a pena começar de novo...
De fazer algo a mais!
Onde a sabedoria do ser,
consiste numa espécie
de renascimento...
Do conhecer-se, ter o poder
ante o tardio padecimento.
.
Objetivar um retroceder...
Mas jamais deixar-se render!
Oceano
São tantos os segredos
no coração de uma mulher...
Guardados, mergulhados,
e nem sempre encontrados.
A flutuarem na escuridão
como um emaranhado de coisas
obscuras, em momentos.
Noutros, tão límpidas...
Do que virá pela frente,
incertezas!
Um oceano tão profundo
cheio de surpresas.
Amores vividos,
momentos sofridos...
Sentimentos,
aventura de viver!
Terra enxuta
Chuva, chuva,
como força bruta
formou um veio
e caiu, como uma luva,
num momento,
em meio
à terra, por tanto
tempo enxuta.
Nas ondas do teu mar
Navegando na imensidão
do teu mar
tento me afastar
mas me incomoda a solidão.
Mergulho nas ondas do teu corpo
sem fazer esforço...
Refresco-me nas tuas águas,
um amor que não se acaba.
Enfim, descanso no te porto,
e dali não quero sair mais...
A tua sombra me acompanha,
já faço parte do teu cais!
Bálsamo
A poesia é como
um bálsamo
que traz o conforto
nos momentos difíceis...
Ela faz viajar,
caminhando nas palavras,
que deslizam leves
por sobre os dedos,
sem ao menos sair do lugar...
Acalenta o coração,
ilumina os caminhos
com sua luz reveladora!
Oh! A poesia...
Como ela me completa
fazendo parte da minha vida...
Ela me instiga,
quando, através dela,
consigo me conhecer melhor
e enxergar a vida
de uma forma diferente...
Que bom que ela existe!
Raio de sol
Entontece o amanhecer.
Um lindo raio de sol
que logo aparece,
e os pássaros, com seu canto
de paixão, vêm me endoidecer.
No meio do caminho perderam alguns anos.
Perdeu pela verdade e pelo egoismo do doutor.
Ofendeu-se pelo eufemismo.
Acreditava ter todos os direitos.
E tem. Longe de mim.
Longe daqueles que não sabe
que a amizade é mesmo uma coisa sem fim.
O tempo não dá tempo
Quanto mais tempo você espera
O tempo vai passando
O tempo é esperto
Te deixa confuso
E de cabelo branco
O tempo que passa
O tempo que vem
O tempo que espero
Espero que o tempo
Me dê mais um tempo
Pra eu me organizar
O restante do tempo
Não se paga por sonhar!
E não se põe preço na liberdade!
Onda positiva!
Procure a paz e busque a felicidade!
Covardia
Não existe lisura na abstenção
Simbolismo jamais será princípio da omissão
Aquele que se exime da culpa é tão leviano quanto o alienado convicto,
Porém arrogante por não se permitir errar
PRIMEIRO HEXÁSTICO
De João Batista do Lago
na república dos canalhas
Homero não se faria ser
não sentiria qualquer prazer
mudo graçaria pela hélade
feito poema sem virtude
carente da felicidade
SEGUNDO HEXÁSTICO
onde está o pão da vida?
— no sacrário do si mesmo
tu somente és único verbo
hóstia que se dá de si
e sendo da cruz do madeiro
o único cristo a resistir
TERCEIRO HEXÁSTICO
vida de infinda busca eterna
venturosa… enigmática… é
fio de navalha… é mágica
nada quer do morto passado
nada espera do futuro
dela sabe-se só o presente
QUARTO HEXÁSTICO
esquece a glória prometida
vaidade é tesouro pobre
resiste só ao instante fátuo
sucesso luta nobre é
revela assim sabedoria
sagrando a alma da poesia
QUINTO EXÁSTICO
não revela à toa o teu segredo
guarda-o no baú da tua razão
melhor não saberem dos medos
assim não te imporão degredos
falsos demônios anjos são
todos parados nos umbrais
SEXTO HEXÁSTICO
eis-me aqui sujeito póstumo
zumbi de deambulações
aedo de poemas tortos
catando esmos corações
ditirâmbico sem o báquico
hino para minhas orgias
SÉTIMO HEXÁSTICO
líquidos eruditos vãos
velhos discursos si produzem
ágoras de sós volatizam
logos e verbos pós-modernos
etéreos assim conduzem
infernos campos niilistas
OITAVO HEXÁSTICO
poetas líquidos não enformam
voláteis são vãs plantações
semeadas em campos estéreis
espigas de milhos sem grãos
debulhadas não dar para o pão
não mata a fome de inférteis
NONO HEXÁSTICO
brisa cálida… envolvente
afasta de mim esse cálice
nunca mais o beberei
jamais quero a embriaguez
soberbia e sucesso vãos
póstumo caminho eterno
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