Poema do Bebado
A Água de Oxalá
caindo sobre nós
para nos purificar,
Assim estaremos
daqui para frente
para tudo abençoar
por onde a gente passar.
Nostalgia profunda embalando
a inspiração feito a brisa
balançando a Yellow Elder
em floração poética.
Despossuída de linguagem
subjetiva para alcançar
mais rápido outro coração,
e assim para fazer a reconexão.
Para abrir a porta do seu coração
para ficar e em ti morar
e como a preferida canção tocar.
Para levar para qualquer lugar,
para ouvir sem cansar
e quando sentir a minha falta cantar.
Flamingo na beira da praia
enfeitando o nosso olhar,
Você tem tudo de oceano
que eu quero me inundar.
Cada movimento seu diurno
ou noturno sempre agradeço
só ao Senhor do destino para quem
sabe receber o amor que merecido.
Porque a sua linda existência
sempre pedi ao Bom Deus,
e distante dela nunca me perdi.
Por isso sempre em várias
amorosas cenas nos recrio,
porque sei que o amor está escrito.
Não travo guerras,
não embalo desafios,
tampouco sou Musa,
e sim apenas anseios
de um Doce Novembro
que se possa celebrar
o florescimento
do Angico-vermelho.
Prikichi em busca do seu
par não é diferente de muita
buscando alguém na vida
para o coração entregar.
No fundo sei que não
preciso outro alguém buscar,
porque no final de tudo
sei que em ti vou me aninhar.
A recíproca é imensa, intensa
e plenamente verdadeira,
tu és a alma de cada poema.
Com os meus olhos fechados
te coloco a cada nova cena,
e assim nos mantenho apaixonados.
Dizem sempre que
o amor é um jogo,
Não te escondo
que não sei jogar,
Resolvi correr
o sério risco
de pagar para ver,
porque entre nós
tudo pode acontecer;
Ao menos o A-I-Ú
você pode ensinar,
algo me diz que não
vamos nos arrepender.
Ajê-Xalugá sempre
ajuda quem se ajuda
pela vida a se levantar,
nunca pelo destino
deixa a gente na mão,
Não deixe de acreditar
que sempre de tudo
ele há de nos cuidar.
Manter o coração
devotado seguindo
lado a lado da Iuaô
como gentil Ajibonã
sob a luz da Lua,
Esquecer tudo aquilo
o quê de passa na rua.
Observei que a Mangabeira
está mais linda do que nunca,
Fui colher mangabas doces
para te fazer uma surpresa,
Pode ter certeza que é amor
e paixão além deste poema,
Você vai me dar o seu coração
e vou amar ser sua com grandeza.
O tempo está mudando,
balança o Taquaruçu
e vou me distrair com
umas contas de Morototó,
Quem cultiva o mundo
interior nunca está só.
Cada conta vou enfiando
para montar um colar
quando pronto ele ficar
farei brincos e pulseiras,
Quero viver como quem
na vida escreve poemas.
Mantenho a espirituosidade
e a alma romântica vivas,
porque tenho profundo apego
as minhas heranças nativas,
Nada me distrai da Pátria
de todas os meus poéticos dias.
(Não me esqueço jamais
daquilo que me faz brasileira).
Celebro a Taquara
de pé que o vento toca,
os poemas que nela
a Lua ainda cultiva
e quero ver espalhados
por muitos lugares,
enquanto houver uma
Taquara a balançar
sombra e água nunca
haverão de faltar,
Para quem na vida sabe
observar nunca como
antes fez tanto sentido .
A falta da Taquara
heroína que alimenta
a gente e os pássaros
tem feito rastros,
As peles e os cabelos
nunca mais na vida
foram os mesmos,
Tenho medo do dia
que a Taquara acabar,
será o sinal que a vida
nunca mais vai voltar
para o seu devido lugar.
Imaginando coisas
inconfessáveis só
de olhar para você
mesmo sem autorizar,
e quase não tenho
conseguido disfarçar.
No balaio de Buriti
tenho bem guardados
os animais da floresta
feitos de madeira
para recordar a época
que éramos felizes
sem saber nesta terra.
Trançando e enfiando
as contas de Jupati
um bracelete, um colar
e brincos no afã
de despertar em ti
o seu amor e elogios.
Não só fico esperando,
a minha decisão silenciosa
se confirma a toda hora,
a minha alma te namora,
no fundo sei que a sua também
e que a história entre nós
vem no tempo de amar bem.
Vejo poética existência,
beleza e vida plena
na gigantesca Gameleira
e na ventania soprando
as gamelas maduras
para alimentar o cardume,
Sob a proteção de muitas
luas e mística alquimia
quando você abrir os olhos
você estará na minha e eu na tua.
Quando o Sol
raiar vou até o Murici
frutos colher,
As sementes vou
guardar e preparar
porque quero um
colar de muitas voltas
para me presentear.
Tenho colocado no dossel
etéreo o tempo todo
a crueldade e a bondade,
Danço no Céu e no Inferno
com toda a intimidade,
A minha pluma de poeta
na verdade é corta sabre.
O cataclisma e a harmonia
ondulam com os seus véus,
Os punhais de salamandras
nas mãos fazem acrobacias,
O domínio que tenho sobre
você é algo que nem mesmo
o destino tem o controle,
O kajal está intocável no olhar,
no ritmo do oceano a embalar
e as estrelas estão a acompanhar.
