Poema de Mario Quintana o Espelho
Passeando novamente no pensamento de um poema
Com mais calma
Passa nova palavra que não tava na primeira ida
Ideia agora clara
Passear na leitura faz bem a alma...
Queimando tédio!
Convidei essas palavras para esse poema
Prometendo-as valer a pena
Foi fácil colocá-las na cena
A duas dei o papel principal pele e morena
Pegaram o ritmo plenas
Elas encena.
Lendo um poema alheio ganhei um sorriso
Lá tá uma peça do quebra-cabeça
Que completo comigo
Era isso mesmo, olha essas palavras
Contando-me isso e aquilo
Foi no jardim colher letras
Para montar um poema
Atraindo com elas o fervor das borboletas
E ao leitor a cena
Os efeitos de um poema
São os mesmos dos sonhos
Ao acordar a mente a tais
Palavras que é tal poema nelas
Levanta-se um tudo isso
Em sensações, um texto
Te pega e, te lê em cena...
Um poema veio me pedir palavras
para guardar a poesia que trazia
ok, vou pegar umas aqui, quais
que palavras entre tantas guarda
com exatidão o que me pede
esse velho amigo: me, guardar e poesia
cabe bem na ideia de pedir;
pedir pensamentos que não perca
a poesia nas palavras que guarda
o bem que me faz esse poema
me falando que sou poeta
que com palavras se trata
a alma com doses de poesia.
Esquecendo-me de palavras
que feriram-me...
Você escreve sobre o amor se nem tem a quem amar.
Se declara e ao final de um poema em suspiros.
Achas que não sabe amar, mas de palavras românticas nutre a alma.
Tua sede de amar e se dar como todos merecem, prejuízos então já lhe causou?
Apenas a intolerância de ignorantes que nunca amou.
Em meio há esse caos dentro e fora, você sempre precisou de tudo na mesma hora, agora!
Não tem medo do que não conhece, sim do que sabe onde a maioria das coisas a levam.
Confessar é dizer tudo em meio termos, não para quem mas para que...
— O que vieste aqui fazer ao meu poema?
— Vim buscar o meu corpo.
— Para quê?
— Para despir as tuas noites.
Calafetado Poema
Os cílios cerrados do agudo penhasco
derramam lágrimas de vento e granizo
no terreno arborizado dos cinco sentidos
antes do combate entre a fecunda existência
e a íntima e persistente irrealidade.
O declive inalterável das horas abana os dias
onde os vagos versos caídos no calafetado poema
não dizem uma sílaba: escorrem as dores mudas do Amor.
No leito fundo do meu coração de carne
Navega, à bolina, a intrépida canção da sereia.
Se Pudesse Estar Dentro do Poema
Se pudesse estar dentro do poema
apagaria a vegetação rochosa
que alimenta o meu caminho.
Ouviria a canção anárquica do vento
a soletrar o íntimo alecrim dos versos.
Se pudesse estar dentro do poema
inalaria os reflexos do teu perfume
esquecidos na polpa estanhada do luar.
Dedilharia os acordes derramados do mar
no solfejo telúrico das aves.
Se pudesse estar dentro do poema
naufragaria nos porosos cristais da tua pele
beijaria o subúrbio umbilical das tuas palavras.
Resvalaria no declive das diluídas metáforas
e não seria o que sou: um poeta sem poema.
Se eu pudesse transformar
o meu poema em realidade
escolheria aquela parte
onde não existe realidade.
Poema à Deriva
Sou um
poema
à deriva
nesta ondulante
planície salgada.
Abrigo-me
na copa das
tépidas estrelas
onde repouso
o meu rosto
nas ruínas
que pulsam
no meu peito.
Poema Cartaz
Com as cores do coração
fiz o meu Poema Cartaz
para dizer que te quero
com muito amor e paixão
e a a cada dia cresce
o sentimento na imensidão.
Interminável Poema Concreto
O Pico do Montanhão
é o meu interminável
poema concreto
que concede encontrar
inumeráveis inspirações
para inspirar muitos
outros corações
que não tem acesso
a este privilégio
todas as vezes que abre
as portas e as janelas
num mundo que prefere
viver cercado por cimento.
Pão de Queijo
Um Pão de Queijo é um poema
que se come quente
a qualquer hora que se deseja,
Não existe ninguém até hoje
que tenha provado que se arrependa.
Arrumadinho
O Feijão Fradinho
é o feijão nascido
para o Arrumadinho,
Como se lê este poema
um bom Arrumadinho
sempre será servido
com Molho a Campanha
e Farofa de Manteiga.
Espinhaço de Ovelha
com Aipim vira poema
na mesa para celebrar
da nossa gentil maneira
sulista e muito brasileira.
