Poema de Mario Quintana o Espelho

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SUBLIME POEMA AO AMOR.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
Amor, silêncio em veste de agonia,
Relíquia acesa em pálida amplidão;
És flor que nasce à sombra mais sombria,
E morre cedo dentro do coração.
Teu beijo traz o gosto da saudade,
Teu riso é véu de oculta solidão;
Prometes sempre a eterna claridade,
Mas deixas noite em cada despedida, então.
Há sinos mudos sobre os cemitérios,
Cantando preces para quem partiu;
E os ventos, como monges funerários,
Guardam o nome de quem já dormiu.
A lua, em seu sudário prateado,
Embala as cinzas de um jardim sem cor;
O céu contempla, imóvel e calado,
A lenta procissão de cada amor.
Quem ama aprende o idioma das ruínas,
O peso amargo de esperar em vão;
Colhe espinhos onde havia boninas,
E faz do pranto a própria oração.
Contudo, amor, mistério inesgotável,
Mesmo vestido em luto e escuridão,
És o mais doce e o mais inevitável
Fantasma a visitar o coração.
Pois toda vida curva-se ao teu fado,
Toda esperança busca teu calor;
E até a morte, em seu silêncio alado,
Ajoelha-se, vencida, ante o Amor.

O POEMA DA LIBÉLULA.
Do livro: Evoca-me.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Nasci do lodo, húmido e profundo,
Para morrer no cárcere do ar;
Sou célula fugaz deste segundo,
Que o Tempo vem, sem dó, pulverizar.
Meu voo transluzente e vacilante
É a anatomia efêmera da luz;
Cada fulgor, no espaço agonizante,
É um réquiem que o Invisível traduz.
Trago nas asas lívidas nervuras,
Mapas da Morte em cálido esplendor;
São filigranas, frágeis arquiteturas,
Tecidas pela mão da própria Dor.
A Vida é só crisálida incompleta,
Que a Entropia insiste em consumir;
Toda esperança é pálida cometa
Condenada ao vazio de cair.
Não há vitória sobre o pó terreno,
Nem eternidade na matéria;
Todo esplendor culmina em torvo aceno,
Todo perfume expira em paz funérea.
Ó homem, irmão da cinza e da ruína,
Por que blasfemas contra a decomposição?
A sepultura é lógica divina,
E o verme o sacerdote da criação.
Quando eu tombar no espelho do alagado,
Sem pompa, sem memória e sem clarim,
Serei apenas átomo calado,
Voltando ao pó que sempre houve em mim.
Mas, enquanto meu frágil voo perdura,
Risco no azul um último arrebol;
Pois até a mais efêmera criatura
Reflete, por um instante, a luz do Sol.
Se alguém contemplar meu voo derradeiro,
Não chore o fim que a Natureza deu;
Toda libélula é uma espécie de coveiro
Sepultando um crepúsculo no céu.
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Escrita

Ontem, escrevi um poema. Um poema cheio de palavras insignificantes que transbordavam pelas linhas de minha memória.
No primeiro momento, entreguei-me à fantasia.
Depois, rememorei o que ainda não havia acontecido.
Senti a emoção e o arrepio dos deuses com as palavras que não eram só minhas.
Troquei o ponto final pela vírgula.
E, apesar de inacabado, o publiquei.

Eu sou um verso
do mistério da vida
no poema do universo.


Eu sou uma poesia
que não se mede,
não se ajoelha
e nem se deita
em linhas e estrofes.


Eu sou um poema
escrito sem espaço
nem tempo,
na memória do tempo
atemporal.


Eu sou um ponto de interrogação
exclamando as reticências
de um ponto final,
perdido entre o início
e o fim.
✍@MiriamDaCosta

Tu


Tu és o poema que não ouso escrever, mas que o meu coração declama-o em segredo.


Tu és o segredo do meu corpo
quando ele pede mais.
Cada suspiro meu, tem a tua pele ,
cada gemido, a tua eternidade em mim.
Tu és o fogo que me devora
e a calma que me consome depois.
Quando tu me prendes ao teu corpo, sou infinito.
Dentro de ti, descubro que o amor
também sabe ser vulcão .
O teu calor envolve -me inteiro,
as tuas unhas riscam o meu desejo,
e dentro de ti, vagarosamente,
afundo-me cada vez mais fundo.
Não há palavra — só o choque,
o atrito, a explosão de nós dois,
quando o mundo se dissolve
no momento em que
juntos gememos um verso de fogo.

Pele e Chocolate


Passo o dedo
no chocolate
e escrevo na tua
zona umbilical
um poema, que o irei ler
com a minha boca.


A minha boca aprendeu
a língua do Amor
quando encontrou
o teu molhado beijo - e um pedaço de chocolate.

A cidade oferece ruas;
nós oferecemos passos
e desse pacto nasce
o poema que o
chão murmura.

Ruflando às letras o poema
exibe suas palavras
a ideia pesca na água
da rima o ponto
que narra / agarra
mexe a mente à isca
na água...
mente clara / mergulha
o poema ao ponto
narra / agarra




(Leonardo Mesquita)

Como peixes correm na água
palavras correm num poema
pensamento acima
ocorrem versos livres na rede
correm pra cena

Mude uma palavra de um poema alheio
Cultivando-a em versos próprio
Ponha-a para tomar olhares


Regue-a compartilhado


Quando olhares neles pousares
Leve pelo açúcar que há
Levará na orelha


Versos


Mude palavras


Cultivando...


Salve a poesia incendiando o pensar


Esse grito queimando
Pede iluminar


Cultivar palavras
Para educar


E não arrancar do
Coração a moral da história


Vai xandão salva a Amazônia


Plant/ e boca é tigela e açaí


(Leonardo Mesquita)

O sapo acachapa insetos na barriga


O poeta acachapa palavras no poema


Ambos e a língua

Para trazer uma palavra para um poema
é preciso conhecer bem o sabor dela;
ela é o pé de alguém na situação...

Entrelaçando pensamentos uma poesia
constrói seu poema


Seguro nas palavras ela bota seu ritmo


Gerando o olhar que se agrada com
o eclodir de frases elaboradaspra provocar pensamento que não
se solte desse jeito


A poesia cuida do olhar com versos viciosos
No poema no alto das palavras
ele olha...


A abundância de jeito...
com que palavras
empolgam...

poema curto
tudo

todo linguarudo
curte um assunto absurdo


espalha poesia
em poeminhas de intortar

e o drible da palavra não faz vergonha levar


ganha o driblador e driblado


curto ou da vaca
fica no mapa


do peito pro texto que jogada


absurdo linguarudo diga tudo
e não diga nada


passa passa a palavra

Não sabia colocar palavras num poema
até que leão rugiu balançando as letras
numa cena de caça da linguagem; e o Léo escreveu, ah rapaz, essa poesia e
muito mais!

Sentir


Para escrever um poema é preciso palavras e pele


Por isso palavras tocam

Conseguir palavras pro poema contendo
a imagem de engrenagem e o calor da imaginação gastando inspiração seguindo
tranquilo sabendo que palavras chegam ao destino que quer a linguagem e que o poeta
é alguém que ganha, da linguagem, o mesmo que ganha o apaixonado de carteirinha pela arte de pensar a vida juntando o que não se gasta, mas se memoriza aumentando
o efeito espanto que causa o aquecimento
da criatividade, pelo consumo de ideias saudáveis, da exploração consciente da linguagem palavras voltem às mesas das famílias e a arte volte a ser arte.




Leonardo Mesquita

Letras são formiguinhas elas carregam palavras pro poema armazenando uma cena, elas cortam pra atenção pra poesia pra força que tem uma palavra
garregando todo um contexto.
Essas operárias levam o olhar curioso
palavras adentro na imaginação do sujeito num poema profundo desse jeito
todo isso ocorrendo na galáxia da voz atenta e o peso da cena leve leve
tais operárias tiram de letra.

Um poema




Não tem tamanho
Não ocupa espaço
Porém fica no olhar
Uma folha de papel molhada pode apagar
Ajuda dá opinião
Mexe na emoção
É uma arma carregada de balas intelectuais
Dessas tantas perdidas na poeira das prateleiras...
Já foi o melhor amigo de gerações
É o melhor amigo da educação
Ele alegra o homem com imaginação
Não morde e quando morde
é palavra no contexto exato
Deixando alguém mais esperto
Ele tem o que nele não cabe
É apenas uma chave
Junta as pistas de um fato
É os cisnes dos patos
Pro alfabeto não passa nem perto do patinho feito
Para as letras ele tem o charme
Se é um poema não me fala de algo alheio
Ele é eu no meio...




Leonardo Mesquita

O poeta precisou passar da imaginação pro poema, mas o branco tava muito forteentão o poeta cortou frases
com a caneta amarrou-as com imagens
das margens do branco em cena e colocou a jangada de frases na água com criatividade o poeta passou a poesia pro papel...