Poema de Mario Quintana a Pessoa Errada
Porque (Carlos Drummond de Andrade)
Amor meu, minhas penas, meu delírio,
Aonde quer que vás, irá contigo
Meu corpo, mais que um corpo, irá um'alma,
Sabendo embora ser perdido intento
O de cingir-te forte de tal modo
Que, desde então se misturando as partes,
Resultaria o mais perfeito andrógino
Nunca citado em lendas e cimélios
Amor meu, punhal meu, fera miragem
Consubstanciada em vulto feminino,
Por que não me libertas do teu jugo,
Por que não me convertes em rochedo,
Por que não me eliminas do sistema
Dos humanos prostrados, miseráveis,
Por que preferes doer-me como chaga
E fazer dessa chaga meu prazer
Não vi o seu rosto
_ ele estava mergulhado entre as minhas coxas_
Não beijei sua boca
_ ela estava ocupada me beijando os lábios...
‘‘Os 6 Mundos são os lugares para aonde vc é enviado conforme as suas obras neste
mundo.... O primeiro mundo, é o inferno... oceanos de fogo, poças de sangue, montanhas
de agulhas... de medo após medos intermináveis...aqueles que caírem neste mundo,
sofrerão eternamente.... O segundo, é o mundo dos espíritos famintos... os que caírem
neste mundo, só terão pele e ossos, com o estômago inflamado... buscarão sempre por
comida e devorarão a carne morta... passarão a eternidade devorando sem parar.... O terceiro mundo, é o das bestas... nele, todos serão transformados em bestas, num mundo
onde o mais forte devora o mais fraco.... O quarto mundo, é Azura, o mundo da luta...
haverá sangue e morte, o tempo todo, neste mundo terão que ficar lutando dias após
dia sem nenhuma trégua.... O quinto mundo, é comandado pelas emoções... a felicidade,
o ódio e a tristeza, tornam instáveis, esse que é o mundo dos seres humanos.... O último
mundo, é chamado Paraíso... mas é um lugar onde um único pensamento, faz vc cair no mundo das bestas, dos espíritos famintos ou do inferno... portanto, é o lugar mais
perigoso....’’
QUARTO SONETO DE MEDITAÇÃO
Apavorado acordo, em treva. O luar
É como o espectro do meu sonho em mim
E sem destino, e louco, sou o mar
Patético, sonâmbulo e sem fim.
Desço na noite, envolto em sono; e os braços
Como ímãs, atraio o firmamento
Enquanto os bruxos, velhos e devassos
Assoviam de mim na voz do vento.
Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe
Sem dimensão e sem razão me leva
Para o silêncio onde o Silêncio dorme
Enorme. E como o mar dentro da treva
Num constante arremesso largo e aflito
Eu me espedaço em vão contra o infinito.
Debaixo de minha mesa
tem sempre um cão faminto
-que me alimenta a tristeza...
Debaixo de minha pele
alguém me olha esquisito
-pensando que sou ele.
Debaixo de minha escrita
há sangue em lugar de tinta
-e alguém calado que grita.
TARDES QUENTES...
Sem ninguém saber,
Num local á dois,
Poucas palavras,
Desejo a altura,
Corpos exalam,
Calor se acumula.
Tardes que liberta,
Que se manifesta,
Revelando sem temor,
O gosto do amor,
Sem apego,
Sem cobranças.
Tardes de desejos,
Muitos beijos,
Carinho e descobertas,
Coisas que despertam,
O sentido aguçado.
Tardes de calores,
Sem pudores,
Sem modéstias,
Com verdades,
Com vivacidades.
Tardes Quentes...
Da gente,
De mais ninguém,
No ontem, no hoje,
No amanhã.. Talvez.
"Se eu fosse viver de poesia, estava na sarjeta. Trabalho intelectual neste país é sinônimo de vagabundagem"
Manoel de Barros, poeta, advogado e fazendeiro, em 29/12/1991, em entrevista ao GLOBO
“Para entender nós temos dois caminhos: o da sensibilidade que é o entendimento do corpo; e o da inteligência que é o entendimento do espírito.
Eu escrevo com o corpo.
Poesia não é para compreender, mas para incorporar.
Entender é parede; procure ser árvore.”
“ VENTO
Se a gente jogar uma pedra no vento
Ele nem olha para trás”.
(trecho do livro em PDF: Meu quintal é maior do que o mundo [recurso eletrônico])
Agora só espero a despalavra: a palavra nascida para o canto-desde os pássaros.
A palavra sem pronúncia, ágrafa.
Quero o som que ainda não deu liga.
Quero o som gotejante das violas de cocho.
A palavra que tenha um aroma ainda cego.
Até antes do murmúrio.
Que fosse nem um risco de voz.
Que só mostrasse a cintilância dos escuros.
A palavra incapaz de ocupar o lugar de uma imagem.
O antesmente verbal: a despalavra mesmo.
Era uma vez o Amor
Das belas cartas escritas
Das poesias dos antigos poetas,dos românticos de um tempo distante,esquecidos nos livros que um dia,
Folheados por certos amantes
O amor virou lenda
Histórias de um conto infantil
As cartas,as flores,poemas
De um passado que um dia existiu
Você não imagina o quanto a sua
amizade é importante para mim...
Obrigado por você existir!
Não importa se você é real ou virtual,
o importante é que você existe
para me dar o prazer da sua amizade.
Você me fez descobrir
que nada na vida
é mais importante
do que uma amizade
sincera e verdadeira...
Deus é Deus de amor que transforma a semente em árvore, em fruto que alimenta a vida, e, por vezes, o luto!...
Deus é Deus de amor que muda o ninho dos pensamentos em ninho de luz; que muda as idéias em ação que nos conduz, ou deixa que nós caiamos, para compreender Jesus.
Deus é Deus de amor que nos deu os pés, para que haja caminhada, nos ofertou as mãos, para dar trabalho à enxada; mas, se ferirmos o companheiro, erramos a estrada.
Deus é deus de amor que nos deu a cabeça para pensar, que nos premiou com o coração para amar; quem aceita o ódio, não pode cantar.
Deus é Deus de Amor que tudo fez, sem usar o alarde, que tudo faz, mesmo que achemos tarde; que nunca diz: Sois covardes.
Deus é Deus de amor que nos deu o verbo e nos ensina a falar, que nos deu a boca e nos ensina a cantar: que nos deu o coração e nos ensina a amar.
Poeta, em que medita?
Por que vives triste assim?
É que eu a acho bonita
E você não gosta de mim.
Poeta, tua alma é nobre
És triste, o que o desgosta?
Amo-a. Mas sou tão pobre
E dos pobres ninguém gosta.
Poeta, fita o espaço
E deixa de meditar.
É que... eu quero um abraço
E você persiste em negar.
Poeta, está triste eu vejo
Por que cisma tanto assim?
Queria apenas um beijo
Não deu, não gosta de mim.
Poeta!
Não queixas suas aflições
Aos que vivem em ricas vivendas
Não lhe darão atenções
Sofrimentos, para eles, são lendas.
Clóvis de Barros Filho sobre Felicidade resumo.
Eu ouço muita gente falar sobre felicidade, Tipo... Eu sou muito feliz, ou, Um dia vou ser muito Feliz. porém... quem diz a si mesmo - sou muito feliz! não entende nada de Felicidade. chega a ser ridículo!
Não existe uma vida que seja 100% feliz, o que existe, são momentos felizes.
Felicidade é um instante, é um momento, que você torce para não acabar tão rápido. Um instante de vida feliz é um instante que você agarra, que você lamente que tenha acabado, que você articula para repetir o mais rápido possível. esses tais momentos devem ser conservados para que não escorra pelas mãos.
Mais nem sempre da pra ter momentos bons, é lógico que tem aqueles momentos que nos apequena, é lógico que sempre vai ter aqueles momentos que nos brocha... mais de qualquer forma Você vai Vivendo, Procurando esticar o encontro que alegra e abreviar o que entristece.
Então felicidade é a pretensão ilusória de converter um instante de alegria em eternidade, ai você sabe que encontrou a felicidade quando vive um momento que não quer que acabe.
Último Soneto
Já da noite o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!
Do leito, embalde num macio encosto,
Tento o sono reter!… Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece…
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!
O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!
Crescer
Que o verso tem reverso
Que o direito tem avesso
Que o de graça tem seu preço
Que a vida tem contrários
E que o ódio é uma forma tão estranha de amar
Que o perto tem distâncias
Que esquerdo tem direito
Que a resposta tem pergunta
E o problema solução
Já andei por tanta estrada
Já venci tanta cilada
E no caminho fiz ser ouro a minha prata
No meu mundo não tem fadas
Mas a mão de Deus me alcança
Já chorei por tanta causa
Já sorri por tantas outras
E a mistura destes sentimentos tantos
Tanto riso, tanto pranto
Verso escrito no meu rosto
Misturei meu sangue em outro
Quando a dor fez alvoroço
Veio a calma da cantiga
Fiz plantio de outro verso
Desbravei outro universo
Aprendi ser trovador
Em cada porto e despedida dessa vida
Esqueci meu coração batendo lá
Aos poucos tranformei-me em tantos outros
Sou de cada povo um pouco
E hoje a terra inteira é o meu lugar
Quem me dera pudesse compreender
Os segredos e mistérios dessa vida
Esse arranjo de chegadas e partidas
Essa trama de pessoas que se encontram
Se entrelaçam
E misturadas ganham outra direção
Quem me dera pudesse responder
Quem sou eu nessa mistura tão bonita
Tantos outros, sou na vida um Zé da Silva
Sofro as dores de outros nomes
Rio os risos de outras graças
Trago em mim as falas dessa multidão
Quem me dera pudesse compreender
