Poema de Mario Quintana a Pessoa Errada
A busca pela coerência da consciência e controle dos pensamentos e ações é o único objetivo válido na vida.
Prometi pra mim mesmo jamais servir de alívio de mentiras para os que confiam em seu próprio engano. Tanto orgulho é medo.
Me agarro a possibilidade, ainda distante, de que tudo que foi ainda será mais belo outra vez. E o que espero irá nascer com o sol, amanhã.
Nada há o que produza maior desgaste mental do que o que poderia ter sido, o que deveria ter feito, como teria sido...
Sou muitas coisas de vez. Tô tentando encontrar um caminho que acredito ser o mais coerente. Ser confuso é ser triste.
Porque tanta insistência em opor-se ao coração? Ah, se soubessem como melhor pode ser se desde antes se amassem mais...
Momentos vulneráveis e seus motivos inventados. Como se bastasse o nada ou o próximo a ele pra mudar tudo.
As palavras só chegam nas madrugadas. Pode ser o silêncio, ou a escuridão. Abundância de inspiração, ausência de respiração.
Não vou conseguir dizer que, ao ignorar, era só medo de ressuscitar o que doeu. Eu só sei escrever...
São tantos esforços em colisão pra que ao mudar um pouco todos os dias, não deixe jamais de ser eu mesmo.
São palavras claras demais, limpas demais, por isso quase sempre escondidas. Evita-se a morte alheia enquanto mata a si próprio.
Concluo então que não há palavras certas. Nenhuma frase é suficiente sublime pra fazer mudar. Vou só me acostumar. São escritos inúteis.
