Poema de Inverno

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Há muita gente boa e feliz, porque não tem suficiente liberdade para se fazer má e desgraçada.

Os homens geralmente preferem ser enganados com prazer a ser desenganados com dor e desgosto.

Os empregos que por intrigas e facções se alcançam, por facções e intrigas se perdem.

Só se pode conversar duas horas com uma mulher quando se lhe diz sempre a mesma coisa.

As obras de caridade que se praticam com tibieza e como que a medo, nenhum mérito, nem valor têm.

A estirpe herda-se e a virtude conquista-se; e a virtude vale por si só o que a estirpe não vale.

Os filhos seriam, talvez, mais caros a seus pais e, reciprocamente, os pais aos filhos, sem o título de herdeiros.

O interior das famílias é muitas vezes perturbado por desconfianças, ciúmes e antipatias, e enganam-nos as aparências de satisfação, calma e cordialidade, fazendo-nos supor uma paz que não existe; poucas há que ganham em ser aprofundadas.

Os homens são sempre mais verbosos e fecundos em queixar-se das injúrias do que em agradecer os benefícios.

Parece, na verdade, que nós nos servimos das nossas orações como de um jargão e como aqueles que empregam as palavras santas e divinas em feitiçarias e em efeitos de magia.

Não desespereis na desgraça, ela é frequentes vezes uma transição necessária para a boa fortuna.

Qualquer homem é capaz de fazer bem a outro homem; mas contribuirmos para a felicidade de uma sociedade inteira é parecermo-nos com os deuses.

Ainda é mais fácil avaliar o espírito de um homem pelas suas perguntas do que pelas suas respostas.

Duque de Lévis
Maximes et réflections sur différents sujets de morale et de politique

A pobreza não tem bagagem, por isso marcha livre e escuteira na viagem da vida humana.

As crenças religiosas fixam as opiniões dos homens, as teorias filosóficas perturbam-nas e confundem.

A maledicência pode muitas vezes corrigir-nos, a lisonja quase sempre nos corrompe.

Condenamos por ignorantes as gerações pretéritas, e a mesma sentença nos espera nas gerações futuras.

O valor que não tem por fundamento a prudência chama-se temeridade, e as façanhas dos temerários devem atribuir-se mais à sorte do que à coragem.

Nos nossos revezes, queremos antes passar por infelizes, do que por imprudentes, ou inábeis.

No mundo, apenas há duas maneiras de subirmos, ou graças à nossa habilidade, ou mediante a imbecilidade dos outros.