Poemas sobre Dor
Dores das Primaveras.
Quando criança, há risos.
De doer a barriga, pois há tanta alegria inocente.
Ao crescer, há gargalhadas vazias.
Piadas hilariantes que os armagurados se agarram.
Se agarram tentando ser crianças novamente.
Pois dói.
Não a barriga.
E não de alegria.
Com certeza não mais inocente.
De doer a cabeça, pois há preocupações.
De doer os olhos, pois há lágrimas.
De doer o coração, pois já está cansado de ser magoado, ser quebrado,
ser entregue e devolvido.
Os risos eram dados com prazer
e ouvidos com deleite.
As gargalhadas são dadas com desespero
e ouvidas com terror.
Dói não ser criança.
Quero rir de novo.
Uma covardia com a poesia
Eu acho.
Sou eu.
Faço uso desse enredo.
Me arranjo nesse relampejo.
Usar a poesia.
Para fantasia.
Despejar as aflições.
Desabafo.
Despir as frustrações.
Como sou covarde.
Poderia falar de amores.
Paixões.
Romances.
Flores.
Sensibilidade.
Porém.
Coloco as palavras no trem.
Descarrilando sob trilhos.
De vagão a vagão.
Faço um arranjo de turbilhão.
Descarrego a dor.
Menosprezo a cruz.
Entendimento débil.
Essa angústia que me conduz.
Oh ser covarde.
Desfaz a harmonia.
Da vida a tristeza.
Maltrata a poesia.
Tá bom.
Parei.
Que venha o sono da dor.
Giovane Silva Santos
Você sempre será uma ferida mal curada.
Uma cicatriz sensível,
Na qual dói ao tocar.
Uma cicatriz dolorida em que carregarei por anos,
E que mesmo apesar dos danos,
Nem o tempo pôde apagar.
Por onde eu venho andando, procurando alguma cor, vejo apenas sombras do passado totalmente incolor. Caminhando sozinho, carregando só dor. Que me acompanha e me atormenta onde quer que eu vou.
Onde quer que eu vou, não vejo mais cor, são sombras do passado que me atormentam onde for.
Lembro que um dia eu vivi, onde era apenas amor, tinha todas as cores, e pessoas ‘valor’.
Mas eu já não passo voltar atrás, porque o mundo acabou. Você já seguiu, e me deixou. Continuo vivendo nesse mundo sem cor.
você voltou,
disse que precisou desse tempo.
já faz um ano.
enquanto você partia,
eu me recuperava.
O amor é certeza
e tu vem me dizer que precisou de 365 dias pra decidir se me amava?
Murilo Augusto
Saber de ti, é como procurar uma tarracha em meio à multidão; não sei onde está, mas sei que está por perto.
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Não devia, nem podia, mas ainda tento saber de você, sem perder a promessa que fiz a mim mesmo, de nunca mais te achar.
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Me recompor talvez tenha sido a parte mais difícil de tudo isso, a corrente amarrada em meu pescoço como presente de nosso primeiro encontro, não se desfez, e eu ainda não tenho coragem de desfaze-la.
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O que dói em ti?
Talvez essa não seja a pergunta,
mas,
doeu em você?
Não sei, como, o que, e porque fui pra você. Talvez melhor nem saber.
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Juro aos quatro cantos, que tu passou, e eu mesmo não sei se você foi uma passagem. Você chegou dia 3 e se foi no dia 19 do outro mês, entre idas e vindas, nunca soube se você realmente ficou.
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Não sei me responder, porquê ainda você insiste em não desaparecer de mim? Minha amiga diz que tu fez parte da minha vida, e talvez por isso você nunca desapareça; que ninguém supera, a gente ressignifica.
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R E S S I G N I F I C A R
É atribuir uma nova visão.
Assim espero, que você se enxerge e eu pare de te ver.
Murilo Augusto
A partir do momento em que despertamos para as questões conscienciais da vida, agir egoicamente traz muitos conflitos conscienciais, que nos geram muita dor. Por isso, a Psicologia Consciencial busca a exemplificação do Cristo para nos servir de referência para o esforço em praticar as virtudes e nos libertar dos conflitos e da dor.
Livro: Inteligência Consciencial - a conquista da autonomia da consciência
Pai
Grande pai!
porrada na cara
filho caído
perdeu a memória.
Grande pai!
joga-se um livro
acerta na cara
boca inchada.
Grande pai!
tira sua roupa
te joga no chão.
Grande pai!
maior que você
menor que sua força.
porto
há uma saudade em mim no cerrado
ancorada nos barrancos ressequidos
são arrancos no peito em ronquidos
num espectral sentimento entalado...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
Só mais um grito
Ela grita por socorro
Para teu olhar eu corro,
Mas como não tenho,
Aos cortes recorro,
Nessa dor eu morro.
Junto dessa dor,
Sentimento esclarecedor,
Tudo que sente é tristeza
Incerteza.
A morte chegando,
Seu coração não mais palpitando.
Naquela dor, novamente calvagando.
Dores não citadas,
Poesias não pautadas,
Guardo essa dor que a mim foi dada.
Só mais um grito por socorro
Como eu disse, aos cortes recorro,
Nos braços da vida eu escorro.
Término.
Com ele foi diferente, sabe?
Não foi como uma facada.
Talvez porque foi eu quem decidiu o fim.
Mas na conversa foi uma decisão mútua.
Na verdade não.
Eu decidi terminar,
Mas quem tinha deixado de amar não tinha sido eu.
Foi eu quem percebeu, claro
Também foi eu quem resolveu tomar uma iniciativa sobre esse fim iminente.
Talvez tenha sido sua decisão.
Afinal foi você quem resolveu deixar de dizer.
Você dizia tantas vezes, mesmo quando eu ainda não estava pronta para dizer de volta.
Você dizia sem hesitar.
Você me esperou.
Eu me joguei rápido demais com medo de você se cansar.
Mas acho que esse acabou sendo meu erro.
Queria entender por que você parou de dizer.
É óbvio que é porque parou de sentir, mas...
Por que parou de sentir?
Eu só queria ouvir mais uma vez, antes de me permitir chorar e seguir em frente.
Só mais uma vez você dizer, que me ama.
É difícil explicar, até mesmo sentir
O que as vezes se passa em nossa cabeça e coração.
Tentamos, nos confundimos.
Imaginamos, nos iludimos.
Somos enganados por nós mesmos.
Pensar demais de si além do normal é loucura.
Mas pensar nada é o que?
Tenho medo da solidão, do obscuro e complexo mundo mental.
Neste mundo louco, quem decide entendê-lo cai em suas insanidades.
Podemos apenas negar ou mentir nossos distúrbios?
O quer que façamos, não se pode negar a amargura
Que é está presa ao mundo podre, arisco e desumano.
Vamos firmes persiste, pois, o prêmio está por vim.
Felicidade é extática. Não é virtude.
Está-se ou, mais comum, não.
Ser-se é cheio: plenitude.
Dar-se tudo, doar-se todo.
Sem arremedos.
Entrelinhas
Rainha, princesa, anjo, donzela!
(Escrava patética, louca égua sem cela).
Meu bem, tratarei-te como flor
(ao desestruturar-te, perderás vida-cor)
e te amarei para sempre, não importa como for!
(De mim tu não escapas, sou teu senhor).
Adoro-te e apenas quero teu bem
(obedeça-me se não quiser sofrer além);
por isso, sou capaz de tudo para te proteger
(daqueles que conspiram contra tua submissão-dever).
Escuta-me, deixa-me penetrar no teu cérebro
e mostrar-te o que meus olhos veem
(a implorar por piedade, tua figura célebre)
afim de que percebas a beleza que tens
(os berros teus pelos vida-vermes).
MESSALINA (soneto)
Lembro, ao ter-te, as épocas sombrias
Dum outrora. A saudade se transporta
À tempos de prazer, e não dor à porta
De meninices, abarrotadas de alegrias
E nestas felicidades de glórias luzidias
Que a mostra era viço, não ilusão morta
O pouco era muito, e no pouco importa
O estorvo, a mais valia, eram as orgias
Tolas, e não só imaginação em ruína
De quimeras incolores e, assim impura
Num cortejo de recordação messalina
Ó saudade, acostamento de loucura!
Suspirando nostalgias tão cristalina
Tinta de tristura, que no peito segura...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Novembro, 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Nenhum drogado
Nenhum bêbado
Nenhum adúltero
Ninguém que faça o mal
A si mesmo,
É capaz de amar alguém
"Como é difícil viver norteado por tantas pessoas em um mundo tão grande e se sentir sozinho...
A dor do vazio dói no corpo e na alma...
A dor do egoísmo em pensar que Deus em sua magnítude deixou de enviar sua luz... Que se esqueceu ou tomou para si outras prioridades...
Como dói acordar todos os dias desejando que este fosse o último. E como essa vontade é grande...
As forças estão acabando bem como o amor próprio.
Como dói viver uma vida por um amor irracional não correspondido. A sensação de fracasso por não conseguir ser compreendido e por não ser correspondido...
Se nesse momento eu tivesse voz para dizer ao mundo o quanto é importado se doar sem limites... se dedicar sem limite... Ter atenção a cada detalhe de quem esta próximo a você... Eu gritaria com toda a força da minha vida... Valorize, respeite e a todos os detalhes seja atento...
Quando se perde não há mais o que se fazer... Quando o que se fazer já não é mais uma opção...
Hoje só vivo por um único fio de luz que ainda me prende a esse mundo e quando e se por algum motivo essa luz se apagar, só peço a Deus a caridade de me levar para talvez uma evolução e que em algum momento eu possa novamente ter a oportunidade de tentar corrigir meus erros e receber o seu perdão e o perdão de todos com quem eu convivi.
Uma morte digna é talvez o fim de um sofrimento sem fim. Não é verdadeiro o ditado de que é permitido errar tentando fazer o certo. O certo é certo. O errado é errado sempre.
Não suportar a dor é a maior das dores... Sempre.
SE DIZ QUE AMA
Muitos nem amados sabem ser
Não se deixa ser amado...
Chama de amor
Mas não abraça forte
Não beija ardente
Não faz carinho
Não respeita a individualidade
Não respeita a privacidade
Não faz o bem...
Chama de amor
Mas não deseja o melhor
Não empreende o bem
Não quer está perto,
Não tem ciúmes, nem ponderado
Longe, saudades não sente...
Chama de amor
Mas não fica, não quer
Nem insisti pra ficar...
Não chama pra dançar
Não dar flores perfumadas
Não comemora datas importante
Não quer passear de mãos dadas
Não senta na praça colados
Não ver ao lado o por do sol.
Amados não saber ser.
O presente pode ter o gosto do passado.
O passado podre faz azedar o presente
Um passado podre, um presente azedo, ver futuro estragado.
Presos no passado
Algemados no presente
encarcerados no futuro
Condenados pela eternidade.
