Poema de Desculpa
Procuramos desculpas colocando a culpa nos outros ao fim de muitos relacionamentos. Enxergamos o mundo sob nossa perspectiva e enquadramos as pessoas em como queremos que elas sejam. E quando por algum motivo não as queremos mais, porque conviver exige renuncias e perdões, tiramos os óculos e as vemos sob outra perspectiva. E assim arrumamos as desculpas que queremos.
Pais e filhos com desculpas de não terem tempo, aqueles colocam seus filhos nas creches e estes seus pais em asilos para que os outros façam o que ambos deveriam fazer.
Vamos de música. "Se todo mundo viu, por que você não tá vendo todo esse esforço que eu tô fazendo?"
Todo mundo viu. Mas nem todo passou o perrengue, foi ferido ou conhece a pessoa tão bem. Quem convive é quem sabe, quem convive é que foi machucado, que convive é quem sofre. Para fazer o companheiro se sentir orgulhoso não é preciso esforço, deve ser natural e deve ser da pessoa, e assim a paixão não precisar ser refeita.
A pior invasão de espaço é a psicológica, porque a maioria das pessoas não pedem licença para entrar e fazem um estrago tremendo. Já a invasão física, um esbarrão, as maiorias das pessoas pedem desculpas. De uma maneira ou de outra, tente não entrar nos espaços dos outros.
O eleitor fanatizado sempre vai procurar desculpas para legitimar as más condutas do seu político de estimação.
Cada um trás consigo sua parcela de mérito e de culpa, sem desculpas, perante sua própria felicidade.
Aprendi a não me importar. A não sentir. Desculpa, se você já foi algo, não lembro. Histórias ruins, são esquecidas.
