Poema da Fome
"Na época em que eu crescia, quando o Brasil ainda vivia numa Ditadura Militar, algumas amigas minhas se achavam ricas. Mas descobri, anos mais tarde, que naquela cidade em que nós morávamos só viviam pessoas tão ou muito mais pobres que elas. Aí, caiu a minha ficha, como se diz.
Infelizmente, nesse tempo era assim, pois quem tinha um aparelho de TV e uma linha telefônica se considerava rico, mesmo em meio a tanta pobreza... Na verdade, eram 'ricas' porque os pobres eram pobres demais."
Como pode haver fome se há tantas plantações? Como pode pessoas morrerem de frio, se há tantas cobertas, há tantas casas desabitadas, a construção do paraíso só depende de nós... Podemos construir novos hospitais e mandar o governo corrupto pastar. Porque somos um povo unido e não precisamos deles para cuidar de nosso doentes e feridos... podemos construir nossos próprios carros movidos a ar com uma estrutura que se preocupa, não só com a beleza mais com a vida, e plantar arvores frutíferas para todas as crianças e trabalhadores braçais desfrutarem em seus momentos de liberdade...
O princípio das dores já começou: guerras, fome, terremotos, zinco e chikungúnya; picadas e chicotes da terra.
Temos duas opções para o futuro: talvez a questão da desigualdade social exploda de forma pacífica ou violenta, se não seremos escravizados pela minoria que concentra a renda.
E existe a opção da revolução das máquinas que pode facilitar a vida de todo mundo e trazer um equilíbrio social ou alargar ainda mais essa desigualdade.
