Poema Casa
Fica
Não era sobre ficar
Era sobre você não precisar voltar
Não queria deixar pra lá
Mas a porta estava aberta e você me pediu para entrar
Não sabia se era para ficar
Ou era apenas visita
Não saberia adivinhar
Eu precisava ver sua transparência
Não seria pedir muito
Porque saberia que não precisaria
Conhecer a casa toda
Era só um convite pro café
Um bate papo meio desarrumado
A gente se deixar bagunçar demais
Quando ja conhece bem os cômodos
Estou me retirando
Você sabe meu endereço
Se perca de mim
Ou me encontre
Não quero que você, volte
Espero que você, fique
Na casa da Avó
Na casa da avó
Tudo é mais acolhedors
tudo tem...mais amor.
Na casa da avó
cheira a café pela manhã
Por entre os lençois de lã
Na casa da avó
Temos lareira no inverno que dá muito calor
Fica assim a casa com mais amor.
Naquela casa eu pintava sonhos
felizes, risonhos, inventava histórias...
Naquela casa guardo o sentimento
em cada momento das minhas memórias...
Naquela casa estão os azulejos,
esses meus desejos da minha razão....
Naquela casa vi a liberdade,
vi tanta verdade, que hoje não o são...
Naquela casa vejo as laranjeiras,
as mesmas pereiras, o mesmo endereço....
Naquela casa tudo em mim se encerra,
dou serviço à terra que tão bem conheço...
Hoje o quintal contínua igual,
um tanque central, uma mesa rasa,
o forno a um canto,, e para meu espanto
quando me levanto estou naquela casa.
Sai de casa sempre, assim que der
Mas sai sem esquecer que a sua casa é sempre aqui
Sair de casa é só pra quem quer
Pois a coragem anda a pé e vai te levar pra longe
Era uma tarde como esta.
O vento brando
beija meu rosto esmaecido.
Namoro o inverno
na entrada da estação;
entre o trem e a plataforma,
ouço Bolero de Ravel
As tardes não são mais as mesmas,
as árvores, que um dia
me deram sombra,
desabrigaram até os passarinhos.
Mulher, venho-te ver!
Fala da nossa terra,
da nossa raça,
da nossa liberdade,
o nosso rosto sem sombra de grades.
Além do pôr do sol,
ninguém sente saudades.
A cena abriu-se;
um drama baseado em fatos
e mistérios, próximos
e semelhantes, desiguais
e distantes.
Em dias chuvosos
Eu corro para onde a chuvarada não alcance
Mas eu ainda desejaria voltar para casa
Mesmo que o vento continuasse a me levar de volta
Eu ainda desejaria
Mas não importa
Mesmo que eu o fizesse
Nunca voltaria para casa
Não tomei muito (só umas e outras)
na decisão de ser sozinho.
Redescobri nos dias
feitos para nós.
Já não os tenho
como outrora,
eu estive
apaixonado
por você e pela vida!
Solto a vida pela janela.
Fiel como trilho e o trem.
Corro descalço
a caminho de ferro.
Os pés suados,
empanados de terra,
e as unhas de fora.
somos boêmios
de, John Steinbeck.
Bradamos pelos becos
os versos rebeldes de O Uivo,
de Allen Ginsberg.
