Poema Borboleta
Sua verdade não é escondida, nem esquece de suas origens, assim, sua essencialidade é mantida, mas hoje é feita de vários lugares, culturas e experiências vividas, uma borboleta numa contínua metamorfose, uma mudança em cada fase, existência emocionante que aviva com sua liberdade.
Metamorfose apaixonante do que antes eram apenas papel, alguns lápis de cores e uma inspiração ainda não despertada e que agora é uma bela arte, criada por uma mente imensamente criativa, inquieta, emocionada, artística, representada por uma borboleta fascinante, asas majestosas, ricamente detalhada, simplicidade cativante, criatividade liberta, sensação mágica, tonalidades intensas, peculiaridades expressivas, típicas dos seres presentes nos contos de fadas, um resultado sublime, uma obra feita com a alma, assim, um ar lúdico da fantasia vai se destacando na normalidade, uma forma simples de melhorar o dia através da arte.
Paro o tempo brevemente enquanto contemplo uma composição majestosa, boca pequena, longos cabelos, natureza grandiosa, quente, sedutora, força de uma paixão ardente, o brilho intenso de um universo atraente no olhar, a linda escuridão da noite nos olhos, alma romântica, charme peculiar, um pouco misterioso, o desenho do seu corpo e a liberdades da sua essência fazendo juntos uma grande referência a uma borboleta formosa, asas de curvas esplêndidas, um ânimo impetuoso que a faz voar lindamente até as estrelas, a junção de pimenta e doçura, pressão e leveza.
Cada fase da vida é relevante, transitória, ocorre no momento certo, pra elas, a pressa não funciona, todas passam por alegrias e causam desgastes, também vitórias, são desafiantes, permitem alguns instantes de felicidade, sendo uma diferente da outra, propósitos e peculiaridades, assim, fazem parte da soma de uma contínua metamorfose, nenhuma pode ser descartada, ainda que não se perceba no agora, pois no fim das contas, a razão ficará clara, mantendo aquilo que mais importa à semelhança da borboleta que não adquire do nada, as suas asas formosas e libertas.
O teu coração é envolvido pela escuridão da noite que destaca ainda mais o resplendor das estrelas, assim, a tua beleza é instigante, és linda e liberta semelhante a uma borboleta de hábitos noturnos, logo, uma grande proeza conhecer pelo menos uma parte do teu mundo.
A mocinha da fazenda corria livre e sem perceber encalços pelos caminhos. Seguia por musgos macios, beirando ribanceiras, arriscando-se a cair, mas loucamente prosseguia. Vestia suas asas de borboleta e voava sobre as paisagens, recolhendo a beleza que conseguia captar. Suas tranças eram velas ao mar em aventuras infantis ou seriam asas de um colibri em busca de néctar? Ela não percebia isso ainda, apenas voava em sua imaginação - ao sol cantava, as estrelas do céu apanhava e um colar fazia. Se enfeitava toda, não para aparecer, mas porque já viera ao mundo como poeta e assim seria, toda e qualquer poesia.
Um dia a pequena criança viu a nuvem e nela quis voar. Como doida pulava e obvio- jamais alcançaria . Resolveu formar com elas mil imagens que surgiam de sua fértil imaginação. Lá na amplidão azul mesclada de branco apareciam então mil carneirinhos, flores, dragões, barcos e monstros sem braços ...Depois esquecia de tudo e voltava a atenção aos pássaros que em revoadas passavam sobre sua cabeça no imenso jardim ou trilhas por onde andava. Com eles queria voar também e lógico não era possível, resolveu então vestir asas imaginárias e aos solavancos, descia rampas de gramados, achando-se uma sabiá. Até que rolou por uma ribanceira e feriu-se muito. Não desanimou, seus pés não se contentavam em andar apenas sobre o chão e vestiu asas de borboleta. Pelos prados sem fim, voava e ruflava, indo de flor em flor. Sabia todos os perfumes e texturas delas, mas um dia uma vespa predadora a quis pegar, ela perdeu uma das asas e caiu. Nunca mais voou e aos poucos morreu no jardim que amava. Não se deu por vencida, largou a fantasia de borboleta e virou vespa. Como essa, voava sem receio, apavorando borboletas, até que veio um pássaro e a comeu. A garotinha resolveu ser um pássaro e foi voando pertinho das nuvens e ali conseguiu por um instante tocá-las. Imaginou junto à nuvenzinha uma varinha de condão e como fada do faz de conta virou poeta para sempre.
"Ego, ego meu, se eu aprender a voar com uma águia, me torno um águia?
Ego: Não, borboletinha, nem a fênix pode renascer das cinzas com outro propósito."
