Poema Arte
A ponte da vida
Aos passos vagos e curtos
O homem na longa travessia
Enfrenta todos os vultos
Das ideias ele se sacia
As pontes da própria mente
Que ligam o gênio presente
Em sua genialidade total
Essa tão viva e também fatal
Ele atravessa a árdua ponte
As dificuldades do caminho
Endurecerem sua fria fronte
Fazem da água o vinho
O filósofo cumpre seu destino
Eleva-se ao saber divino
À outra margem tendo chegado
Vive então do bem dourado.
''O NUNCA''
Nunca comete um erro,e volta a repetir mais uma vez.
Nunca diz milhares de mentiras,enquanto que em poucas palavras dirias a verdade.
Nunca se vangloria por aquilo que não tens.
Nunca diz que eu amo-te,enquanto você não conhece o valor e o que significado do amor.
Nunca diz que eu não consigo,enquanto que você faz coisas que muitos não conseguem.
Nunca diz que eu conheço a verdade,enquanto que você não vive està verdade.
Nunca fala mal do teu proximo,porque você não sabe o que eles pensam de ti.
Nunca diz que eu só o melhor,porque o melhor é aquele que ajuda os outro a ser muito melhor ainda.
Nunca substima o adversàrio,porque a fraqueza nem sempre é derrota.
Nunca diz que eu só fraco,porque no meio dos fracos você pode se tornar forte.
Por isso nunca diga nunca,porque o nunca sempre acontece.
Nós dois, amor.
Nós dois em uma sintonia perfeita, na noite escura iluminada pelas estrelas, você me levaria para seu restaurante favorito. Eu escolheria a mesa fora do restaurante, ao ar livre, eu prefiro assim, sabe. Então, você pediria ao garçom sua comida preferida e eu pediria um delicioso macarrão com castanhas, eu adoro, meu amor. Você não beberia, seu coração iria me acompanhar esta noite com um suco de laranja bem gelado, sabes que não suportaria te beijar e sentir o hálito alcolico. Você perguntaria sobre minha próxima obra, porque mesmo aos dezoito anos já lançaria meu primeiro livro. Eu olharia o mendigo da esquina e levaria a ele um prato especial que você mesmo escolheu, porque você já faria parte da minha caridade. Estaríamos presos um ao outro, de fato, já sabias: estávamos destinados para sempre, e eu sou a pessoa perfeita pra você, e você repetiria isso sempre que eu duvidasse de mim. Depois voltaríamos juntos e no meio da madrugada te surpreenderia com uma poesia, e você me chamaria de sua poetisa. Delicioso é o amor que nos une, e que nos deixa próximo, já vejo nosso futuro. Te amo.
Mulher linda de Fortaleza
jóia rara do Ceará
de uma Abençoada beleza
escolhida entre todas as coisas
como o lilás do céu em degradê
assim como o azul do mar
numa tarde
e a noite um luar
em que habita
toda poesia
da morena Deusa nordestina
seu olho ilumina é pura arte
na marina
um pescador termina mais um dia
agradecendo a Deus
e nossa santa ave Maria
NO PALCO
.
Há quem diga: muito feio!
Não tive intenção agradar
Fiz por onde estar assim
Pra poder representar.
É que a arte é parte de mim
No palco...em qualquer lugar.
Na obra teatral da vida, escolhemos atuar por conta própria ou a serviço de outros.
Há também os que preferem viver alheios aos espectadores e esses escolhem não enxergar na vida uma obra tão prima assim.
Há valor no trabalho, na arte, em tudo, em todos e quem rege nossas escolhas é a consciência de cada um.
A teatralidade é um ingrediente importantíssimo na vida da mulher aventureira. O verdadeiro Cristo sabe que ela não pode ser considerada uma mulher realmente justa.
______Sim__
Tudo pode te ajudar a sobreviver e por consequência fortalecer...
Recitar todos os poemas que sabe, sentar na calçada com um amigo para jogar conversa fora, pintar um quadro com tinta guache, tomar um banho de rio, passear de bicicleta, dançar mesmo sem saber.
A arte de viver está na sutileza dos mínimos detalhes, apenas aprecie e inebrie!
Ninguém perguntou como foi o teu dia
Ninguém consegue imaginar o que passou
Sociedade má faz pessoas frias
Já pensou se os apps Compartilhassem amor?
A única coisa que sei sobre Deus é o quanto Ele desenha bem.
Desenho é uma palavra que veio do amémtim "deusenho".
Que significa "meu Deus, que maravilha desenhaste".
Dos gases às águas
Dos ares às algas
Da areia à praia
Da flor à mata
Dos peixes aos primatas
Da fome à caça
Do fogo à prata
Da fala à arte
Da roda à máquina
Do amor ao ódio
Da dor ao ópio
Sou
Transbordo a expressão do ser no tempo
Sou essa interação, esse senso
Sou essa liberdade, esse contato integrado
Escrever é ser o mais sincero na verdade das letras.
Nas frases, a sua alma.
No conjunto delas, sua dádiva.
VERSOS E AMARGURA
.
Se de mim retirassem os enganos
Em mim apenas acertos restariam
Seria um poeta de versos levianos
Que como bolas de sabão se esvaziam
Prefiro ser alguém cujas conjecturas
Correm o risco de trazer amarguras
Do que ser um ser vivo sem opinião
Prefiro que me calem com mordaças
Do que ao me ouvirem achem graça
Por repetir os gracejos da multidão.
.
Prefiro ser chamado de subversivo
Do que receber afagos dos opressores
Porque tais afagos só são oferecidos
Aos fracos em troca de favores
Com os quais traem a sua dignidade
E ganham uma falsa felicidade
Como troféu para a covardia
Prefiro ter a honra da clausura
Nos frios porões da ditadura
Do que a desonra na democracia.
.
Se de mim retirarem os versos
Ainda me restarão os pensamentos
Que voarão na amplitude do Universo
Montados nas costas do vento
E baterão à porta de Deus
Que atendendo ao apelo meu
Mandará uma forte tempestade
Formada por poesias agudas
Que caindo regarão as mudas
Que aflorarão como liberdade.
Eu não crio poesia.
Ela já existe.
Eu apenas ajeito os versos.
A poesia está no sentimento quente,
Na arte,
E no amor ardente.
SB
Quem tem boca, vaia Roma.
Conheci a cidade de: Santa Bárbara
Que coube no meu poema.
Mas eu não queria, camarada!
Cidade do requeijão.
Cautela, nem só de pão
Vive o homem.
Ouvi barrigas rugindo de fome.
Enquanto a burguesia fazia ceia.
Não, não existe amor em SB.
Eu como poeta,
Passeando por ela,
Encontrei: Poeta e Poetisa sem inspiração pra
recitar poesia.
Crianças amontoadas numa sala,
Porque sua escola tinha sido fechada.
E o professor com seu diploma na mão.
Esperando a próxima eleição.
O político Judas passando na casa do povo: abraçando e beijando,
E comprando seu voto com cesta básica, ou com um trocado.
O ferreiro, o vendedor ambulante; só ganha o de comprar o
seu pão.
O sambista com a coluna entrevada, pois não pode mais sambar.
O cantador de viola,
Agora passou a cantar arrocha.
Não encontrei um museu.
E a biblioteca que tinha, com os livros empoeirados.
Já vi que o artista nela não é valorizado,
E nem a cultura popular!
A censura aqui é disfarçada.
Fui no hospital, e vir a saúde na fila de espera.
Vi também; homens lavando carro, na beira da pista, por não terem emprego.
Na praça Donato José de Lima,
Encontrei vários artistas, vários;
Sem poderem exercer sua arte.
E esperando o São João para vê
um artista de outra cidade.
Coitada da Santa Bárbara,
Terá que fazer mais milagres.
-Agora, aonde se encontra o dinheiro público?
-Está guardado para o mês de outubro.
-Quando eu acordei, tudo isso não se passara de um sonho.
Opostos complementares feitos dos mesmos elementos
A besta, o animal, o solo, o social
Guerreiros sem armamentos
Estruturas sem fundamentos
Você me toca mas não te sinto
Eu sou encanto, mas não feitiço
Te pinto numa tela tentando te entender
Talvez as misturas de cores da tua pele me revelem a composição do teu ser
Como Dorian Gray, aprisionado num retrato
Rara beleza espontânea
Te faço em realismo e ainda sai abstrato
As cores ficam opacas a cada renascimento
Inalcançável beleza estática
Nem meu marta Kolinsky traduz seu movimento
Inesgotável fonte de arte e poesia
Não capturo sua alma
Não alcanço tuas cores
Só te pinto em fantasia.
Mocidade e textura
.
Defina bem sua necessidade
nesse tempo de pandemia
Resgatar a mocidade
e reencontrar sua harmonia
Brincar com a motricidade
lavando louça na pia
Dialogo com sinceridade
pode gerar boa polifonia
.
Não precisa reinventar a roda,
basta apenas usar de outra forma
Se tal coisa te incomoda,
lembre-se daquela norma
Nada se cria; Nada se perde
Tudo se transforma
.
Tempo de febre
alta temperatura
Tem que passar para que não se quebre
nossa linda cultura
Que como em uma pintura
lança cores com fartura
Lembro-me de partitura
ao aprender cada ligadura
.
Tem que sentir a textura
interpretando toda aquela conjuntura
Como artista cria caricatura
precisão de arte como na acupuntura
.
É preciso gerar um mundo mais honesto
levantar um único estandarte
Que leve amor em cada gesto
e difunda por toda parte
.
Sois muitos Sóis
Não pense que está sós
Somos muitos sons
Apenas reflexões
de belos sonhos bons
.
.
Cores
.
Abrindo os olhos me adianto
Olho meu teto branco
e logo me levanto
Com os pés no meu recanto
a janela destranco
.
É hora do Sol
iluminar o quarto
Esse grande farol
merecia mais um quadro
Sua luz na parede
está dentro do enquadro
Ouço depois do girassol,
na esquina do mato
Um passarinho com sede
canta com e sem bequadro
Peço que se aconchegue
no meu humilde quadrado
Se a(con)chegando o pequeno alado,
minha água comparto
Pousou ao meu lado
E pediu um trato farto
Falou sobre a família
E que chegara mais uma filha
Convidei pra se instalar,
só minhas coisas não podia bicar
Ele agradeceu
Mais tarde apareceu e me surpreendeu
Eram mais de nove,
provenientes da mesma impressora
Não tem quem reprove
aquela galera promissora
Todos na cor laranja
e qualquer música, aquele grupo manja
.
Hoje foi cantado
o caminho trilhado
Disse que os certeiros raios solares
aqueles per-feitos sem esquadro
Tocam ventos polares
daquele lugar gelado
Mas não é suficiente
pra deixar o ninho quente
E ele, o pequeno alado,
buscou novos lugares
Provou novos sabores, viu novas cores,
Conheceu outras flores... sentiu novos ares!
.
E como se eu
fosse enviado por um santo
Mais uma vez me agradeceu
por ouvir seu canto
e lhes dar um lindo canto
Falei que não era pra tanto,
ver eles felizes e livres
já me traz encanto
.
.
O Bailarino
Suave momento de meditação.
Preparo para o início dos movimentos.
Solta no ar o som do violino.
Fecha os olhos. Passa pela mente um sentimento de paz.
Estira o corpo. Esguio. Ponta dos pés elevados. Movimentos lentos e leves. Acompanham o som do instrumento.
Leveza. Delicadeza. Corpo em ação. Passos para direita, pés firmes, gira pelo chão espelhado do palco.
Representar impecável. Arte. Perfeição.
Todo corpo em sintonia. Com o som vibrante.
No momento. Visualiza outros movimentos para seguir.
Dentro do próprio ser. Lembranças. Passado. Presente.
Futuro? Acelera mais os passos flutuando levemente ao som ...
Lágrimas escorrem à face. Curva a cabeça para baixo. Eleva a perna para trás.
O público julgando. A arte? O Bailarino? O espetáculo?
Finaliza. Deitando-se ao piso. Puxa uma pistola discretamente.
Com as mãos firmes. Leva até a cabeça. Aperta o gatilho.
Entre a plateia. Ouve se um alto estampido.
Oh! Gritou uma senhora ao final da cena.
Fecham se as cortinas.
FIM
