Podem Torturar meu Corpo
Sem nada saber
cheguei ao mundo em versos e alma
descascando palavras do meu ser
como se a vida fosse
fatias e gomos de poesia
mas sei que vou partir
desfolhando-me sementes de saudade
sem saber por certo
se eu me escrevo ...
me leio ...
ou se sou analfabeta.
Eu me lembro de meu pai consertando coisas velhas
Ele ficava por horas a fio arrumando cadeiras, pequenos objetos
Quando ia tratar de seus passarinhos, fazia isso como num ritual:
Assoprava o alpiste, trocava a água, limpava o fundo da gaiola
Cuidava das coisas com um desvelo que não existe mais
Quando eu era criança era ele que desembaraçava os meus cabelos
Eu devia ter uns cinco anos e o meu cabelo chegava na cintura
Mecha por mecha, ele ia enrolando os cachos
Nem sei se gostava de fazer isso
Mas era ele quem fazia
Era ele quem cuidava de seus filhos...
Meu pai falava pouco
Mas era sempre um bom exemplo
Era justo, correto e honesto
E tratava a minha mãe com um respeito que eu nunca mais vi
Usava calças sisudas e camisas engomadas
Seu cabelo estava sempre impecável
E seu rosto lisinho
Caminhava com as mãos para trás
E eu às vezes faço isso
Mesmo sem me dar conta
Na quadra J o corpo do meu pai foi enterrado quando ele morreu
Mas o meu pai, meu pai mesmo ainda está vivo
Toda vez que eu olho para aquela sanfona que ele tocava
Toda vez que eu ouço "Saudades de Matão"...
Penso
E o meu pensamento
Se eleva até o firmamento
Mas num momento,
Penso que tudo vai se acabar
E quando acontecer vou chorar
Tanto, mas tanto
Que onde eu estar
Vai virar água do mar
E eu cada vez mais definhando
Cada vez mais me transformando
Num mosquito
E então pousar
Sobre os meus restos mortais.
Meire Moreira
Desenhei um mapa
Do meu coração
Fiz estradas, caminhos, atalhos
No final, ficou bonito
Só não tinha me dado conta
Que os caminhos que tracei
Levavam todos
A você.
Quero trazer você para o meu mundo
Ou entrar no seu
O que for mais difícil
E complicado
Quero domar a fera que existe
Nessa quimera
Vou traçar meu plano de conquistas
Invadir seu reino
No meu cavalo alado
Quando eu chegar se apresse
Toque o sino da campana
Mande cobrir o caminho de flores
E recite um madrigal
Não tema parecer bobo
Na minha corte
Mas fuja se acaso
A realidade nos acordar
No dia seguinte.
Quando for tempo,
traz teu abraço,
junta-o todo calor
ao meu peito frio,
aquece-o em brasa,
toma dele o coração
que agora revive
para viver no teu.
Aviso aos navegantes:
Não posto nada para polemizar.
Coloco aqui, no meu mural, apenas ideias, pensamentos, e coisas que me ocorrem.
Ninguém é obrigado a concordar. Não preciso de ecos da minha voz, afinal cada um tem seu direito de pensar diferente.
Mas não venha discordar de mim no meu mural. Vá lá no seu desabafar.
Eu acredito na pluralidade de opiniões e até na sua riqueza. Vejo com bons olhos a coragem em defender o próprio ponto de vista. Eu mesma sou assim. Mas não vou no mural alheio para desopilar meu fígado. Guardo as minhas discordâncias para mim. Quando muito, arrisco uma ou outra opinião em páginas públicas. Se é publicação aberta, também está sujeita a inferências alheias. A elegância digital não me permite mais do que isso. Eu respeito o espaço alheio como se fosse a casa de alguém. Não levo para lá os meus objetos de decoração.
Não se julguem tão importantes assim. Na maioria das vezes eu não estou mandando indiretas para ninguém. Mas é só eu atirar e tem gente correndo na direção da minha bala.
Keep calm, folks.
Eu não autorizo o Mark Zuckerberg entrar na minha casa, abrir minha cabeça e comer meu cérebro com uma colher.
Obrigada Deus por meu cabelo ainda não ter aprendido a matar, porque desde criança eu ouço que ele é ruim.
Quando meu filho sai de viagem pelo mundo buscando aventuras, coisas e sentimentos
Quando meu filho sai pelo mundo com destino definido ou sem destino nenhum
Quando meu filho cheio de coragem e às vezes cheio de medo enfrenta a doçura e amargor de tudo ao seu redor
Quando meu filho montado em seu cavalo de ferro atravessa as fronteiras dos lugares e das barreiras impostas por um mundo demarcado pelo receio, pela angústia e pela incerteza
Meu filho ao sabor do vento morde o mundo como uma maçã
Observa o nascer do sol e depois o ocaso
Se deita em camas desconhecidas e faz sua refeição ao lado de estranhos
Quando meu filho vestido na sua roupa preta de super-herói
Me enche de pavores e de temores e calafrios
Sacode o meu coração e me faz lembrar que viver é a soma de todas as coisas possíveis e impossíveis
Quando ele me lembra que a vida precisa ser domada domesticada adestrada
Mas acima de tudo desfrutada
É quando ele me ensina a mais preciosa das lições entre mãe e filho:
Ele pertence a si mesmo e não a mim
Que ele sempre terá um lar para voltar mas isso não significa que ele precise ficar
Que amar acima de tudo é alegremente balançar entre o abismo e a firmeza do chão.
Meire Moreira
Quando meu desencarne acontecer:
Favor não me enviar rosas...
Prefiro flores do campo, mas que elas fiquem no campo e no Jardim..
Quando meu desencarne acontecer:
Me diga adeus em silêncio
Quando meu desencarne acontecer:
Não me exponha nas redes sociais
Sinto muito, mas não sinto mais nada.
E nessa angustia sentida em meu coração
Como se me cortasse a alma em pedaços
Vou tentando juntar palavras para escrever
Sinto meus olhos quase a chorar.
Naquele momento em que todo meu amor não valeu de nada
Busquei forças para não chorar
Mas no peito coração aos berros a gritar.
Querendo um abraço, um pouco de carinho
Ouvi sua voz dizendo:
Vai embora.
Meu pensamento é um ato de resistência estética, filosófica e política. Portanto, não seria natural esperar aplausos imediatos. Ou buscá-los num tempo vindouro que repetisse o passado.
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