Platao - Apologia de Socrates
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O gosto de contentar um amigo é um demónio tentador.
Torna-se indispensável manter o vigor do corpo, para conservar o do espírito.
Uma grande reputação é talvez mais incômoda que a insignificância pessoal.
O interior das famílias é muitas vezes perturbado por desconfianças, ciúmes e antipatias, e enganam-nos as aparências de satisfação, calma e cordialidade, fazendo-nos supor uma paz que não existe; poucas há que ganham em ser aprofundadas.
Os filhos seriam, talvez, mais caros a seus pais e, reciprocamente, os pais aos filhos, sem o título de herdeiros.
Todos se queixam, uns dos males que padecem, outros da insuficiência, incerteza, ou limitação dos bens de que gozam.
Os moços de juízo honram-se em parecer velhos, mas os velhos sem juízo procuram figurar como moços.
Os que não sabem aproveitar o tempo dissipam o seu, e fazem perder o alheio.
Na admissão de uma opinião ou doutrina, os homens consultam primeiramente o seu interesse, e depois a razão ou a justiça, se lhes sobeja tempo.
A dialética do interesse é quase sempre mais poderosa que a da razão e consciência.
Existem a beleza que excita, a que comove e a que satisfaz: a melhor é a última.
Os homens fingem desinteresse para melhor promoverem os seus interesses.
Um empreendimento imagina-se e começa-se com facilidade; mas na maior parte das vezes sai-se dele com dificuldade.
Nos nossos revezes, queremos antes passar por infelizes, do que por imprudentes, ou inábeis.
O luxo, assim como o fogo, tanto brilha quanto consome.
Os defeitos de quem amamos, devemos vê-los com os mesmos olhos com que vemos os nossos.
Não há pai nem mãe a quem os seus filhos pareçam feios; nos que o são do entendimento ocorre mais vezes esse engano.
Lamentamos sempre aquilo que damos aos maus.
Amar a dor é tentar Deus.
Desprezos há, e de pessoas tais, que honram muito os desprezados.
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