Pessoas Sábias

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O que é um rebelde? Um homem que sabe dizer não.

Albert Camus

Nota: O Homem Revoltado

⁠O sofrimento nunca é provisório para quem não acredita no futuro.

Existe apenas um único problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida significa responder à questão fundamental da filosofia.

Mas, no final, é preciso mais coragem para viver do que se matar.

Albert Camus
A morte feliz (1971).

Não há grandes dores, nem grandes arrependimentos, nem grandes recordações. Tudo se esquece, até mesmo os grandes amores. É o que há de triste e ao mesmo tempo de exaltante na vida. Há apenas uma certa maneira de ver as coisas, e ela surge de vez em quando. É por isso que, apesar de tudo, é bom ter tido um grande amor, uma paixão infeliz na vida. Isso constitui pelo menos um álibi para os desesperos sem razão que se apoderam de nós.

Eu costumava anunciar a minha lealdade e não acredito que haja uma única pessoa que amei e não tenha, eventualmente, traído.

"A necessidade de ter razão: sinal de espírito vulgar."

Compreendi que não bastava denunciar a injustiça. Era preciso dar a vida para combatê-la.

E nunca me senti tão profundo e ao mesmo tempo, tão alheio de mim e tão presente no mundo.

A fim de compreender o mundo, você tem de se afastar dele ocasionalmente.

Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio. Julgar se a vida merece ou não ser vivida é responder uma questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois. Trata-se de jogos; é preciso primeiro responder. E se é verdade, como quer Nietzsche, que um filósofo, para ser estimado, deve pregar com o seu exemplo, percebe-se a importância dessa reposta, porque ela vai anteceder o gesto definitivo. São evidências sensíveis ao coração, mas é preciso ir mais fundo até torná-las claras para o espírito. Se eu me pergunto por que julgo que tal questão é mais premente que tal outra, respondo que é pelas ações a que ela se compromete. Nunca vi ninguém morrer por causa do argumento ontológico. Galileu, que sustentava uma verdade científica importante, abjurou dela com a maior tranqüilidade assim que viu sua vida em perigo. Em certo sentido, fez bem. Essa verdade não valia o risco da fogueira. Qual deles, a Terra ou o Sol gira em redor do outro, é-nos profundamente indiferente.

Viva até às lágrimas.

Toda a infelicidade dos homens provém da esperança.

Para um homem que não trapaceia, o que ele acredita ser verdadeiro deve determinar sua ação.

Corajosos, despreocupados, escarninhos, violentos, assim nos quer a sabedoria, ela é mulher e só ama quem é guerreiro.

Albert Camus, que com Nietzsche e Dostoiévski, formavam uma trindade de existencialistas (ou pré) que, estudantes, gostávamos de ler ou de dizer que líamos, nasceu no dia 7 de Novembro de 1913, um dia depois de Gandhi ter sido preso na África do Sul, quatro anos precisos antes de Lenine depor Kerenski, na Revolução que para o calendário ortodoxo (juliano) foi em Outubro.

Camus, no estudo da Filosofia/Teologia, era um existencialista aberto, não-cristão, ao contrário de Gabriel Marcel ou Karl Jaspers, mas representando um humanismo ateu dialogante, diferente do de Sartre.

A tese de doutoramento de Camus foi sobre Santo Agostinho. Nobel da Literatura em 1957 (três anos antes de morrer), escreveu “O estrangeiro”, “O mito de Sísifo. Ensaio sobre o absurdo”, “A peste”, “O homem revoltado”, entre outras obras.

Como isto anda tudo ligado, li ontem em “A Vertigem das Listas” (p. 309-310):


Eu lembro-me de que o protagonista de “O Estrangeiro” é Antoine (?) Meursault: foi frequentemente observado que ninguém se recorda do seu nome.

"Ninguém erra por si só, apenas repete o erro dos outros."

Aos que falam o que pensam pensem em calar-se e serás sábio.

Eu li muitas coisas bonitas em Platão e Cícero, mas nunca esta: vinde a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados.

A morte é coisa terrível para Cícero, , desagradável para Catão, indiferente para Sócrates.
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