Pescar
RECORDAÇÃO DO MEU TEMPO NO SERTÃO
Versão Urbana ou Pardal
Eu já fui Curió,
Que só vive no mato,
Não vive na cidade.
Hoje sou Pardal,
Que não vive no mato,
Só vive na cidade,
Por circunstâncias,
Ou por necessidade.
Acho que sou um Curial,
Mistura de Curió com Pardal.
Acho que sou um Pardió,
Mistura de Pardal com Curió.
Como não consigo definir,
Deixa assim que é melhor.
Vez em quando dói o coração,
Na cabeça vem recordação,
Do meu tempo no Sertão.
Quando não aguento a saudade,
Junto vara de pesca e carabina,
Deixo a cidade e vou pro sertão,
Pescá recordação e matá saudade.
Minhas filhas me dão tanta alegria,
Enviando fotos e vídeos de pescaria,
Ver os nétos aprendendo a usar vara,
Prá pesca lambari, bagre, lobó, piapara...
Não importa tipo e modelo de vara.
Nem espécie e tamanho de peixe,
Mas só a alegria de pescar,
Escutando seus pais falar:
Sobre catar e chupar guavira,
Guabiróba, guapeva, jaracatiá,
Coquinho pindó, macaúba, bocajá,
Comer marolo, goiabinha do campo,
Comer ariticum cagão,
Pouco prá não dar diarréia,
Comer jabuticaba do mato,
Pouca prá não entupir,
Tirar palmito, mel de európa e jatei...
Essas e muitas coisas que eu vivi...
Por isso é tanta recordação...
Quanta saudade do sertão...
Saudades dos parentes,
Povo bom e boa gente,
A grande maioria vivia,
Em sítios e fazendas,
Dentro dos sertões.
Longe das cidades.
Tantas recordações,
Quantas saudades...
Marsciano
A pessoa generosa
nem liga em contrariar
uma sentença contida
num ditado popular:
pois além de dar o peixe,
também ensina a pescar.
O homem que não tinha nada
O homem que não tinha nada acordou de manhã deitado ao chão, pois não tinha cama
Ele não tinha nada, então não tinha preocupações
Deu um beijo na mulher e nas crianças, prometeu para casa voltar antes da fome delas começar
Saiu para caçar e pescar, não tinha nada, mas tinha força e uma família para alimentar
Pegou sua lança e se lançou no mar
Ele agora tinha paz, com sua pequena jangada
na água solitária, gelada e salgada do mar
Seu dia foi dedicado à pesca, foram peixes de todas as espécies e tamanhos
Mas enquanto andava de volta à casa com seus peixes em cestos feitos à mão, apareceu outro homem que não tinha nada
Esse tinha não só fome, mas raiva
Houve uma briga, um defensor e um atacante, uma luta pelo mais importante
No final, o homem que não tinha nada agora não tinha mais peixes, nem vida
O outro homem que não tinha nada não tinha mais fome, mas este, daqui algum tempo, deixaria mais uma família sem nada, e o ciclo se repetiria outra vez.
