Pés
Em Roma, acorrentaram os pés e as mãos de Paulo. Mas esqueceram que correntes não alcançam o coração. E o amor dele pelas almas seguia livre.
O mentiroso diz "Eu vou":
Mas os pés ficam.
Diz "Eu farei":
Mas as mãos mentem.
Fala com a boca,
Nega com a vida.
17 de julho de 2025
Hoje minha esposa me pediu, com tanto carinho, que eu lavasse os pés dela.
E eu não pude dizer não.
Nem todo homem tem o privilégio de servir uma princesa.
Eu tenho.
Assisto pacientemente o passar do mundo, refletia o sapinho mochileiro Gabiróba. Cores coisas e pessoas vejo, de tudo aprecio cada momento, apertado irrepreensivelmente no meu peito, de ti, pessoa linda, fica o desejo, Uma palavra, um gesto, um sinal bastava; que me importa o mundo, a sociedade e seus códigos? Se meu coração por ti já se corrompeu, um olá, um aceno, uma imagem sem perfume, faz verões terríveis no corpo meu; Poesias contam glórias de navegações e descobrimentos, a intensidade é palco e cada momento é o bastante, é suficiente para essa nossa vida de ilusões, eu sou muitos poetas ao mesmo tempo, e tua existência são as flores da minha razão.
"O verdadeiro líder não teme o brilho de ninguém; ele acende novas luzes para que outras pessoas também possam iluminar o caminho."
Mantenha o foco, os pés no chão, a cabeça erguida olhando na direção, sem desviar o alvo do objetivo.
"Se queres colher bênçãos no futuro, qando os nervos tremerem e seu pés cansados já não suportarem mais seu corpo, planta hoje enquanto ha tempo, sendo exemplo para teus filhos, e tuas gerações, prefira futuramente ser reconhecido pelo exemplo, do que por obrigação ou solidariedade".
Tenho um particular interesse nas minorias, e no caso do espectro do transtorno autista TEA, que pesquiso a vários anos, tenho um maior interesse nas entrelinhas da ocorrência em meninas e adolescentes, e subseqüente nos casos femininos. Um dos casos, que acompanho a mais de 10 anos, é o da "Julia" , e com ele, sua rotina e defesas, descortinou algumas das maiores explicações sobre o autismo. Desde cedo ela tinha preferencias fixas sobre alguns assuntos e objetos, por mais que tentávamos expandir para outros temas ela inconscientemente voltava para os antigos. Pela simples razão de serem mais seguros e não oferecerem novas explicações. Esta dificuldade em ousar, sempre me chamou muito a minha atenção. Mas hoje, tem mudado.
Olhar para o céu faz lembrar
que os pés estão presos à terra.
No Hemisfério Celestial Sul
é chegado o solstício de inverno,
e te habitar é o que mais quero.
Do meu território para o seu,
conhecer as rotas para habitar
na tua pele tem sido mistério.
Condor só voa com Condor,
e juntos ganham o universo.
O que é feminino e masculino
estão com as suas oferendas
sob a mesa, para reverenciar
a Pachamama e o Tata Inti:
é chegado o dia de Willka Kuti.
Observar o tempo astronômico
faz com eu me semeie, regue
cresça e crie raízes em você;
sem absolutamente nada temer,
faça noite ou dia, amar é viver.
Noites de verão
sob a Via Láctea,
nos aproximarão.
As ondas do mar
os pés acariciarão,
e as palmeiras
nos reverenciarão.
Nas tuas mãos
macias e solares,
estarei nos teus
paradisíacos lugares,
e você nos meus,
nós em encaixes.
Com água de coco
e nossos beijos:
as sedes cessarão.
O amor e a paixão
as apostas dobrarão.
Não temer nenhum risco,
num lugar secreto
de ser o universo,
e com os dois pés na terra,
com o peito aberto.
Assumir de tudo
um pouco, sem reserva,
e entre dois mundos —
selar a convergência
com lábios mudos.
De um pacto semeado
sem nenhum pleonasmo,
arcando ser de um
jardim oriental:
todas as frutas
mais doces e macias
para alimentar,
com delícias infindas,
a sua liberdade
de tão linda ave.
Com os pés descalços
nas brancas areias,
Com você no coração
navego em poemas.
(Sem testemunhas,
sem preocupações ou teoremas).
Saboreio os teus beijos
a teus pés de joelhos,
No teu peito semeio
um vendaval profundo,
Onde ali permaneço,
e o meu reino estabeleço.
Tudo o quê você quiser
também hei de querer,
Romance nascido austral
não há mais regresso,
Não há de ser distante,
pois está em nossas mãos.
Desde que a CBF passou a pensar com os pés, nossos futebolistas já não usam nem eles, nem a alma, nem a cabeça.
E isso é tão provocativo quanto uma bicuda do meio de campo, mas toda provocação nasce da inquietação diante de uma realidade que insiste em se repetir.
O futebol brasileiro, que durante décadas encantou o mundo pela criatividade, pela inteligência e pela irreverência, parece ter trocado a ousadia pela burocracia, a inspiração pela previsibilidade e a identidade pela conveniência.
O futebol nunca foi só um mero esporte para o Brasil.
Sempre foi uma manifestação cultural, uma linguagem natural.
Cada drible era um ato de liberdade, cada passe revelava inteligência, cada gol carregava a alegria e a esperança de um povo que transformava dificuldades em espetáculo.
Mas, em algum momento, essa essência começou a flertar com agendas ocultas pelos corredores do poder.
Quando quem dirige o futebol demonstra falta de visão, planejamento e compromisso com um projeto de longo prazo, essa pobreza de ideias inevitavelmente chega ao gramado.
Jogadores passam a executar mais do que criar, obedecer mais do que interpretar o jogo.
O improviso deixa de ser virtude para se tornar risco, e o medo de errar sufoca a coragem de tentar.
Os pés, antes instrumentos da genialidade, tornaram-se mecânicos.
A cabeça, que fazia do improviso uma estratégia, passou a seguir fórmulas prontas.
E a alma — aquela chama que transformava partidas comuns em momentos inesquecíveis — parece ter sido deixada para trás, substituída por um futebol eficiente apenas na aparência, mas incapaz de emocionar.
Não faltam talentos ao Brasil.
O que falta é uma direção capaz de compreender que o futebol não se resume a números, esquemas táticos ou interesses meramente políticos.
Grandes jogadores precisam de um ambiente que estimule a inteligência, preserve a criatividade e respeite a personalidade de quem entra em campo.
Afinal, o futebol sempre exigiu pés habilidosos, mas jamais dispensou uma cabeça pensante e uma alma apaixonada.
Perder faz parte do jogo.
O que não pode fazer parte da nossa história é perder a identidade.
Porque títulos podem voltar, como tantas vezes voltaram.
O que será muito mais difícil recuperar é aquilo que fez o mundo olhar para o futebol brasileiro com admiração: a capacidade de jogar com alegria, pensar com inteligência e competir com coragem.
Enquanto a gestão continuar tropeçando nas próprias escolhas, continuaremos produzindo um grande paradoxo: um país que revela alguns dos maiores talentos do planeta, mas que insiste em desperdiçá-los por falta de direção.
E talvez seja esse o retrato mais triste do nosso futebol: não a ausência de craques, mas a escassez de ideias.
Porque, no fim das contas, quando quem deveria pensar passa a fazê-lo com os pés, sobra aos que jogam apenas correr.
E um futebol que deixa de usar os pés com arte, a cabeça com inteligência e a alma com paixão pode até vencer de vez em quando, mas jamais voltará a nos encantar como antes.
Enquanto
a FIFA pensa com os pés, os Futebolistas
não usam nem eles
nem as cabeças.
Quando o jogo passa a ser administrado mais como produto do que como arte, algo essencial começa a se perder.
O futebol, que nasceu da improvisação, da inteligência do corpo e da astúcia da mente, lentamente vai sendo comprimido em protocolos, métricas e decisões tomadas aos pontapés longe do gramado.
Quanto mais a engrenagem institucional tenta controlar o jogo, menos espaço sobra para os jogadores pensarem dentro dele.
Há uma ironia quase perfeita nisso: quando quem governa o futebol passa a “pensar com os pés”, transformando tudo em espetáculo coreografado, calendário saturado e regra calculada para o consumo, os protagonistas do campo acabam sendo treinados para obedecer mais do que para interpretar.
A criatividade cede lugar à execução mecânica; o gesto genial vira exceção, quando antes era linguagem.
O futebol sempre foi uma conversa entre pés e cabeça — entre instinto e inteligência.
Quando uma dessas partes é silenciada, o jogo continua existindo, mas algo de sua alma se dissipa.
A bola ainda rola — e até grita —, os estádios ainda vibram, os números ainda crescem.
Mas, pouco a pouco, o jogo deixa de ser pensado por quem joga e passa a ser apenas executado por quem mal assiste.
E talvez o sinal mais evidente disso seja quando os jogadores correm cada vez mais… enquanto o futebol parece pensar cada vez menos.
Desde que a FIFA passou a pensar com os pés, a torcida com as cabeças dos outros, nossos futebolistas já não usam nem eles, nem a cabeça.
Talvez o problema nunca tenha sido exatamente o futebol, mas o que fizemos dele.
Um jogo que nasceu como expressão espontânea de corpo, inteligência e improviso foi sendo lentamente capturado por interesses que preferem o automático ao criativo, o previsível ao genial.
Pensar com os pés, nesse contexto, deixou de ser metáfora poética da habilidade e virou sintoma de uma inversão: decisões tomadas longe do campo, desconectadas da essência do jogo.
A torcida, por sua vez, que antes era extensão pulsante da arquibancada, passou a reproduzir discursos prontos, terceirizando até suas próprias emoções.
Já não se vibra apenas pelo que se vê, mas pelo que se manda sentir.
E quando a emoção deixa de ser autêntica, ela facilmente se transforma em massa de manobra — barulhenta, intensa, mas pouco consciente.
E os jogadores?
Esses parecem cada vez mais pressionados a cumprir roteiros invisíveis.
Entre contratos, estatísticas e expectativas infladas, o improviso — que sempre foi a alma do futebol — vai sendo sufocado.
Jogar com a cabeça, no sentido mais nobre, exige liberdade para pensar, arriscar e errar.
Mas, em um ambiente onde o erro custa caro demais, a criatividade se torna um luxo perigoso.
No fim, talvez estejamos todos participando de um jogo que já não reconhecemos completamente.
Um jogo onde se corre muito, fala-se demais e pensa-se de menos.
E aí, ironicamente, aquilo que sempre nos encantou — a inteligência que nasce do corpo em movimento — vai sendo substituído por uma coreografia previsível, eficiente… e cada vez menos humana.
