Perdi um Sorriso
Um dia Deus fez vários mundos
Cobriram o nosso com lona
Todo dia agora é circo
Eu fico aqui da plateia
Sem ter a pálida ideia
A quem devo aplaudir primeiro
Eu olho a cena como um todo
E a mim mesmo como um tolo
Apenas a qualidade da luz varia
Pois o tempo torna o brilho fosco
Tentei escrever poesia
Sem querer falar de amor
E nem nada que fosse assim
Tão tosco
Com todo respeito
Ao palhaço que um dia fomos
Não há mais espaço pra riso
Só máscaras e máscaras
de caras bonitas e gentes ruins
e trapezistas e gente que come fogo
Por causa do aplauso do mundo
Tão cansado de não rir
Logo ... eu faço questão de aplaudir.
Edson Ricardo Paiva.
Se fosse apenas
O lançar um olhar ao mundo
Mas tem sempre alguma coisa a mais
Uma espécie de indiferença velada
A pergunta que germina da resposta
Quantificada na imensa quantidade
das eternas reticências
Que cada um de nós a guarda
Em silêncio profundo
Que diz que não vai dizer mais nada
Pois o mal não vem daquilo que faz mal
Ele só reage de maneira diferente
de gente pra gente, quaisquer sejam elas
Eternizando a alguma coisa
Que não encaixava e não cabia
e sabia que estava lá
Igualando desiguais, tem sempre algo mais
No invisível voo da Quimera
Flutuando em seu mais baixo nível
Te aguardando, sem demonstrar jamais
Que mais e mais ela te espera
O que conta é o que tivemos desde sempre
Escondido e sem fazer ruído
Em algum lugar dentro de nós mesmos
E que a gente morre
Sem nunca saber o que era.
Edson Ricardo Paiva.
Era quase que assim
Um leve tremor de terra
Prenuncia o apito do trem
Só que quase ninguém percebia
O sermão durante a missa
A igreja tão cheia
E quase ninguém ouvia
Quanto ao resto da vida
Não o sabe até hoje
Da secura na boca
Calma, aguda, iludida
Muda algia rói alma
Carece de companhia
Um tanto menos pernóstica
Só fantástica e desabrida
O contrário
Era um jeito de olhar o Céu
Enxergar nele a vida
Um tanto profunda
e de olhar esquecido
Quem lhe visse podia jurar
Era antes pequeno desejo
Jamais um pedido
A vida meio vazia
A outra metade era vida
No outro dia tanto faz
A semente bem regada
Cuidada por cuidar
Pois de lá não saia nada
Assim era tudo
Enfim, um saber calado
Um verso oculto
Cujo vulto do tempo
Escreveu apressado
Se está fora de lugar
O correto é cair
Equilíbrio é o silêncio que faz
A vidraça parecer escura
A paz que precede a chuva
Sempre que a chuva vem
A água evapora
A alma cura
Entretanto ela chora
Tempestade, água turva
A curva do rio, a lagoa
Fatalmente o ponteiro, a hora
Por ora, balaio no chão
Canta muda
A canção silenciosa
E somente o coração escuta
Roupa suja, varal
Ensaboa um sinal da vida
Outro aceno do mundo
Desalento um segundo
Quando meio segundo
é momento
A saber
Água limpa
Não lava alma turva
Acredite em não crer
O saber de cada receio
Escondido em gavetas
Espalhado pelo imenso mundo
Se contar nos dedos
A qualidade de tantos medos
Reais e de faz de conta
Um mais um, às vezes são dois
Mas, de vez em quando, não
É aí que mora a diferença
Entre pensar
E pensar que pensa
Olhar e saber na hora
Àquilo que vem
Sem demora.
Edson Ricardo Paiva.
A vida da gente
É um labirinto
Que pode ser que seja breve
E pode ser que o veja imenso
Mas é tudo ilusão
Penso que há
Quem tenha passado por ele
Na desenvoltura de um sonho leve
Há quem o apenas transforme
Numa enorme moldura de espelho
Sem noção do próprio orgulho
Pra ver a si mesmo perdido
A vida pode ser um Céu
Repleto de ventos mornos
Carregado de estrelas brilhantes
Pode ser um jornal que se lê
Simplesmente um tribunal
Repleto de juízes, cadafalsos
Um estábulo, um patíbulo
e acusações sem perdão
Ou então pode ser que seja
Um lindo jardim florido, onde há Sol.
Um pasto de capim a ser comido
Uma cama sem lençol
Um bornal de mau-caratismo
Um abrigo, um abísmo
Um vasto caminho
Onde estamos todos perdidos
Eu, buscando alguma saída
Enquanto a minha própria vida
Simplesmente espera por mim
Porém, num ver mais profundo
Ninguém vive mais que uma vida
A vida é vivida no mundo
O mundo uma estrada
A estrada uma esfera
A vida é uma espera
Onde nada, absolutamente nada
Um dia não chegue ao fim.
Edson Ricardo Paiva
A vida, aqui neste mundo
É tão minha, quanto a tia Sarah
Em um antigo álbum de figurinhas
Por mais eu a quisesse
Jamais pude achá-la
Assim a vida caminha
Aquilo que hoje não tem
Amanhã não há diferença
Se tinha ou não tinha
O ponteiro do relógio na parede
Mente
E mente mesmo quando
Não diz nada
Cada hora vivida é uma ilusão
Que a gente a pensa vivida
Mera imagem de espelho
Que a mente projeta
Essa gente, meramente abjeta
Moldura iludida, que longe se vê
A pintura, a caravana e o deserto
Se olhar a areia mais de perto
No reflexo, um Oceano de Estrelas
Convexo e cediço, cujo olhar carrega
Em sua esteira
A vida verdadeira
Inteiramente não passa
Mera entrega pra um mundo de sonhos,
Mesmo a quem
Se nega a vê-la assim e perceber
O feitiço do tempo
Eternamente irritadiço,
E que também não vê
A menor graça em tudo isso.
Edson Ricardo Paiva.
Cada dia na vida
É um dia que se vai
Na noite, perdida
Esquecida
de viver a vida
Essa gente meramente
Pensa em pensar que pensa
E tão intensamente não pensa
Que a vive propensa em longe vê-la
Trazendo nas mãos
Uma enorme porção
de nada, algo disforme
Não sacia a sede
Insaciada fome
A mente vazia
Pensa linda a cena
Sentindo-se plena
Em contato
Com gente pequena
Cuja mente
Mais vazia ainda.
Edson Ricardo Paiva.
"Se um pobre pode sentir-se rico
Sabe ser mais rico que um rei que não sente nada"
Edson Ricardo Paiva.
Pterodactilia.
Era doença sem nome.
Uma crença que não tinha um credo.
Era Deus a fazer poesia
Daquelas que o tempo não leva
Tão belas, que leva muito tempo
Para lê-las todas
Um meio-dia infinito
Era um minuto na eternidade
Mas o vento
Sempre as levaria
Pra lugar distante
Pois, diante de força tamanha
A existência do Universo
É breve
A verdadeira força do vento
Se esconde
No ato de soprar de leve
E sem pressa
Transformando
A mais alta montanha
Em algo leve
Em algo que o vento leve
Tão depressa quanto a vida
Era a pterodactilia de Deus
Doença de fazer
Versos
Poesias
Universos
Fazendo-as parecer
Um pensamento esdrúxulo
E em meio a tudo isso.
Durante o correr de Eras
Saber que era o mundo inteiro
Alguma coisa que coubesse
dentro de um cinzeiro
E sobraria espaço
Era somente questão de espera
Outra parada em qualquer estação
Escrito e previsto
Que o começo e o fim
Se encontram num lugar comum
Num ângulo
de trezentos e sessenta graus
Vai e volta e se consome
E assim bem e mal se vão
Todo lugar é um lugar qualquer
E qualquer lugar é lugar nenhum
Aquilo que ontem era tudo
Desaparece em movimento mudo
Em questão de momento
O vento leva
Até mesmo o sinal de igualdade
E tudo acaba
Sendo eternamente igual
Não se divide o invisível
Em partes iguais
Ponto final
Nada mais.
Edson Ricardo Paiva.
Quando é noite
O Sol do outro lado da rua
Escreve um recado na Lua
E me diz que pode haver
Outros Sóis mais brilhantes
Mas que o Sol menos distante
Brilha mais
Tem noites em que a voz do vento
Diz tanto
Quanto todas as vozes juntas
Mas, se alguém quiser entendê-la
É preciso um coração calado
Pois o silêncio já sabe as perguntas
E as melhores respostas
Serão sempre insatisfatórias
Quando a mente brilhante
Se encontrar brilhantemente
Abastecida dos melhores ventos
A noite mais escura
É sempre aquela
Que permite conhecer
A paz que emite
Simples, singelamente
A voz da vela
É preciso um pouco mais
Pra tentar ouvir o que ela fala
Perceba que em noites assim
Mesmo a luz da maior estrela.
Humildemente se cala.
Edson Ricardo Paiva.
Este mundo é um lugar
Onde as coisas, de vez em quando
Fazem sentido
Basta olhar
Que quando não se entende um olhar
Não adianta dizer palavra
E mesmo assim
A gente as escreve
Pensando que assim
Pode ser que lá no fim do mundo
Pode ser que lá no fim da vida
Deve ter algum sentido pra tudo isso
Senão não teria um motivo qualquer
Nem sequer pra ter nascido
Neste mundo
Um lugar onde as coisas
Normalmente fora de lugar
Aguardando arrumação
Que a gente quase nunca
Encontra tempo suficiente para fazê-la
É triste, é muito triste
Quando se percebe, que fatalmente
Mesmo assim
Há de se ouvir um sentido
No ruido que vem das estrelas
Mudas, perenemente mudas
Meus Deus
Este mundo precisa é de ajuda.
Edson Ricardo Paiva.
Carta de um jovem Socialista de IPod ao Universo
(Universo que termina no outro quarteirão)
Muito bom dia
Amigo prisma
Eu gostaria de pedir-te
Que tu deixasses de causar
A divisão entre as cores da luz
Pois essa espécie de cisma que promoves
Causa arco-íris nos Céus
E tem atrasado em muito a fotossintese
Assim penso eu, cá do meu lado
Preocupado com as flores
Que adoecem, quando chove
Essas precipitações pluviais
Tem molhado demais
A fantasia que desconheço
de carnavais de outros dias
Umedece-me a alegria
Causa-me revolta
Enquanto vivo
Essa imensa ausência de motivos
Pra revoltar-me com a vida real
Enquanto internauta da vida
Compreendo que o mundo lá fora
Tem dado azo à mágoas
Tirado-me as asas ao pensamento
Logo eu, que a todo momento
Tenho ideias aladas
Eu tenho a imaginação iluminada
E a interferência do prisma
Na luz dos meus pensamentos
Não tem me ajudado em nada
Eu compreendo o sentido da vida
E sei que o ciclo da água se resume
A telefonar pro motoboy
Que traz em casa outro galão
Por isso a chuva não se justifica
Minha cabeça pensa
E eu sei exatamente onde a comida nasce e fica
O lugar mais indicado é na despensa da cozinha
Outrossim eu solicito à gravidade
Que deixe também de impor
A tua lei e influência sobre mim
Pois eu não sei onde este mundo vai parar
Só sei que junto eu não quero ir
Outro importante assunto
É pedir ao papai, que faça chover pra cima
E dizer à mamãe, quando voltar do cafezal
Que o bicho papão ainda tá lá em cima do telhado
E já faz quase trinta anos
Que não me deixa dormir sossegado.
Edson Ricardo Paiva.
"Arrependimento é um male que só aflige aos que outrora foram portadores da certeza. Tudo mais é fatalidade"
Edson Ricardo Paiva
Um pouco mais distante.
Era uma vez um cara
Que viveu num tempo
Um pouco mais distante
E saiu de casa de manhã
Em busca de uma longa espera
Na ânsia, como a conhecemos
Confundindo lágrimas com pérolas
Enxergou como pérolas grandes
As coisas simples e pequenas
Na inexperiência
de quem não se afasta,
Nem guarda a devida distância
Mas ele era apenas um cara
Que viveu num tempo diferente
E saiu pra colher diamantes num campo florido
Se soubesse, que depois do sol à pino
Perderia o rumo (no silêncio há sombras que se arrastam)
Inebriado, pelo falso colorido do desconhecido
Não tivesse ido tão longe
Escolhesse outro destino
Recolheu migalhas, como os próprios pássaros
Que apagaram o rastro na floresta
Só que agora ele não era mais
apenas mais um cara
Que viveu num tempo um pouco mais distante
Era alguém que estava perdido
Tão perdido como todo tolo
Que pensava saber onde estava
Iludido por pensar saber quem era
Perdido desde o dia
Que saiu de casa em busca de uma longa espera
O mundo não era assim
Porém, tinha se tornado, ao fim
Pra alegrar os olhos
de todo aquele que se vê perdido
E que, a partir de agora
Pra sempre ele estaria assim.
Edson Ricardo Paiva.
E Deus disse:Que haja luz...E essa mesma luz iluminaria seu rosto lindo diante dos meus olhos um dia...
Amei como se deve há um coração que encontrou alento,botei pra fora todo esse avassalador sentimento aliviei o coração fluiu dele fortes correntezas de emoção disse te amo! há cada olhar seu lançado em minha direção e muitas outras tantas longe de ti nesses momentos de solidão...
Se eu disser te amo! não minto ao coração apenas acendo uma luz há da paixão para te guiar nessas noites escuras de solidão confiante em minha direção...
Ah! coração que leva susto que pensa que tudo que até agora tens vivido é um absurdo,não é não te digo de irmão pra irmão sou parte sua eu vejo tudo que tu sentes e sei muito sobre a dor tua,eu te entendo e me lembro que um dia te disse:
_coração se você se apaixonar dessa vez você vai sofrer sozinho....mas me arrependi das minhas palavras coração amigo velho, sofreremos juntos como um só até o final
Dia chuvoso,não é um bom dia para ficar um longe do outro,hoje tinha que ser bom para um corpo a corpo olho no olho vendo o nosso reflexo um no outro...
E ela me fazia muito bem quando estava presente, não só um corpo ocupando um lugar mas sim um coração preenchendo todo o vazio...
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