Perder Alguém
A Garota do Balcão
Passei dois anos tentando entender como é perder alguém.
Não perder por briga ou despedida, mas perder por dentro.
Perder a fé no sentimento, perder a crença no amor, perder a certeza de que algo assim pudesse acontecer de novo.
Durante esse tempo, eu realmente acreditei que não encontraria mais ninguém.
Que algumas pessoas atravessam a nossa vida levando consigo tudo o que havia para amar.
Que depois delas, o coração aprende a funcionar… mas não a sentir.
E então, sem qualquer aviso, eu entrei numa loja de acessórios de celular.
É curioso como a vida escolhe cenários simples para grandes recomeços.
Entre películas de vidro, suportes discretos e cabos organizados não por cor, mas por tipo —
como se até ali tudo precisasse fazer sentido —
havia uma garota atrás do balcão.
E o mais estranho de tudo é que a única coisa que realmente nos separa…
é o balcão.
Não foi só o sorriso que chamou atenção.
Foi o conjunto.
O jeito contido.
As tatuagens minimalistas, quase silenciosas, marcadas como pensamentos que não precisam ser explicados.
Detalhes pequenos, mas cheios de intenção — como quem diz muito sem dizer nada.
E então tem o olhar.
Um olhar tão misterioso que desconcerta.
Daqueles que, se sustentado por mais de três segundos,
faz a gente desviar não por timidez,
mas por sentir demais.
Ali eu entendi uma coisa importante:
o amor não avisa quando volta.
Ele reaparece… diferente.
Não veio com urgência, nem com exagero.
Veio como curiosidade.
Como vontade de permanecer um pouco mais.
Como aquela sensação estranha de querer voltar ao mesmo lugar sem precisar de motivo.
A Garota do Balcão não sabe,
mas ela desmentiu uma certeza que eu carreguei por dois anos.
Ela provou que a gente nunca perde a capacidade de se apaixonar —
a gente só esquece como é até alguém lembrar.
Hoje, confesso ao público:
já não tenho mais o que inventar para entrar naquela loja.
Já comprei o que precisava… e o que não precisava também.
Mas continuo voltando.
Talvez isso não seja uma história de amor.
Talvez seja só um capítulo breve.
Ou talvez seja o começo de algo que ainda não tem nome.
Mas uma coisa é certa:
depois de tanto tempo acreditando que o sentimento tinha ficado no passado,
eu me apaixonei de novo.
De um jeito novo.
Mais calmo.
Mais consciente.
Mais verdadeiro.
E tudo isso começou…
E tudo isso começou com um balcão no meio.
Não como obstáculo,
mas como prova de que às vezes o amor não está distante —
só separado por alguns centímetros
e pela coragem de atravessar.
“Eu aprendi que o que mais dói não é perder alguém… é continuar vivendo como se nada tivesse acontecido, enquanto por dentro tudo ainda chama pelo nome que já se foi.”
— Anderson Del Duque
Perder alguém para a morte é uma dor que a vida nos impõe. Perder alguém que escolheu partir é uma lição que a vida nos ensina. Nem toda ausência representa uma perda; algumas apenas revelam quem realmente caminhava ao nosso lado.
Perder alguém não apaga o que foi vivido. A história continua sendo sua, o aprendizado é seu e a capacidade de transbordar afeto permanece intacta.
“No amor moderno, o perigo não é perder alguém — é perceber, tarde demais, que quem dizia sentir tudo por você nunca sentiu nada por ninguém.”
Acredito que perder um amor é como a dor de perder alguém quando morre. Sabemos que um dia partiremos dessa terra, é inevitável. Perdemos para Deus, não há perda melhor. Ah, mas quando se perde um amor, você está o perdendo para o mundo. E aí começa a luta dos guerreiros, persiste por ser fiel ao que sente, vai até onde acabam seus limites, e tudo para resgatar quem ama... Muitas vezes em simples atos e às vezes com alguma loucura.
Algo complicado, e inaceitável por muitos, é perder alguém para outra pessoa, é quando o amor dela não pertence mais a nós, e sim a outro, podemos então, simplesmente desaparecer,em respeito a isso tudo, e levar conosco o carinho que nos resta.
Ninguém sofre pela perda de uma vida e sim pelo seu próprio egoismo de não querer perder alguém que ele considera importante para si próprio.
De repente a gente aprende que existem ''N'' formas de perder alguém. E que perder alguém é mais comum do que encontrar.
De novo eu vou correr atrás, me humilhar, judiar de mim, só pra não perder alguém importante, mesmo sabendo que a pessoa vai embora de qualquer jeito.
