Perda de um Amor por Orgulho

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Eu poderia ter escolhido qualquer um, mas meu coração preferiu escolher você.

Gratidão: um sentimento que se situa a meio caminho entre um benefício recebido e um benefício esperado.

Senhor, deste-me tanto. Dai-me uma coisa a mais: um coração agradecido.

George Herbert
The Works of George Herbert: Poems (1835).

Nota: Trecho do poema Gratefulness.

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Sem um pensamento: apenas corpo se movimentando calmo, rosto pleno de uma suave esperança que ninguém dá e ninguém tira.

Clarice Lispector
Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.

Nota: Trecho do conto A criada.

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Eu tenho um milhão de motivos pra fugir de pensar em você, mas em todos esses lugares você vai comigo.

Tati Bernardi

Nota: Trecho da crônica "O Gigante".

Minha vida é um livro aberto. Ligeiramente pornográfico, talvez, mas aberto.

O Verso

O verso é um doido cantando sozinho.
Seu assunto é o caminho. E nada mais!
O caminho que ele próprio inventa..

Poucas coisas são mais difíceis de suportar que o abor­recimento de um bom exemplo.

É mais fácil entrar em um problema do que sair dele; o bom senso recomenda procurar a saída antes de entrar.

O poder nasce da ponta do cano de um fuzil.

Longe de ti tudo fica sem graça
Nada tem muito sentido
Sinto-me como um campo não florido
Falta-me o ar, quase não respiro
E até sinto enfraquecer as batidas do meu coração
Como se por tanta saudade
Ele se tivesse partido

Semana passada ouvi de um grande amigo uma grande verdade: “Chega uma hora na vida que você tem que abrir mão do selvagem dentro de você para manter amigos, empregos e constituir família. Ou você pode escolher ser um louco e viver sozinho.

Se há algo de que eles gostam mais do que um herói é ver a queda de um herói.

Green Goblin
Homem-Aranha (2002)

Porque é que um sono agita
Em vez de repousar
O que em minha alma habita
E a faz não descansar?

Que externa sonolência,
Que absurda confusão,
Me oprime sem violência
Me faz ver sem visão?

Entre o que vivo e a vida,
Entre quem estou e sou,
Durmo numa descida,
Descida em que não vou.

E, num infiel regresso
Ao que já era bruma,
Sonolento me apresso
Para coisa nenhuma.

O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? (…) Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir.

A Avenida das Lágrimas

A um Poeta morto.

Quando a primeira vez a harmonia secreta
De uma lira acordou, gemendo, a terra inteira,
- Dentro do coração do primeiro poeta
Desabrochou a flor da lágrima primeira.

E o poeta sentiu os olhos rasos de água;
Subiu-lhe â boca, ansioso, o primeiro queixume:
Tinha nascido a flor da Paixão e da Mágoa,
Que possui, como a rosa, espinhos e perfume.

E na terra, por onde o sonhador passava,
Ia a roxa corola espalhando as sementes:
De modo que, a brilhar, pelo solo ficava
Uma vegetação de lágrimas ardentes.

Foi assim que se fez a Via Dolorosa,
A avenida ensombrada e triste da Saudade,
Onde se arrasta, à noite, a procissão chorosa
Dos órfãos do carinho e da felicidade.

Recalcando no peito os gritos e os soluços,
Tu conheceste bem essa longa avenida,
- Tu que, chorando em vão, te esfalfaste, de bruços,
Para, infeliz, galgar o Calvário da Vida.

Teu pé também deixou um sinal neste solo;
Também por este solo arrastaste o teu manto...
E, ó Musa, a harpa infeliz que sustinhas ao colo,
Passou para outras mãos, molhou-se de outro pranto.

Mas tua alma ficou, livre da desventura,
Docemente sonhando, as delícias da lua:
Entre as flores, agora, uma outra flor fulgura,
Guardando na corola uma lembrança tua...

O aroma dessa flor, que o teu martírio encerra,
Se imortalizará, pelas almas disperso:
- Porque purificou a torpeza da terra
Quem deixou sobre a terra uma lágrima e um verso.

Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniÃES...

E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, então raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.

Clarice Lispector
Todas as crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.

Nota: Trecho da crônica Pertencer.

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A ti somente o que é teu

Não queira te apropriar do que te foi entregue por engano: um prêmio, presente ou dinheiro.

Você pode até pensar que aquilo não fará falta a quem te entregou, mas isto é ledo engano.

Talvez o prejuízo material àquela pessoa seja realmente pequeno ou insignificante, mas há um prejuízo inestimável que tu podes causar a ela e a ti: o prejuizo moral.

Tal pessoa pode cair em descrédito, ser acusada de roubo ou no mínimo ser taxada de incompetente.

Já vi casos em que pessoas foram demitidas por isso e tiveram sua vida arruinada por um equívoco delas e a desonestidade de outrem. E tu, ciente disto, com qual consciência ficarias?

Ao homem vil que se apropria do que não é seu, até o que não possui lhe será tirado. Mas ao homem bom e honesto, muitas glórias lhes são reservadas. Por isso, não te aproprie do que te foi entregue por engano.

Devolva o troco que foi passado errado, o prêmio que te foi entregue incorretamente, e até mesmo as honras que te ofereceram equivocadamente.

Queira para ti somente o que tu mereces e que é teu.

Lá estava o meu nome iluminado. Eu disse "Deus, alguém cometeu um erro". Mas lá estava, todo iluminado. E eu sentei e disse, "Lembre-se você não é uma estrela". Porém, lá estava todo iluminado.