Pequeno
O amor
O amor é veneno
Há duas formas de você beber esse veneno
Ou você toma um pequeno frasco dele e não surte efeito algum
Ou você se embriaga nele ao ponto de você morrer
Sentir tudo a flor da pele
É um veneno, mas é um veneno tão doce
Se eu pudesse, tomaria todas as doses do mundo
Não pensaria duas vezes!
Ó se eu pudesse morrer de amor novamente, apenas mais uma vez
Eu beberia desse veneno como se fosse a ultima coisa que eu faria
Do privilégio de ter o seu amor
E sentir o seu calor
Escrevo esse pequeno reconhecimento
para que dele você tenha conhecimento
Que o amor seja nosso remédio
E não o nosso veneno.
-
Leonardo Procópio, Pindamonhangaba
Eu aprendi que amar é uma entrega,
independentemente de trocas ou barganhas -
isso desde pequeno.
Aprendi que o amor é voluntário,
não espera nada, somente aceita o desafio.
Mas ao longo da vida somos desafiados
pelo engano a prevalecer.
E em algum momento nós sentimos fracos,
desacreditados de amar,
que o amor parece esfriar
e como que se não houvesse mais lugar em nós
que coubesse o amor de tantas desilusões.
E não podemos sonhar, esperar
que o verdadeiro amor aconteça magicamente
como nos contos.
Descobrimos que a magia do amor
não está no que podemos ou suportamos,
mas na vulnerabilidade que nos permite
nos aventurar neste mundo desconhecido
chamado amor.
Por Marcio Melo
Poesia: Medo de Crescer 01
Olhar de Criança
Quando pequeno pensava
Nas coisas que vó dizia.
Nos bichos que existia
E que no terreiro rodava
No vicente finim ela falava
Neu até medo botava
Com aquelas prosas boas.
Eu como o minino que era
Com tanto medo que o coro pela
Num duvidava de coisa atoa
Daí o tempo foi passando
E eu o acompanhava de perto,
Ligeiro, garoto esperto
Crescendo e já fui notando.
Dá conversa desconfiando,
O medo já me deixando,
E eu já difícil de crer.
Histórias que outras horas,
Como do saci ou da caipora,
Agora não tinha mais paricê.
Cresci e também percebi
Que o tempo foi o meu pecado.
O que me deixava assombrado
Não é nada do que vivi.
O mundo me calou aqui
E mesmo tentando insistir
Nada me assusta tanto
Que me faça esmurecer
Mais do que pude perder
Com o tempo que me tirou em prantos.
Hoje a bassora caída
No assusta mais ninguém
E até o grito de alguém
Passando nalguma avenida
Num soa mais forte que a vida
Quando bate despercebida
Vindo deixar algum recado.
Os bichos foram tudo embora,
Acabou-se os medos das histórias.
Ficaram os contos no passado.
Tsharllez Foucallt.
terreiro: quintal.
Vicente finim: busca no google.
Caipora: Mãe da mata.
Paricê: parecer.
Esmurecer: enfraquecer.
Bassora: vassoura.
Nalguma: Em alguma.
Teste de Geografia
Dizias que o mundo era pequeno demais, traçavas fronteiras no mapa do lençol, medias a distância entre o nunca e o jamais, buscando o caminho pra um resto de sol.
Pediste que eu fosse o teu norte fiel, a rosa-dos-ventos de um cais sem navio, mas perdi o sentido, rasguei o papel, e o nosso Equador tornou-se vazio.
I
Onde fica o relevo do teu abraço?
Em que latitude se esconde o teu riso?
Pois sinto um abismo em cada passo, nesse hemisfério que não é o paraíso.
II
Qual a demografia da tua saudade?
Quantas ausências habitam o teu peito?
Se o amor é um solo de pouca fertilidade, onde o silêncio se torna direito.
No fim, a prova não teve nota ou glória, apenas a erosão de um tempo que passou.
Ficou a geologia de uma velha história:
Onde havia um vulcão, hoje a cinza restou.
O mapa dobrou-se, a bússola quebrou, e a conclusão do teste é um tanto amarga:
Quem muito se isola, continente virou, levando o oceano como única carga.
© *Paulino Florda*, No labirinto dos açoites, 2026
Escravos Cardíacos das Estrelas
Vivo no nordeste de um sítio, tão pequeno, que norte e sul se confundem, vivo numa montanha tão baixa que em meio passo chego ao mar, o ar que respiro é puro mas dói, tem cheiro de fumo, tem cheiro de gente que se mói. Vivo numa pequena casa de dois andares, e é enorme quando estou sozinho, nós somos 1 e eu lá sozinho. Estudo numa escola de gente grande, mas sou pequeno e pergunto-me se haverá algum esquema para crescer só por fora. Melhor, nem estudo mas tenho aulas que nem assisto, que nem existo mas estou sempre lá. Tenho medos que não conheço, paixões que não mereço. Amo cigarros e bebida alcoólica, como católico ama o terço, e torço secretamente para que a vida se vá a cada instante. E apesar de tudo, amo viver. Dói cada músculo que ouço, cada som que sinto e eu vejo um brilho de paz, não é droga, sem substâncias, eu sou nós que não somos iguais.
Sinto-me em casa em qualquer sítio; e é sempre o desejo que me manda embora.Os homens desejam ser escravos em qualquer parte e colher aí a força para dominar noutro sítio.Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu, estou hoje dividido entre a lealdade que devo àcalçada do outro lado da rua, como coisa real por fora,à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo,como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,desci dela, pela janela das traseiras da casa, fui até ao campo com grandes propósitos. Mas lá, encontrei só ervas e árvores, e quando havia gente, era igual à outra. Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade, estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, e não tivesse mais irmandade com as coisas, talvez uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua, a fileira de carruagens de um comboio, ou uma partida apitada de dentro da minha cabeça. No mais,uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
O mundo é para quem nasce para o conquistar, não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão. Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez. Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo. Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas, sou e talvez serei sempre, o da mata, ainda que não more nela,
Serei sempre o que não nasceu para isso. Serei sempre só o que tinha qualidades, serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta.
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,eouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
A vida que derrete nas mãos
A vida é como um pequeno e frágil cubo de gelo, segurado ao sol, que brevemente se desfaz em nossas mãos...
Tão transparente quanto nossos desejos, tão fria quanto os medos que evitamos sentir.
Tentamos moldá-la, contê-la, preservá-la, mas ela insiste em derreter; escorrer; partir.
E no fim, o que resta?
Uma lembrança úmida, uma gota, um brilho fugaz.
Quando eu era pequeno, acreditava nas pessoas, na medida em que fui crescendo, comecei a desacreditar. Chegou um dia em que o meu corpo e alma começaram a cansar. Quando a energia estava prestes a acabar, veio uma força maior e me abasteceu, dando-me esperança em continuar a viver. Fui pego de surpresa num grave acidente e tive a oportunidade de continuar a viver, mesmo ciente de que a energia estava prestes a acabar.
Um momento é pequeno… quase invisível diante da imensidão da eternidade.
Mas é nele que tudo acontece.
É no agora que o coração sente, que a fé se fortalece, que a vida ganha cor.
A eternidade não é feita de algo distante… ela é construída por infinitos momentos como este.
Então, mesmo que pareça ínfimo, um momento carrega um peso infinito
porque pode mudar tudo, pode marcar a alma, pode se tornar lembrança eterna.
Às vezes, o que parece só um instante…
é exatamente onde Deus escolhe tocar o coração.
Se você não sabe a pessoa que está sendo desprezada quando é pequeno hoje,ela pode se tornar grande amanhã e você precisar dela
Quem você pisa está crescendo hoje quando pequeno, está evoluindo você não sabe que amanhã ele pode crescer e você precisará dele depois, você não sabe o dia de amanhã.
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