Pensamento de Solidão
A solidão foi um deserto que precisei atravessar, na areia deixei expectativas mortas, no vento encontrei o som da minha própria respiração, e no fim descobri que nunca estive realmente só, eu estava comigo e isso era suficiente.
A solidão me afinou como instrumento, hoje toco minha vida com mais harmonia, já não desafino tanto, já não me perco nas notas, sou melodia própria.
O medo da solidão é o medo de ter que encarar a si mesmo. Se você não é boa companhia para si, como espera ser para o mundo?
Aprendi que solidão não é castigo, é ferramenta. É na distância do mundo que a consciência afia sua própria lâmina. E com ela, cortamos ilusões que sempre nos mantiveram presos. A liberdade começa quando deixamos de ter medo de
estar conosco.
A solidão que carrego às vezes veste meus melhores trajes. Sai comigo para jantar, sorri, cumprimenta desconhecidos. No trecho de volta, tira a máscara e chora soprando o travesseiro, como quem revela ao mundo a própria face cansada de fingir.
A solidão às vezes vem com voz de amigo. Sento-me com ela à mesa e aprendo a ouvir. Ela me conta segredos que o mundo esqueceu de me dizer. Quando me despeço, sinto que cresci um centímetro por dentro. É estranho, mas a solidão tem lições que a alegria não ensina.
A solidão que me visita é de companheira e não de inimiga. Ela me aponta lugares onde precisei crescer. Fica tempo suficiente para me mostrar mapas íntimos. Quando se vai, deixa calmaria como quem arruma a casa. E eu sigo sabendo o caminho de volta.
A solidão que cura é diferente da que fere. Ela é companhia seletiva e não abandono cruel. Dar-se a ela é permitir ouvir a própria voz. E essa escuta traz respostas que o barulho não permite. Volto de lá mais inteiro, menos fragmentado.
A solidão ensinou-me cedo que, o mundo assiste à sua queda com curiosidade ou pena, mas raramente com a intenção de estender a mão.
A solidão é uma amante fiel que nunca reclama do meu mau humor ou da minha falta de apetite para a vida social de fachada. Ela senta-se comigo à beira da cama e, no escuro, somos dois velhos amigos discutindo o que restou de luz nas frestas da janela.
Não é a solidão que te assusta mas sim não ser capaz de encontrar a pessoa adequada para partilhar a vida. Esse é o medo de quem ainda não aprendeu o auto conhecimento. Você não será capaz de enxergar ninguém se não conhecer a ti mesmo primeiro.
