Pedro Bandeira - Identidade
Simplicidade
Queria, queria
Ter a singeleza
Das vidas sem alma
E a lúcida calma
Da matéria presa.
Queria, queria
Ser igual ao peixe
Que livre nas águas
Se mexe;
Ser igual em som,
Ser igual em graça
Ao pássaro leve,
Que esvoaça...
Tudo isso eu queria!
(Ser fraco é ser forte).
Queria viver
E depois morrer
Sem nunca aprender
A gostar da morte.
Felicidade, agarrei-te
Como um cão, pelo cachaço!
E, contigo, em mar de azeite
Afoguei-me, passo a passo...
Dei à minha alma a preguiça
Que o meu corpo não tivera.
E foi, assim, que, submissa,
Vi chegar a Primavera...
Quem a colher que a arrecade
(Há, nela, um segredo lento...)
Ó frágil felicidade!
— Palavra que leva o vento,
E, depois, como se a ideia
De, nos dedos, a ter tido
Bastasse, por fim, larguei-a,
Sem ficar arrependido...
Andamos nus, apenas revestidos
Da música inocente dos sentidos.
Como nuvens ou pássaros passamos
Entre o arvoredo, sem tocar nos ramos.
No entanto, em nós, o canto é quase mudo.
Nada pedimos. Recusamos tudo.
Nunca para vingar as próprias dores
Tiramos sangue ao mundo ou vida às flores.
E a noite chega! Ao longe, morre o dia...
A Pátria é o Céu. E o Céu, a Poesia...
E há mãos que vêm poisar em nossos ombros
E somos o silêncio dos escombros.
Ó meus irmãos! em todos os países,
Rezai pelos amigos infelizes!
Se a sua determinação fosse do tamanho do seu " SE ", sem sombras de dúvidas, você não estaria aqui.
Eu minto para mim mesmo, e é esta mentira que "mentira" de mim, fica em evidência toda vez que olho para trás. Acho que o ditado de olhar sempre para frente e nunca para trás me deixou cego, e essa é uma das mentiras que eu resolvi acreditar.
O universo das possibilidades é infinito. Para cada porta que se fecha em nossa vida, outras mil estão abertas.
Almejo meu
Passo o dia pensando em você
Quando chega o final do dia me arrependo por não ter chegado em você
Mais um arrependimento
Mas não é sem motivo
O motivo tem nome
Nome dele é coragem
Aquele que falta na hora em que quero te dizer o quanto te amo
Aquilo que sinto toda vez que nossos olhares se cruzam
Você é o que almejo conquistar
De hoje até o fim
Até que reste eu e você
Dois corpos celestes unidos
Com o carinho
Com o amor
E com o fogo ardente que sinto por você
Razão do meu viver
Núcleo do meu coração
Você é apenas o que tenho dentro de mim
E é apenas em ti que penso
Nos momentos mais triste
Penso em você para criar coragem
E permitir o fluxo das palavras EU TE AMO
Confesso que amei.
Amei, como quem ama pimenta, como quem ama cachaça, como quem ama uma boa fritada de jiló.
E também amei, como quem ama a beleza das flores e das crianças.
E, ainda hoje, eu amo. E mais intensamente do que nunca.
Porque o amor, na vivência humana, ou fenece, ou amadurece.
Afinal, os anos pesadamente empilhados devem servir a algum propósito.
Porque o amor envelhecido deve ser como um amor infantil, puro.
Afinal, só podemos reencontrar a pureza se nos despojarmos.
E regredirmos à nossa essência.
O mais puramente essenciais e despojados que pudermos nos tornar.
Como uma criança.
Porque mesmo o mais temido bandido já foi um bebê, amado, trocado, amamentado, cuidado, por alguém.
Apenas perdeu isso ao longo do caminho. Todos perdemos, ao longo do caminho.
E quem não encontrar esse caminho de volta será apenas amargurado.
Confesso que ainda amo.
