Pe Fabio de Melo os que te Amam
“As pessoas escolhem te julgar, antes mesmo de te conhecer, elas escolhem acreditar no que outras pessoas vão lhe dizer ao invés de vir e tirar suas próprias conclusões.
Essa pessoa que está lhe dizendo todo meu lado ruim, ela não vai dizer também o quanto eu fui bom e tudo o oque eu fiz por ela, ela não vai dizer o motivo de eu ter me tornado ruim, frio e distante dela. Já li uma vez que na boca de quem não presta, quem é bom não vale nada! Se quer me conhecer? Converse comigo! Tire a suas conclusões comigo! Garanto que não se arrependerá, mas caso queira acreditar numa descrição negativa sobre mim, dita por alguém que possivelmente está bem abaixo do meu nível, foda-se! Se acredita nisso, significa que você também é uma pessoa que eu não quero perto de mim! Comigo só anda pessoas boas, fiéis e de caráter, pessoas de honra, verdadeiros amigos! Pessoas que não acrescentam nada na minha vida, pessoas que não ajudam com nada, só vão na veia, pessoas que tentam me abalar ou têm inveja de mim, essas eu quero distância de mim!” Jasp✌🏽
Às vezes a vida nos leva para direções opostas, nos deixando com um pé no chão e outro no ar, sem saber qual caminho seguir.
"Arthur Schopenhauer, disse: 'Se a marca da primeira metade da vida é o anseio insatisfeito pela felicidade, o da segunda é o receio da desgraça, pois, a essa altura, reconhece-se mais ou menos nitidamente que toda felicidade é quimérica, enquanto o sofrimento, ao contrário, é real.'.
Toda realidade, ao ser sentida, já não é -para o homem, na relação com o homem- ela mesma, e sim, uma sensação, uma interpretação sensorial. O homem subjetiva a realidade, 'dosa', dá à ela, 'medidas de intensidade', de maneira que, Shophenhuer, não está plenamente com a razão. A vida é um 'caldeirão fervilhando, resultando em encantamentos, magias..., enquanto bruxas criam suas receitas'. Não se tem garantias sobre 'o que os elementos jogados no caldeirão irão resultar'; coisas boas e coisas ruins podem resultar. Na realidade, o que chamamos de 'coisas boas' e o que chamamos de 'coisas ruins' referem-se, simplesmente, à predominância, do bem ou do mal, pois não há separação, sendo, sempre, uma e mesma coisa, como 'extremidades alcançadas por um pêndulo movendo-se'. Não há como furtar-se a isto: a vida pode ser mais ou pode ser menos saborosa à medida em que, a pessoa, experimenta coisas amargas, e vice-versa.
O novo -independentemente de positivo ou negativo- só pode vir mediante o choque de realidades que, em alguma medida, sejam opostas."
Aqui da a pé,
e apesar de eu ter Certeza Absoluta
que Aqui da a pé, que Aqui é seguro;
Eu tenho Medo,
tenho Medo de acabar Caindo,
Medo de acabar me machucando,
Medo de acabar percebendo,
no meio do Caminho,
que apesar de dar a pé,
pode não ser tão Raso como parece.
o caminho de areia está mais Extenso,
e a água vai só até a metade,
claramente será seguro se eu caminhar
até onde eu vejo que posso.
Eu não gosto das partes Rasas pois sinto como se todos estivessem me olhando, me julgando e eu não consigo
me Esconder por que está raso demais;
me sinto Amostra,
totalmente Amostra, me sentindo
Vulnerável,
e eu Odeio estar Vulnerável.
mas pelo outro lado, eu também não gosto da parte funda, por que me sinto
sufocada, sinto que
A Qualquer Momento,
a água vai simplesmente pular
em cima de mim, me arrastar para o fundo, prender meus pés com lama, assim
fazendo com que eu me sufoque
e Morra Lentamente.
as coisas são assim,
a Vida é assim,
Eu sou assim,
Eu Detesto sentir uma Profundidade
que não seja a minha,
Eu Não Sei Lidar com a Profundidade Alheia,
se estou em Minha Própria
Profundidade,
o fundo onde estou Acorrentada
Me Acolhe,
Me Aconchega,
mas quando estou envolvida
com os Sentimentos
extremamente Escuros
de outras pessoas
ou os Sentimentos Claros Demais,
me sinto Afogada.
envolvida com suas Cobranças,
seus Traumas,
seu Amor,
me sinto Sufocada,
sinto que posso Me Afogar a qualquer momento.
Não Sei Lidar Comigo Mesma, como poderei Lidar com outras pessoas?
parece que a Única Solução é desaparecer nesse mar de profundidades,
nesse mar de Solidão.
“A parte ruim do conto de fadas é quando voltamos a realidade, mas pior que isso, é quando vemos pessoas ainda presas a ele.”
Estamos vivendo em uma geração , aonde todos que estão de pé devem cair. E todos os honestos devem ser corruptos.
Entenda ...
Não perca sua pureza por alguém, que não tem e deseja que você seja pior do que ele .
Ser fiel a Deus e renuncia tudo o que não agrada a ele .
E se te jogarem nas covas dos leões assim como fizeram com Daniel , não se preocupe lá Deus te lembrará de sua Lealdade e sua fidelidade.
Às vezes ficamos tão presos às nossas ideias a respeito do que achamos que queremos, que acabamos perdendo as coisas maravilhosas que podemos ter de verdade.
PERCALÇOS
Infelizmente a vida não tem sido bela
Tem doído um bocado
A tristeza machuca sem perceber
Te ver chorando é um pecado
Rodeada de pessoas
Mas sem nenhum amigo ao lado
Muitas coisas aconteceram
E possivelmente as tenham machucado...
Mas continuo mantendo a minha promessa
De sempre estar ao seu lado
E apesar dos entrepostos
No meu coração te tenho guardado.
(Pedreiras, 27 de Novembro de 2020)
Não brinca com a vida pois ela é feita de decisões e escolhas e precisa fazer as escolhas certas pense bem.
Não se permita deixar de ver o que já se tornou invisível a muita gente. A indiferença nos torna pessoas frias. Ela nos leva à cegueira mesmo sem problema de visão.
Eu Quero Te Dar
Em Pé
Sentado
Deitado
Agachado
Eu Quero Te Dar
De Frente
De Lado
De Costas
Virado
Eu Quero Te Dar
Sujo
Limpo
Seco
Molhado
Eu Quero Te Dar
De Dia
De Tarde
De Noite
De Madrugada
Eu Quero Te Dar
Na Rua
Em Casa
No Shopping
Na Quadra
Eu Quero Te Dar
No Trabalho
No Ônibus
No Elevador
Na Escada
Eu Quero Te Dar
Na Cama
No Sofá
Na Rede
Na Sacada
Eu Quero Te Dar
No Café
No Almoço
No Lanche
No Jantar
Eu Quero Te Dar
Com Sol
Com Chuva
Com Raio
Com Nevada
Eu Quero Te Dar
Sorrindo
Chorando
Gritando
Vibrando
Eu Quero Te Dar
No Futebol
Na Luta
No Show
Na Chegada
Eu Quero Te Dar
Dormindo
Acordando
Cochilando
Sonhando
Eu Quero Te Dar
Não Importa
O Dia, A Hora e O Lugar
Não Importa
Onde For...
Não Importa
Como Esteja...
O Importante É Que Eu Quero Te Dar...
O Meu Forte Abraço
Pra Onde Você For Levar
Ele Estará Guardado
Em Algum Lugar Com Você.
Eu Quero Te Dar
Autor: Nélio Alvarenga 15:37h
Data:20-07-2020
VENERAÇÃO AO ETERNO
Reconheça a soberania de Deus, promova e consagra a Ele o verdadeiro culto. Persevera-te nas boas obras e seja aos teus próximos o Princípio do Reflexo. Mantenha sempre a tua alma límpida para que possas aparecer, de cabeça erguida, perante ao Criador. Não te encolerize facilmente, a ira é sinal de fraqueza. Escuta sempre a voz que soa de forma clara e límpida na tua consciência, é Deus falando contigo. Seja contrário à avareza, porque quem ama, demasiadamente, os bens e as posses materiais, nenhum fruto tirará deles no plano espiritual, nosso verdadeiro lar, formando-se assim o egocentrismo e apego ao materialismo. Na senda da perfeição e da justiça, espiritualmente falando, está a vida. O caminho extraviado conduzir-te-á à morte espiritual. Retribua o bem com o bem. Evita o mal. Previna-te dos insultos e procure sempre ter a razão do teu lado. Não te envergonhes da tua posição social e do teu passado; pensa que eles não te desonram nem te degradam; o modo como desempenhas a tua missão é que te enaltece ou te amesquinha perante aos homens e a Deus. Lê e medita; observa e imita o que for bom; reflita sobre seus Pensamentos, Pavras e Ações e trabalhe com base neles. Ocupa-te do bem estar dos teus próximos, labutando assim, trabalharás para ti. Contenta-te com tudo e com todos desde que venham da Vereda Benéfica. Não faça julgamento das ações de outrens, pois essa ação pertence a Deus, o Único que pode arbitrar a devida sentença aos transgressores das leis cósmicas. Não demonstre rudeza ou superiorioridade aos seres fracos nem seja orgulhoso, pois são sentimentos materiais e passageiros, só tendem a te arruinar. Seja humilde com os proximos a ti; Firme sem teimosia; Severo e flexível; Obediente sem servilismo; Justo e Perfeito em todas as tuas ações. Defenda os oprimidos e proteja a inocência. Não exalte jamais os auxílios prestados. Seja fiel nas tuas decisões e assista aos que necessitam, observando, unicamente, o mérito pessoal de cada um, seja qual for a classe social, raça ou grupo que pertencem. Se Deus te der um filho, agradeça-Lhe e cuida sempre do vaso a ti confiado. Seja-lhe um espelho repleto de princípios éticos; de retidão imaculada e não de infrutífera fineza. Esforça-te para que seja um ser honesto; avesso a quaisquer artimanhas. Não faça mal às pessoas, pois na vida o curso tem regresso. Estima os bons, ama os fracos, assista aos necessitados e não ofenda ninguém. Seja o amparo aos aflitos; cada lamento que a tua dureza provocar, será um anátema que cairá sobre ti. Com quem necessita, reparta o teu alimento. Aos pobres e necessitados, doe hospitalidade; Respeita o estranho e o auxilie sempre. Não bajules ninguém, isso não te ajudará na tua elevação espiritual. Se te endeusarem, receia que te querem corromper. Respeita a mulher e não abuse jamais da sua fraqueza. Defenda-lhe a fragilidade e a honra. Fala, modernamente, com os pequenos; ponderadamente com os grandes; sinceramente com os teus iguais, amigos e irmãos; docemente com os que sofrem, mas sempre de acordo com a tua consciência e princípios da sã moral. Os corações dos justos estão onde se pratica a virtude; os dos tolos, onde festejam a vaidade. Não prometas nada se não tiver condição ou intenção de cumprir; ninguém é obrigado a prometer, mas ao fazê-lo, torna-se responsável. Opto para que tuas doações, sejam sempre com satisfação e dentro das tuas possibilidades, porque mais vale uma negativa delicada do que uma esmola humilhante. Suporte tudo com tolerância e tenha sempre confiança no Todo que é Tudo e que tudo pode, tudo vê e tudo sabe. Faça do teu corpo o Templo ao Eterno; do teu coração um altar ao Todo Poderoso e do teu espírito um apóstolo do Amor, da Verdade e da Justiça.
LUIZ CARLOS VIEIRA SIMÕES .'.
A dor da perda é a parte mais dolorosa de nosso ser, com ela, vc sabe o que vc sentia de verdade pela outra pessoa!!!
O PORQUÊ DO VOO
Vejo-me voando, teto alto
acima das nuvens pardas
e dos velhos sentimentos
mas percebo nos voos de meu ânimo
a degeneração, o peso das asas.
Ainda assim, sigo decolando
arremetendo-me no abismo
de meus intentos por quem
sempre arrebatou meus sonos.
Não obstante, sinto-me brando
no espaço vago, finjo-me quedo
a mente flutua em ar fresco
resfriando os frenesis inúteis.
Imagino-me planando, guiado
por uma águia, ave invejada
altiva que orienta-me o descortino
a alguém que tenho como fito.
Mesmo que não esteja por perto
ou no além do amanhã, no imponderável
que pode ser a plena existência ou o nada
o nada exterminador dos sentidos
que ainda me habitam, antes do fim.
São estes sentidos que me transmitem
a certeza, de que, diante do depois
nesta viajem paradoxal, nada dar-se-á
pois quem almejo, lá não estará
e se este for o destino que pressinto
estará longe de ser meu desiderato.
RINÓPOLIS : “De Beata Vita”.
As pessoas labutam diariamente em busca da vida perfeita, do corpo perfeito, da saúde perfeita, da família perfeita e de tudo mais que representa o ápice na sociedade.
O doutor Gileade era a síntese do que seria um ser humano invejável. Com 57 anos de idade, era desembargador em Brasília e gozava do auge da saúde física e mental. Poderia ter se aposentado, mas preferiu continuar trabalhando para manter o status do cargo e os benefícios complementares que faziam sua remuneração da ativa saltar às alturas.
Sua família era indelével: a esposa e companheira de mais de 30 anos, e um casal de filhos. A filha mais velha era promotora de justiça e o caçula médico geriatra casado com uma endocrinologista. Três netas complementavam a continuidade da geração.
A típica família de propaganda de margarina. Residência num condomínio de luxo, carros importados, férias nos lugares paradisíacos, refeições em restaurantes com estrela “Michelin”.
Num domingo ensolarado de outono, Gileade levanta-se da cama e observa sua esposa que continua repousando. Vai à cozinha preparar o café e vinte minutos após compor a mesa, retorna ao quarto para avisar que o “breakfast” está servido.
Chama e ela não responde. Toca em seu ombro e sente que o corpo está gélido e sem vida.
Desesperado, ele aciona o atendimento médico de urgência. Era tarde demais. Ela morreu dormindo, ou como diria um vereador brasileiro que virou meme na internet “dormiu e quando acordou já estava morta”.
Foi um dos velórios mais concorridos da capital federal. A nata da sociedade se fazia presente. Àquela altura, já havia uma meia dúzia de mulheres despertando interesse pelo novel viúvo - desde mocinhas na casa dos 25 anos, balzaquianas e até uma prima da falecida que já rompera o marco da terceira idade.
Casar-se com o desembargador era como ganhar na loteria. Era garantia de vida tranquila, confortável e de glamour social.
Nos dois primeiros dias após o sepultamento, houve a companhia dos filhos e netas e após isso, cada qual seguiu seus passos, mantendo apenas o contato por aplicativos de mensagens.
No final do mês, ele teria que tomar uma decisão difícil. Estava prestes a concluir um curso de pós-doutorado em direito público na Universidade de Salamanca e as passagens já estavam compradas em nome dele e da esposa. Seguir os planos originais ou desistir da viagem: era a dúvida que lhe martelava o cérebro.
Mesmo a contragosto, tomou o avião até Madri. Pernoitou no hotel que a esposa tinha reservado, no bairro Chamberí. Na manhã seguinte, foi na locadora buscar o carro, conforme previamente programado.
No estrada rumo à Salamanca, tinha a intenção de almoçar em Ávila. Restando menos de 40 quilômetros para chegar ao restaurante pretendido, ele não percebeu e passou sobre um objeto metálico caído na pista.
Estourou o pneu e quase capotou o veículo. Parou no acostamento e foi pedir socorro num sítio à margem da estrada.
O morador idoso lhe prestou auxílio e o levou para sua casa. Gileade chorava sem parar, como uma criança perdida. Seu choro não tinha uma explicação certa: era pelo acidente do carro, pela perda da esposa, pela dúvida em continuar o pós-doutorado, pela falta de rumo na vida, pelo medo de cair em depressão ...
O espanhol era Alfredo, que morava naquela pequena propriedade com o seu filho, este tinha um certo grau de deficiência mental. A granja fora herdada dos avós, transferida aos seus pais e seguiu a linha sucessória.
A casa feita de pedras tinha mais de cem anos. Após percorrer o mundo, Alfredo decidiu voltar às origens e viver no estilo minimalista na propriedade da família. Utilizava apenas o necessário para viver bem. Tinha uma camionete na garagem, mas transitava com uma bicicleta com a qual se deslocava até o povoado de “Ojos-Albos” para comprar mantimentos e visitar os amigos. Fazia questão de ajudar os necessitados.
Parece que os astros convergiram naquele momento. Um desembargador que estava perdido e precisando de ajuda encontra um altruísta disposto a lhe acolher.
Gileade desistiu do curso e ficou ali por mais de uma semana. Trabalhava na terra e visitava o vilarejo; às vezes a pé, e em outras vezes de bicicleta.
No retorno ao Brasil, entendeu o propósito da viagem e entendeu que Alfredo fora um anjo colocado em sua vida para lhe mostrar o caminho da felicidade.
Pediu aposentadoria e reuniu-se com a família. Explicou que precisava de uma nova razão para viver.
Dividiu o patrimônio em cinco cotas e transferiu cada uma para filhos e netas. Guardou para si apenas o dinheiro de um dos carros, que foi vendido, e de um investimento que possuía em títulos do Tesouro Nacional. Nem os móveis e utensílios da casa lhe acompanhariam na nova jornada.
Comprou um carro básico com seis anos de uso, colocou nele algumas roupas e objetos pessoais e tomou rumo ignorado.
Transformou-se numa espécie de andarilho, mas com algum tipo de conforto.
Tirou a barba que era sua marca registrada e apagou todos os registros em redes sociais. Em princípio, sonhava em aportar em alguma cidadezinha no estado de Minas Gerais.
Andar sem rumo pelas estradas tinha uma grande vantagem: podia se perder à vontade porque ele não sabia qual seria o destino. Quando sentia fome, parava em algum ponto simples na beira do caminho e ali mesmo lanchava e às vezes tirava uma sesta - à sombra de alguma árvore.
Já havia atravessado o estado das Minas Gerais, quando avistou uma senhora humilde com uma criança de colo pedindo carona às margens da rodovia SP-425. Seu projeto de vida era ajudar as pessoas e ali havia alguém necessitando.
Parou seu Renault Clio e abaixou o vidro do passageiro. A mulher pediu carona dizendo que a filha bebê estava queimando de febre e precisava ser levada a um posto de saúde para ser medicada.
O local mais próximo era a pequena cidade de RINÓPOLIS, no estado de São Paulo. Ele deixou a mãe e a criança na porta do posto de saúde e deu-lhe a quantia de duzentos reais em dinheiro - suficientes para a compra de remédios e para pagar um táxi de retorno.
Já passava das 16 horas e ele decidiu hospedar-se num hotel popular no centro da cidade. Guardou os pertences no quarto e foi sentar-se na praça do outro lado da rua. As pessoas lhe cumprimentavam, mesmo sem conhecê-lo, desejando boa tarde e perguntando como ele estava.
Parecia ter encontrado o local ideal, para manter o anonimato da vida e buscar uma rotina simples.
Conheceu pessoas, inclusive um corretor informal (desses que atuam sem registro no órgão oficial) e que coincidentemente, lhe perguntou se queria comprar uma casa naquela cidade. Gileade entendeu aquilo como uma mensagem divina.
Foi conhecer o imóvel que ficava a poucas quadras dali (aliás, tudo naquela cidade ficava a poucas quadras). Era uma casa de alvenaria construída na década de 1950, que não recebia pintura e reforma há pelo menos uns trinta anos. Ficava a cerca de 200 metros da praça central, na rua São Paulo, numa baixada onde aos sábados acontecia a feira livre dos produtores agrícolas.
Um terço do dinheiro que reservou para si, foi suficiente para comprar, reformar e mobiliar o imóvel.
Comprou uma bicicleta e incorporou-se à rotina dos moradores. O Clio ficava escondido na garagem fechada.
Todos os dias acordava pela manhã e ia pedalando rumo à padaria. Comprava uma dezena de pães (franceses) e pedia para encher sua caneca plástica com café. Atravessava a rua e sentava-se calmamente no banco da praça, onde tomava o café e comia um dos pães. Outros dois ou três, ele jogava de forma esfarelada sobre o gramado, para atrair e alimentar os pássaros. Todo esse ritual demorava quase uma hora, e ao mesmo tempo ele meditava e tomava vitamina D na forma solar (quando não chovia).
Os pães que sobravam, ele mantinha ensacados e pedalava até o bairro mais pobre da cidade, até encontrar um transeunte necessitado que os aceitava receber.
Arrumou uma diarista que limpava a casa e lavava suas roupas uma vez por semana. Adquiriu um computador onde passou a escrever e a comunicar-se com os familiares todos os dias. Aboliu o uso do telefone e do relógio.
Dormia quando tinha sono, comia quando tinha fome.
Passou a frequentar o grupo de oração da Renovação Carismática Católica. Chegava de bicicleta e com roupas simples. Ninguém imaginaria que aquele senhor anônimo era alguém tão importante na capital da república.
Quando alguém perguntava seu nome, ele respondia:
- José.
O nome mais comunal da população brasileira ajudaria a esconder sua identidade.
Virou um observador social e estudava atentamente o comportamento daqueles habitantes. Usou esses conhecimentos para escrever dois livros.
Sempre que alguém pedia oração no grupo da igreja, ele ouvia atentamente e buscava uma forma de ajudar, sem ser identificado.
Em um dos cultos, uma senhora clamava desesperadamente por sua mãe, que precisava de uma consulta e de exames cardiológicos; dizia que se fosse esperar pelo poder público, iria demorar vários meses. Gileade (ou José) pegou seu veículo na manhã seguinte e se deslocou até à cidade de Marília, onde encontrou uma clínica de cardiologia. Pagou o equivalente a uma consulta e a um pacote de exames e exigiu que lhe entregassem um recibo na forma de “vale procedimento”. Retornou à comunidade e entregou ao padre, pedindo a ele que procurasse àquela senhora que havia pedido oração e lhe desse os encaminhamentos.
Sentia-se bem em confessar ao padre que sabia da sua verdadeira identidade. O líder religioso passou a abençoar pessoas através dele.
Foi assim que o menino Gabriel recebeu uma bicicleta nova em sua residência; dona Margarida ganhou uma geladeira de duas portas e seu Mário que estava desempregado viu suas contas de água e de luz serem quitadas. Outras dezenas e dezenas de moradores tiveram seus problemas saneados.
Um dos problemas mais graves das cidades pequenas é a fofoca. Manter a identidade secreta de super-herói, estava ficando cada dia mais difícil.
Todos queriam saber onde o padre arrumava tanto dinheiro para presentear a comunidade. Houve quem o caluniasse, dizendo que ele estava encobrindo algum chefão do crime organizado.
Um vereador mais esperto, mandou circular a informação de que era ele quem atendia os pedidos dos moradores. Pagou para um locutor de rádio fazer a propaganda de forma transversa. O radialista dizia que sabia que era o vereador quem pagava, mas que o vereador jamais admitiria isso em público, porque o propósito dele era ajudar anonimamente.
A notícia extrapolou fronteiras. Começaram a chegar caravanas de pessoas na cidade, com bilhetes de pedidos endereçados ao padre. Multiplicaram o número de exploradores.
Certo dia, Gileade soube que dona Joana tinha sido abandonada pelo marido com duas crianças para cuidar, sem ter aonde morar. Foi ao cartório, fez um termo de doação da casa para ela e lhe entregou as chaves com os móveis dentro.
Na madrugada seguinte, Gileade sumiu da cidade com seu Clio, suas roupas e seu computador. Ninguém sabe de seu paradeiro.
O padre não revela o mistério, por conta da obrigação do sigilo em confissão. Os eleitores do vereador, reclamam que ele parou de dar presentes. Dona Joana, insiste em dizer que o anjo que habitou na cidade, era o proprietário anterior da casa onde mora.
Coincidentemente, o contraventor do jogo do bicho, conhecido como Bento Maia, foi preso naquela semana em que Gileade foi embora. Parte significativa da população credita a ele os benefícios entregues de forma anônima, e dizem que se a polícia e a justiça não tivessem agido, o povo estaria muito mais feliz, atendido em suas necessidades.
Ao sair da cadeia, Bento foi assassinado na porta de sua chácara, a mando de um banqueiro rival. O local onde caiu alvejado, virou ponto de romaria com a colocação de flores e velas acesas.
O dono da barbearia, localizada próxima da igreja matriz, insiste em dizer que seu filho foi curado de gagueira, após fazer uma promessa a Bento Maia. Esse milagre já rendeu pauta na rádio, sites de notícias e no jornal impresso da região.
O padre, coitado, tem que assistir a tudo sem poder dizer a verdade. O sacramento o impede revelar os fatos.
Ao povo, os seus heróis imaginários.
“O bom e o mau estão sujeitos a queda, mas somente o que luta consegue ficar de pé.”
Giovane Silva Santos
Cultiva o meu pé de amores junto ao teu peito e sinta as minhas raízes costurarem o teu coração quebrado.
Castro
"Nas entrevistas que realizo com algum futuro parceiro comercial ou
colaborador, a primeira pergunta que eu faço é: “Você está pronto
para perder comigo?”. Isso dá um choque, mas funciona. Se o entrevistado permanecer, você continua, se não, você economizou
tempo com alguém que poderia lhe faltar no futuro.
Deixe o entrevistado a vontade para falar, pergunte sobre os seus
resultados em empresas anteriores, quando as pessoas falam, elas
podem dar “munição” para você. Esse formato é muito bom, porque 90% sempre diz algo como “ faço acontecer, bati todas as metas, fui líder na equipe”. Se alguém é tão bom por que uma empresa
o deixaria ir embora?"
