Pe Fabio de Melo os que te Amam

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Não haverá, entre um espírito que abarrota de invenções alheias e outro que inventa por si próprio, a mesma diferença que vai de um recipiente que se enche de água à fonte que a fornece?

O silêncio é o melhor salvo-conduto da mais crassa ignorância como da sabedoria mais profunda.

O homem de juízo aproveita, o tolo desaproveita a experiência própria.

A virtude é coisa deveras inútil e frívola, caso apenas tenha a recomendá-la a glória.

Não é raro aborrecermos aquelas mesmas pessoas que mais admiramos.

Não há ofensa que não perdoamos, depois de nos termos vingado.

O nosso espírito é essencialmente livre, mas o nosso corpo torna-o frequentes vezes escravo.

Entre todas as diferentes expressões que podem reproduzir um único dos nossos pensamentos só há uma que seja a boa. Nem sempre a encontramos ao falar ou escrever; entretanto, o fato é que ela existe, que tudo o que não é ela é fraco e não satisfaz a um homem de espírito que deseja fazer-se entender.

Quase ninguém se apercebe, por si próprio, do mérito de outra pessoa.

Não há poder. Há um abuso do poder, nada mais.

Há muita gente para quem o receio dos males futuros é mais tormentoso que o sofrimento dos males presentes.

Quem julga caçar é caçado.

O governo é como toda as coisas deste mundo: para o conservarmos temos de o amar.

O muito torna-se pouco com desejar um pouco mais.

A longo prazo uma profissão é como o matrimônio; apenas se sentem os inconvenientes.

Todo o espírito que existe no mundo é inútil para quem não o tem; ele não tem perspectivas sobre nada e é incapaz de aproveitar as dos outros.

Não poder suportar todos os maus carácteres de que a sociedade está cheia não revela bom carácter: e isso é indispensável no comércio das peças de ouro e da moeda.

É falta de habilidade governar com tirania.

A imaginação e o recolhimento são duas doenças de que ninguém tem piedade.

Os homens têm geralmente saúde quando não a sabem apreciar, e riqueza quando a não podem gozar.