Pe Fabio de Melo os que te Amam
São ilusórias as falas que não produzem significados.
A repetição delas pode até impactar os tímpanos, mas se a alma não estiver disposta a assentá-las... tudo terá sido em vão.
Mantenho a calma...
a despeito da bravura da minha alma
que tanto luta para não esmorecer frente às amarguras da vida.
Seguindo sem tanto esforço, pois caminhar não solicita desmedido movimento, mas sofro quando as encruzilhadas me impõem a opção para o novo rumo.
Não posso persistir pousando meus olhos sobre os seus e voltar com o resultado congelando a minha alma.
Vivo no estribilho de um amor que me alimenta.
Cada gesto é um sobressalto para o sorriso.
Amo e bem sei que no transitivo direto, intransitivo e pronominal... a vida discorre sem avisos.
Não ouso saber se sou amado a despeito de suspeitar que eu seja, ao menos, por mim.
Implorei tanto para devolver-me inteiro e devolveu-me em partes e o resto de mim deve estar na sua soberba.
Na me assusta a solidão da minha noite e, tampouco, o vazio do meu copo....talvez possam doer a solidão de mim e a completude da saudade cheia da sua ausência.
Posso compreender e aceitar uma incontável variação de restos, mas não me permito ser o resto de nada.
Por isso o inteiro de mim não pode ser o seu resto.
Quero decifrar o indecifrável gesto do silêncio.
O seu grito ressoa ferindo a minha alma nesta espera que não alivia.
A sua fala é constante todos os dias na revelação da distância que nos aproxima do desencontro.
Na lágrima derramada não há resquício de dor... ela já é dor.
As outras que surgem descendo face afora são novas dores.
Ouço o ruído do dia que se encerra.
Nada diferente.
Nenhum sinal espontâneo anuncia vida saudosa.
Aguardo sofrendo o seu sopro.
Chove tristeza nesta hora.
Insisto para não ser os motivos tristes da sua vida.
Persisto na tentativa de ser o seu MOTIVO.
Amor é ação.
Movimente a vida para viver feliz quando alguém te ama.
O meu amor não é cego, não é mudo e, tampouco, surdo... então, apareça, ouça e fale qualquer coisa... pois o silêncio pode ser a sua imagem, a sua voz e irá escutar o meu sussurro.
Imagino apenas que o sinal que aparece em cada dia é o mesmo para todos nós, mas ocupa sentido diferente por sermos indivíduos.
De resto... vou tentando desentender o entendido barulho do aceno final.
Campo Florido...
minha candura tecida em ruelas de flores com as lembranças que dormitam vivas em minha memória.Respiro e suspiro sem alívio...tantas coisas intocáveis refletindo o tempo impaciente nesta euforia de vazios sem pontas e com tantos pontos.
