Pe Fabio de Melo Amar
"O acúmulo dos anos o convenceu de que, depois de muito andar, há sempre uma graça reservada aos retornos. Não pensou muito. Seguiu o movimento do desejo. A primeira foi encontrada. Uma estrada interior. Só é possível retornar ao lugar de partida depois de tê-lo reencontrado nos albergues de si mesmo. A saudade é o bilhete que antecede a estrada. Depois que o desejo de retorno está aceso, o destino de voltar requer iniciativa menor. Um transporte que nos faça sair, e já estamos nos preparativos da chegada. E assim se deu com ele."
As vezes penso que as respostas virão. As vezes, não. Olha ao longe e o que vejo é o espelho do tempo, convicções implorando por adoção. O mundo mais raso me desagrada. E preciso buscar os recantos onde ainda existe profundidade que favoreça o mergulho. Eu não me adapto às estruturas da superfície. Seria o mesmo que ser mortal além da conta. Mas sou mortal. Não quero ser, mas sou.
Existem acontecimentos que não combinam com as palavras. Foram feitos para o silêncio, porque não podem ser tocados na sua inteireza. Qualquer descrição seria uma forma de empobrecimento.
"Até que a morte nos separe." Antigamente era mais fácil dizer isso. Havia mais disposição para ver o tempo passar, menos pressa, porque as distâncias eram maiores. Quanto menor a distância, maior é a pressa e a ansiedade de chegar.
A experiência normativa do processo: depois da tristeza, a alegria. Não a manifestação eufórica, irreal, mas a serena alegria, aquela que, antes de ser externada, nós construímos no silêncio do coração.
Relato de um sobrevivente:
Parece que o mundo está em obras. Menos eu, que também preciso de reforma, mas não agora. Gostaria de fugir daqui, mas estou sem disposição para sair. Gostaria de chegar a um lugar tranquilo, mas sem ter de ir. Estou sem coragem até mesmo para respirar.
Organizar o luto talvez seja isso: recolher o que da vida restou. E como é belo recolher o amor e suas respectivas saudades. É uma forma de afirmar que a vida não foi em vão. Não foi uma experiência que passou pelos vãos dos dedos, mas registrou-se nas cordas do coração.
Meu caro, há uma diferença fundamental entre a Filosofia e a Jardinagem que vale a pena ressaltar. A Filosofia é o lugar da complexidade. A Jardinagem é o lugar da simplicidade. São territórios muito distintos. A Filosofia é o campo das perguntas e respostas. O jardim é o campo onde a vida prevalece misteriosa, mas ao mesmo tempo totalmente revelada. Por mais instigante que seja o contexto da complexidade filosófica, vez em quando a gente se cansa dele. O jardim é o lugar da contemplação, e a contemplação não é outra coisa senão o descanso do pensamento.
A palavra é uma forma de benção. As flores também. Flores são palavras. De Deus.
"Tá pesada a sua cruz? Tá frio com seu cobertor? Não se engane; grandes batalhas só são dadas a grande lutadores."
Douglas Melo
"Desconcerte-se e se arranje quando puder. De nada vale o esforço sem a graça de rir de seus próprios alvoroços."
Douglas Melo
"Comece hoje o que tem de ser começado hoje. O que virá amanhã, pode ser consequência do que você decidiu agora."
Douglas Melo
Tô a um passo do abismo. Se cair voarei. Os sonhos me deram asas. A Fé me fez crer que eu posso voar, sem ainda tirar meus pés do chão.
Douglas Melo
E tem aquela coisa, né? É que eu leio um livro de história aqui. O outro sabe mais de matemática ali. O outro acolá, bom, aquele só entende de Futebol. Mas no fundo. Não sei de nada. Mas todo mundo acha que sabe. Dizer o quê? Todo mundo parece que tem razão. Os seus livros, escrito por outros, dizem que sim. Eu acredito no sábio que diz que viu a história, mas ainda não aprendeu.
Nem quero saber quem foi Aurélio Buarque de Holanda. Nem quero saber o resto da história. Eu quero mais é que o "Português" suma do mapa. Eu quero mais que o mundo fale uma língua só. Não sei, mas a do coração, parece não será entendida (como deveria).
Douglas Melo
O pior amigo é aquele que finge que é sem ser e o pior inimigo é o que se parece com amigo mas é, na verdade, o inimigo.
