Pe Fabio de Melo Amar
Agora vou correr atrás do futuro, o passado é só um livro velho de páginas amareladas. Não vale a pena chorar por quem ficou para trás, uma vez que quem permanece caminhando é quem tem as mãos limpas e o coração puro. É tempo de acender luzes, luzes que iluminem o meu caminho, e o caminho daqueles que andarem comigo. A história não acabou, ela recomeçou, com novas cores, nova vida e novo brilho, assim como vivo e brilhante é o novo amanhecer.
Coragem é o que precisamos para tomarmos certas decisões, entre ir e ficar, entre estar de pé ou no chão, entre falar ou calar. Eu por exemplo acordei decidida a mudar tudo e o que não me falta é coragem. Decidi ir atrás dos meus sonhos, escolhi estar de pé independente de qualquer tempestade e optei por calar e ficar no meu silêncio, pois quem muito fala acaba passando por tolo! (Priscilla Rodighiero)
Até quem um dia foi sombra pode, de repente, acenar como luz — e o coração, mesmo relutante, percebe que a vida adora escrever capítulos inesperados.
Meu receio é despertar a inveja de Leonardo DiCaprio; já o invejoso pé de chinelo não passa de figurante barato.
Benê Morais
Migalhas
Todas as tardes
uma senhora de vestido estampado
chega ao banco da praça
com um pequeno saco de pão nas mãos.
Senta-se devagar
e começa a lançar migalhas
sobre o chão gasto de passos.
Os pombos logo aparecem
serenos, platinados,
alguns escuros, outros claros
caminhando em círculos
como se conhecessem o ritual.
A tarde passa sem pressa.
A luz se inclina nos prédios,
e o horizonte começa a escurecer.
Quando as últimas migalhas se acabam,
a senhora limpa as mãos no vestido,
levanta-se com calma
e segue pela alameda.
Não diz palavra alguma.
Também não precisa.
Entre o bater de asas
e o silêncio da praça,
tudo
já foi dito.
Suas ações, suas palavras me causam gatilhos emocionais, me machucam tanto, ao ponto de eu não pensar de forma racional, penso em fazer loucuras...
Eu me sinto mal, insuficiente, insegura, desvalorizada, sem importância, não amada... Me levam a reagir de maneira negativa, impulsiva e eu acabo me culpando e arrependendo depois... E isso acaba prejudicando nós dois.
Eu poderia melhorar por você, sim. O meu amor seria capaz disso, o meu despertar... Mas você destrói tudo o que você tem. E isso não é sobre mim... Você me manipula, pra eu fazer o que você quer, o que você me fala, porque o que eu falo não é levado em consideração, às vezes é como se eu fosse invisível...
Quando eu te olho a única coisa que sinto é desgosto. A única coisa que vejo são mentiras, traições, falsidade... Eu causo situações para que você se afaste de mim, mesmo sabendo que eu posso te perder, eu não tenho medo, pois pior é estar ao lado de alguém que não está presente de verdade.
A remissão e o perdão dos pecados, a salvação e a vida eterna não são alcançados pelas obras nem pela religião, mas pela fé em Cristo.
desse mundo que vivemos, dá para ter fé?
esperar por nada e ainda não se manter em pé
amigo meu, onde andou por esses passos?
sempre te vejo parado, pois não tem rastros
a bondade não deve ser troca de nenhum jogo
pois o azar sempre vai ser a opção do seu troco
esperar para que alguém possa te levantar
aqui nesse mar, ninguém vai te ouvir gritar
e sempre que eu te vejo
você ainda implora pela sua graça
acha que acontece?
olhe seu reflexo, idiota
você ainda está vivendo em desgraça
não tem mentiras, ilusões, expectativas
que façam esse fogo parar de queimar
de todas as outras vidas, tão vivas
ninguém teria motivo para se importar
os tempos se passam
em mundos desbravam
e você estar incluso ou não
desde o início, nem ligavam
é aqui onde vai ter seus últimos prantos
estar invisível é uma aventura em tanto
mas aqui nesse lugar, que medo pode causar?
desses olhos que te vêm dormir, dançar
não deve nada a eles, pois quem deve a ti é você
possa levantar para os outros?
para que te derrube mais fácil, e depois se remoer
quando estiver com vontade de chorar
feche os olhos e eu estarei lá
não, não se liberte, não lute mais
arranco teu boa noite e seu sorriso por mais
"Coluna em Pé"
Entre ruínas e ventos, fiquei de pé,
não por força, mas por fé.
Quando todos se calaram, ouvi o Céu dizer:
“Filho, é tua vez, ergue o estandarte e vem vencer.”
O chão tremia, mas minha alma não,
pois quem carrega o fardo tem a unção.
Família é campo, é missão, é altar,
e sobre mim recai o dom de cuidar.
Sou vigia nos muros, intercessor na madrugada,
a voz que clama, lâmpada acesa, espada levantada.
Não sou o mais forte, nem o mais santo,
mas o escolhido entre os que restaram no pranto.
E se o inimigo cercar minha casa, verá,
não há recuo onde Deus mandar ficar.
Porque a promessa não morre, só amadurece,
e quem permanece, prevalece.
Carrego o peso da responsabilidade,
mas também o consolo da fidelidade.
Pois aquele que chama também sustenta,
e no deserto ensina o que o trono apresenta.
Quando o cansaço tenta me parar,
é o Espírito que vem me renovar.
Oro de joelhos, choro e confesso,
mas sigo firme — porque o propósito é o progresso.
Sou coluna, raiz e chão,
não dependo da vista, vivo de visão.
A guerra é grande, mas maior é o Rei,
que me ergueu quando eu pensei que não voltava a ficar de pé.
E se o mundo cair, eu continuo a crer,
pois não há tempestade que me faça deter.
Minha casa é promessa, meu lar é missão,
e Deus é o centro da minha direção.
Fui chamado pra servir, não pra aparecer,
pra lutar em silêncio e ver Deus mover.
Pra ser exemplo quando tudo desaba,
pra manter a fé viva onde o amor se acaba.
E quando o tempo provar minha fé,
serei lembrado como aquele que ficou de pé.
Porque a unção não cansa, a fé não envelhece,
e quem confia no Eterno — permanece.
Pessoas Queridas
Demétrio Sena - Magé
Jamais entendi a prática dos monossílabos entre pessoas próximas. Daquele falar meio entre dentes, onde ambos os interlocutores estão sempre ansiosos para se livrar um do outro. Entretanto, são pessoas ditas queridas. Queridas, mas impacientes entre si. Queridas, mas distantes, apesar da proximidade; queridas, mas fanáticas por uma privacidade árida que as torna velhas desconhecidas da vida inteira... ou de longas e arrastadas datas.
Pessoas realmente queridas não se falam apenas o essencial. Não estão apenas para o que der e vier, nas horas cruciais, onde uma precisa da outra para não morrer. Esse não só falar, mas também só fazer o essencial e urgente, pode até ser providencial, mas não é revelador do afeto narrado nas conversas mais animadas com "os de fora". Nos assuntos comuns em ambientes de trabalho, quando exibimos nossa sensibilidade humana.
O essencial entre pessoas próximas é não o sermos apenas no obrigatório; no que seríamos com qualquer ser humano, só porque somos humanos. Considero essencial a convivência fluente e ininterrupta nas questões e não questões; no essencial e no fútil. Convivências seletivas (quando entre pessoas queridas existem preferências) criam elites e guetos, como se faz na sociedade aberta. Pessoas queridas se misturam. De igual para igual.
Isto serve, inclusive (talvez principalmente) para mim.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
eu me sinto como um pássaro que não só teve as asas cortadas… mas como se tivessem arrancado pela raiz, deixando feridas abertas que nunca cicatrizam, como se cada batida do coração fosse um lembrete de que algo essencial foi perdido, algo que nunca deveria ter sido tirado e isso dói de um jeito que não cabe em palavras, dói como se o ar pesasse, como se respirar fosse um esforço, como se existir tivesse se tornado um castigo lento, porque não é só sobre não poder mais voar é sobre olhar pro céu e sentir ele distante, frio, inalcançável, é sobre lembrar, e ao mesmo tempo começar a esquecer, como era ser livre, como era sentir o vento, como era subir cada vez mais alto sem medo, sem limites, sem essa dor cravada no peito e o pior… o pior é sentir que isso está escapando, que aos poucos a memória vai se apagando, que um dia talvez eu nem lembre mais como era voar
e então nem a dor vai fazer sentido, só vai sobrar esse vazio estranho, esse silêncio pesado, essa existência quebrada, é como se eu estivesse preso em um corpo que ainda vive, mas tudo que fazia ele ter sentido já não está mais aqui, e agora não resta escolha eu preciso aprender a viver assim com essa dor que não grita, mas corrói, que não sangra por fora, mas dilacera por dentro, que maltrata, desgasta, consome… devagar, todos os dias, como um pássaro que ainda olha pro céu…mesmo sabendo que nunca mais vai voltar pra lá.
Tenho um quintal bonito, com um pé de jacarandá, tenho uma rede na varanda, e na mangueira um sabiá."
A magnanimidade, uma virtude muito esquecida, é a aspiração do espírito a grandes coisas. Uma pessoa é magnânima se tiver a coragem de buscar o que é grandioso e se tornar digna disso. (...) A magnanimidade, como nos dizem Tomás de Aquino e Aristóteles, é "a joia de todas as virtudes", pois sempre – e particularmente em questões éticas – decide em favor daquilo que, em dado momento, representa a maior possibilidade do potencial humano para o ser.
Um lutador deve ser o Homem mais respeitado do Mundo, pois ele realmente morrerá, se for preciso, pelo que acredita.
“Entre o Silêncio e a Força”
Ando fraco… mas buscando ser forte.
Tentando me manter de pé quando tudo parece querer me derrubar.
Já fui inabalável, mas minha visão se fechou como se uma névoa tivesse tomado conta do meu horizonte.
Às vezes me pergunto se foi a falta de Deus… ou as distrações do mundo que me afastaram d’Ele.
O significado das coisas mudou.
As pessoas mudaram.
Algumas foram embora, e com elas foram partes de mim que eu nem sabia que existiam.
Ficou um vazio, um eco… e a sensação de que tudo explodiu como uma bomba nuclear, deixando apenas eu e meus pensamentos. ardendo em silêncio no meio dos escombros da alma.
Mas mesmo aqui, nesse deserto de dúvidas e ruínas, algo dentro de mim ainda resiste.
Talvez seja fé.
Talvez seja esperança.
Ou talvez seja apenas a vontade de reencontrar Deus e, com Ele, o verdadeiro sentido de continuar.
Hoje eu não tô no meu melhor, mas sigo de pé.
A cabeça pode pesar, o dia pode apertar, mas eu não recuo.
Mesmo no silêncio, eu continuo avançando, porque sei que minha virada vem.
Não tô feliz agora, mas não perdi a minha força.
Quem sou eu?
Pé no chão, cabeça firme e coração leal.
Posso até demorar, mas quando decido ir, ninguém me para.
Não vivo de promessa, vivo de constância.
Não falo muito, faço.
Não corro atrás de aplauso, corro atrás de resultado, aprendendo e buscando fórmulas
Quem anda comigo sabe,
sou tranquilo até me testarem,
paciente até abusarem,
forte porque aprendi a lei da espera.
Não pulo etapas.
Faço Construção interna
E quando chego, fico.
Eu já quis tantas coisas
que hoje não fazem mais sentido.
Perdi o interesse…
e é estranho perceber
que algo que um dia foi tão intenso
agora não me alcança nem de longe.
Nem parece que eu quis tanto assim.
Talvez o querer também tenha seu tempo.
Talvez ele nasça, cresça…
e, silenciosamente, vá embora.
Por isso, o querer que hoje me atravessa com força
o que me desperta, inquieta e chama
que se faça presente.
Que permaneça vivo.
Que continue se fazendo desejar.
E que me deseje tanto
quanto eu o desejo.
Antes que, logo ali na frente,
eu também me torne ausência.
Antes que o encanto se dissolva pelo cansaço
e o gosto de querer se perca.
Porque eu sei…
eu posso, de novo, me distrair com o mundo
e deixar passar.
Então hoje,
se faça presença.
Se faça sentido.
Se faça interessante.
