Passarinho Livre
Caminho Além da Ilusão
Certa manhã, à beira de um rio nas montanhas, uma jovem encontrou o velho mestre que recolhia água com seu discípulo.
Ela fez uma reverência e disse em voz baixa:
— Mestre, há muitos dias venho ao templo. Meu coração se voltou para seu discípulo. Desejo ser vista por ele. Como posso me aproximar?
O mestre encheu o balde antes de responder:
— Para ser vista por quem caminha, é preciso caminhar. Quando o coração está apegado ao fruto, não percebe a árvore que o sustenta.
A jovem hesitou, depois perguntou:
— Então, se eu seguir seu caminho, ele me amará?
O mestre olhou para a correnteza e disse:
— Quando seus passos estiverem no mesmo lugar que os dele, talvez já não deseje mais o que hoje deseja.
Ela se calou. E ficou.
No início, permaneceu no templo acreditando que, ao purificar-se, poderia conquistar seu coração.
Os dias tornaram-se meses. Os meses, estações. A jovem passou a servir no templo, a ouvir os ensinamentos, a observar em silêncio. Meditava ao amanhecer. Foi sendo transformada pelo próprio caminho.
Certa manhã, voltou ao mesmo rio. Lá estava o jovem monge, recolhendo água. Ele a viu, sorriu com gentileza. Ela apenas inclinou a cabeça em respeito — e seguiu andando.
Naquela noite, procurou o mestre e falou com voz serena:
— Mestre… por muito tempo acreditei que amava aquele que caminhava ao seu lado. Mas hoje entendo: eu queria tirá-lo do caminho, como quem colhe uma flor por achá-la bela demais para deixá-la onde está.
— Meu desejo era o do ego: guardar para mim aquilo que brilhava, temendo que outros vissem. Confundi amor com posse, presença com pertencimento. Queria segurá-lo como quem arranca uma flor da terra, sem perceber que, longe do seu solo, ela murcha e morre.
— Hoje, basta-me vê-lo florescer.
O mestre assentiu com os olhos fechados e respondeu:
— Quando o ego silencia, o coração vê com mais clareza. E já não deseja tocar o que pode apenas contemplar.
Só o começo
Eu aprendi qual é o valor de um sonho alcançar,
Eu entendi que o caminho pedras terá,
Eu vi em campo aberto se erguer construção, e foi com muitas pedras, e foi com muitas mãos!
Eu vi o meu limite vir diante de mim,
Eu enfrentei batalhas que eu não venci,
Mas o troféu não é de quem não fracassou,
Eu tive muitas quedas, mas não fiquei no chão!
E ao olhar pra trás, tudo que passou,
Venho agradecer quem comigo estava,
Ergo minhas mãos pra reconhecer,
E hoje eu sou quem eu sou,
Pois Sua mão me acompanhava,
Mas eu sei, não é o fim,
É só o começo da jornada,
Eu abro o meu coração,
Pra minha nova história!
Uma mulher liberta que sabe quem é, põe uma sociedade retrógrada inteira em silêncio. Por mais que gritem a verdade, será uma verdade sem mistérios ou novidades; então tanto faz! Opressão nenhuma me chantageia!
"Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias."
Quer pouco: terás tudo.
Quer nada: serás livre.
O mesmo amor que tenham
Por nós, quer-nos, oprime-nos.
E, livre, nem ela mesma sabia o que pensava.
Estou cada vez mais viva, soube vagamente. Começou a correr. Estava subitamente mais livre, com mais raiva de tudo, sentiu triunfante. No entanto não era raiva, mas amor. Amor tão forte que só esgotava sua paixão na força do ódio.
Adeus, esforço de asa apenas acenado,
livre obstinação de voo,
universo pelo verbo revelado,
criação e prodígio!
Quanto eu devia ter vivido presa para sentir-me agora mais livre somente por não recear mais a falta de estética...
Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias. Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho. Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranqüila em nada, feliz em nada. Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: “Ei, não quer conhecer minha casa nova?” Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca.
“Um passo adiante na convalescença: e o espírito livre se aproxima novamente à vida, lentamente, sem dúvida, e relutante, seu tanto desconfiado. Em sua volta há mais calor, mais dourado talvez;sentimento e simpatia se tornam profundos, todos os ventos tépidos passam sobre ele. É como se apenas hoje tivesse olhos para o que é próximo. Admira-se e fica em silêncio: onde estava então?”
Deus é mais forte que a morte, Ele vive pra sempre.
O Amor é mais forte que a morte, Ele vive pra sempre, com Ele eu vu viver.
Não habite lugares na vida de pessoas que não dão esse lugar deliberadamente e espontaneamente, simplesmente saia.
Existe um ponto quase que insano de quequando as pessoas terminam um relacionamento, passam a se envolver com muitas outras sem qualquer compromisso. Isso não é errado, façamos as vontades que temos, isso é de nossa natureza.
Contudo, parece ser uma busca por algo que sentiram falta no relacionamento anterior, algo que talvez não receberam e que agora, passam a procurar nos corpos de várias pessoas.
Eu não vou continuar assistindo você
Dançar em torno de sua fumaça
E extinguir-se
Você não é a luz que eu conhecia
Eu não acredito em redes de segurança
Chaves fora do alcance,
Fazer isso certo para não se deixar ir
Com que chaves você tem que se prender?
Ou estará deslizando, indo embora de si mesma
Escorregando, deslizando , deslizando a si mesma através de suas mãos
Qual é o problema ?
Você não tem chuva suficiente
Para fazer a sua tempestade
Porque você parece tão triste
Onde está a luz que eu conhecia?
Onde está a luz que eu usei para nos comunicarmos ?
Deslizando, deslizando, escorregando pelas suas mãos!
Um novo dia nasce e com ele um novo tempo
Sem coleiras nem promessas
Apenas belos sentimentos
Um novo dia nasceu e com ele um novo tempo
Quem se prende ao passado morre
Eu aprecio o movimento
