Parabéns Meu Filho
Filho das encostas orientais
de três serras que dá vida
à nossa terra assim tem sido
o Rio Cubatão do Sul.
Sob o Sol, a Lua e as estrelas
do Hemisfério Sul não pode
mais sentir o quê tem faltado,
ele precisa ser acarinhado.
Como rio tudo de si tem dado,
e para que dure ser retribuído,
porque da nossa parte é o mínimo.
Haverá vida, riso e paraíso
enquanto deixarmos o rio
cumprir o curso do seu destino.
Sob o Hemisfério Austral
é filho da Serra Queimada
nos contrafortes da amada
Serra do Mar da minh'alma.
Das intensidades levo tudo
o quê o Rio Cubatão do Norte
ensina e a tudo sobrevive,
porém até ele tem limite.
A memória se reforça
no curso das correntes dele
e votos refaço fervorosa.
Para que ele se refaça,
sobreviva e continue a missão
para que a vida prossiga.
Se os “justos juízes” de plantão, fossem pessoas desprovidas de pecados, como acreditam, o Filho do Homem já teria voltado.
Os que se precipitam no abismo das panelinhas não percebem que o Filho do Homem é especialista em vasos.
Que o Filho do Homem te favoreça com a Graça de poder ir sempre além, mas jamais além do alcance das mãos Dele.
No abismo das panelinhas só se precipitam os que ignoram que o Filho do Homem é Especialista em vasos.
NeiVes, o mestre artista, filho de Bernardina e de Ramon Batista. Guardião de saberes ancestrais, consagrado em grandes carnavais como um grande intérprete, ensaiador e ritmista. O sopapo, seu tambor-rei, regia o samba. Na General Telles, o maior, o mais bamba. Na Estação Primeira, mostrou ao povo como se faz um carnaval. Na Academia do Samba, não precisavam perguntar: "Quem é você? Quem é você?" Todo mundo o conhecia, e quem não conhecia vai agora conhecer. Lançou seu primeiro samba ainda no quartel, sobre os grandes Lanceiros Negros. Merecia um troféu! Queria tê-lo ouvido tocar ao som envolvente do tambor-rei, instrumento com o qual me encantei.Samba com nome único, ritmado com o coração, homenagem aos companheiros de farda: O Segundo Esquadrão. Retratava bravos guerreiros, uma grande famíliana linha de frente da Revolução Farroupilha.Um paralelo entre ele e o antigo esquadrão escravizado, montados em cavalos e de lança na mão, no passado. Hoje não lutamos com lança, mas há uma esperança pra quem ainda acredita na educação. Já dizia uma amiga minha: "Salvem a professorinha! Salvem a professorinha!" Quase uma analogia do antes e do agora, diante das batalhas, com promessas ilusórias,onde só vejo luta e nada de glória. Presidente da Academia no campeonato de oitenta e sete, época boa em que a cadência do samba batia no ritmo do coração, com fervor. Ao som do sopapo ensurdecedor, que o peito refletia e reflete.Pode acreditar: ele ainda é manchete! Nasceu com o dom de ver gente morta. Com que frequência? Todo o tempo. O que para ele e seus pais era um tormento. Seus pais diziam que era coisa do demônio aquilo que ele via. Depois ele cresceu e disse: "Assim como o Papai Noel, o Diabo não existe".
Nasceu e cresceu rodeado pela espiritualidade, com a proteção dos pretos-velhos e orixás, os quais traziam à tona a sua mediunidade. Através dela, resgatou o sopapo esquecido nos porões da cidade. Mas não foi sozinho: levou consigo sua ancestralidade. O trabalho da vida, motivo de felicidade, contrastando com o sofrimento ao ver o sopapo ser substituído pelo surdo de terceira. Restando o lamento... Seria o fim de carreira daquele que ecoou na Telles, Academia e Estação Primeira? Não! Graças ao griô que acreditou no tambor que atravessou fronteiras.Trazendo à tona o verdadeiro som que eleva a alma e que satisfaz: o do sopapo que dá vida à
sonoridade sagrada dos orixás. Instrumento ancestral de negros escravizados, para o Mestre Batista, todo sopapo é sagrado.Usado na religião, atravessou fronteiras, feito de muitas madeiras e de couro animal oriundo do abate. Hoje o instrumento venceu barreiras, tornou-se contemporâneo graças a grandes debates. Sua arte virou pública, chamava a atenção por sua sonoridade grave e única. Segundo o próprio mestre, era instrumento versátil e de grandiosa percussão. Feito nas senzalas e nos cativeiros das charqueadas, pelo suor das mãos calejadas no tempo da escravidão,versando da valsa ao tango... E, assim que foi para o carnaval, virou objeto profano. Hoje se usa a invenção de Graham Bell,mas, antigamente, o sopapo mandava mensagem pelo ar,com o toque do tambor como se fosse um cordel, com avisos de orixás que ecoavam no céu.O mestre foi uma joia rara. Fundou o Filhos de Zumbi, hoje Odara.Fez parte do Cabobu, idealizado por Giba Giba, com o qual teve forte ligação. Giba Giba tinha uma mente coletiva e viva; para o Mestre Batista, era um anarquista, um guardião.Seu ensinamento ainda ecoa, eternizado também no Museu da Pessoa. Multitarefa: além da forte ligação com o carnaval, foi ajudante de pedreiro, taxista e oleiro, deixou sua marca na Vidraçaria Ideal e Cruzeiro.Abençoado em tudo o que desempenhou, foi motorista na Nossa Senhora da Penha, onde se aposentou. A sabedoria lhe pertencia e o consagrou, eternizado com saudosa alegria para sempre no coração de Dona Maria.Deixou seus ensinamentos ao grande luthier, seu filho, Mestre José,pois sabemos bem que filho de guerreiro, guerreiro também é. Como dizia Mestre Batista: "Tudo que se refere à cultura me agrada. Sou negra em movimento e feliz".E, como ele, sigo a minha estrada, amando o som do tambor como uma aprendiz. Mestre que em vida brilhou, recebendo em 2008 o título de Mestre Griô.Guardião sagrado da memória oral, do samba e da luteria do tambor do sopapo,tendo reconhecimento oficial, pois era a cultura viva da Ação Griô Nacional. Não é sobre o tambor em si, é sobre aquilo que tem no sopapo e que se sente. É algo que envolve toda a gente. É energia viva, ancestral e latente.
Se em algum momento você não soube se eu falava do sopapo ou do Mestre Batista,você também já pode recontar a história desse artista.
Tive muito tempo para dizer tudo que uma mãe gosta de ouvir de um filho, mas por covardia, ou por pensar que mães fossem eternas me calei. Agora a saudade e o silêncio diz tudo o que sinto e o que quis dizer e não disse e das roseiras que cultivo! A minha preferida não precisará da primavera para florir, pois que é eterna no meu jardim da saudade...(Patife)
É melhor ser castigado na infância e adolescência como filho. Do que ser punido na juventude como bandido...(Patife)
"Quando um homem descobre que seu pai tinha razão, geralmente já tem um filho que o acha um errado. Filhos um dia o passado vai dizer o tipo de filho que você foi, aí a saudade vai bater e o simples fato de ouvir a musica "naquela mesa", na voz de qualquer cantor,vai fazer teus olhos transbordarem de lagrimas."
Meu filho, se os maus tentarem seduzi-lo, não ceda! Se disserem: "Venha conosco; fiquemos de tocaia para matar alguém, vamos divertir-nos armando emboscada contra quem de nada suspeita! Vamos engoli-los vivos, como a sepultura engole os mortos; vamos destruí-los inteiros, como são destruídos os que descem à cova; acharemos todo tipo de objetos valiosos e encheremos as nossas casas com o que roubarmos; junte-se ao nosso bando; dividiremos em partes iguais tudo o que conseguirmos!" Meu filho, não vá pela vereda dessa gente! Afaste os pés do caminho que eles seguem, pois os pés deles correm para fazer o mal, estão sempre prontos para derramar sangue.
Se as pessoas praticassem a sinceridade e harmonia, usando palavras boas e ponderadas, pais e filhos não estariam separados.
" Vi mais coragem num gole de vinho que numa batalha épica, santa seja a parreira,bendita seja a uva."
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