Para uma Pessoa Perdida
Lutar contra você mesmo não deve ser uma batalha perdida, afinal você conhece seus pontos fracos e fortes. 05/01/2026
Todo o prazer insaciado é uma oportunidade perdida pela vida.
Na era da memória digital, a própria perda está perdida.
Que oportunidade perdida!!
você seria a alegria
o riso extravagante
o caminho fácil
o abraço quente e acolhedor
o amanhecer na certeza do amor
mas optou por ser apenas alguém
que passou e corroeu sonhos
deixou marcas
que foi, como se nada tivesse acontecido
tamanha frieza, indecisão
entretanto, entre tantas coisas
doeu
não pelo que você levou
e sim pelo que era seu
por isso lhe digo
para mim você foi muito
mas sem dúvida
por ir
foi você quem mais perdeu...
Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez
.......................................................
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não, não, não, oh
Tente
Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça aguenta se você parar
Não, não, não, não, não, não
Há uma voz que canta, há uma voz que dança
Uma voz que gira (gira) bailando no ar
Alma perdida
Às vezes sinto-me tão vazia
Como se nada mais pudesse sair de mim
Eu abro e fecho portas
Acendo e apago cigarros
Abro e fecho as mãos
Acendo e apago desejos
Nada mais sai de mim
Nem mesmo essas palavras
Elas saem do vazio
Que tomou posse do que fui
E quando é assim e nada sai de mim
Não vejo o início, não vejo o meio
E isso me acende o desejo do fim
Talvez eu tenha saído ou sido retirada
Por isso nada mais sai de mim
Seria um anjo caído?
Um andarilho sem rumo na estrada?
Alguém viu minha alma?
Acho que ela foi roubada
Quero senti-la de novo
Mesmo se estiver quebrada
Eu não estou perdida
Não é falta de direção,
é excesso de mundo dentro.
Minha mente não se cala,
ela transborda.
São pensamentos, memórias, medos,
tudo ao mesmo tempo,
como se o silêncio não tivesse vez.
Eu não estou perdida.
Eu estou cheia.
Cheia de coisas que ainda não viraram forma,
cheia de sentimentos sem nome,
cheia de histórias que insistem em existir
mesmo sem saber por onde começar.
E no meio disso tudo,
existe uma parte minha
que pede paz…
mas existe outra
que entende:
é desse caos
que eu crio.
Então que seja.
Se minha mente é um turbilhão,
eu escrevo dentro dele.
Uma criança perdida na aduana
Na fila fria da aduana vazia,
um carimbo ecoa, corta a nostalgia,
luz fluorescente, cheiro de papel,
e um mundo adulto que nunca foi céu.
Pequenos passos num piso riscado,
um nome trocado, um visto negado,
o guichê não olha, só pede razão,
mas a infância não cabe em formulário e mão.
Há bandeiras cansadas no vidro embaçado,
México distante num sonho quebrado,
Uruguai sussurra num vento lateral,
Colômbia sangra num mapa postal.
E a criança pergunta sem ter voz alta,
por que a fronteira sempre falta e assalta?
Se o mundo é um só, por que dividir?
Se o peito é caminho, por que impedir?
Um rádio distante fala em espanhol,
mistura de ordem, de medo e farol,
e o agente carimba sem nem perceber
que ali tem um universo tentando crescer.
Tem cheiro de estrada, de ônibus antigo,
de alguém que perdeu o próprio abrigo,
de um Renault velho cruzando a serra,
levando saudade que nunca se encerra.
E a criança espera — não sabe o quê,
talvez um abraço que o mundo esqueceu de ter,
talvez um sinal, uma mão no ar,
dizendo “pode ir, você pode passar”.
Mas a aduana é feita de tempo e parede,
de quem não entende a sede da rede,
e a infância ali vira só suspensão,
entre o “fica” e o “vai” sem tradução.
No fim, só restam selos no olhar,
e um mapa que aprende a não voltar,
mas mesmo perdida, insiste em sonhar:
que toda fronteira um dia vai respirar.
Sentir-se perdida é um inferno.
Quando a única coisa que te faz fugir da realidade, por mais curto que seja o tempo, é também o que você não pode ter.
Tão perto dos olhos,
tão longe das mãos.
Estar perdida em minha própria mente deixou de ser uma confusão passageira.
Passou a ser o peso de não saber qual o meu lugar no mundo.
A sensação de estar viva, mas sem um destino exato. Onde cada escolha parece errada ou vazia.
O futuro é inconsistente e assustador.
O relógio suspirava em espirais douradas enquanto a bússola dormia de bruços, agulha perdida em seu próprio coração. A cachoeira subia em silêncio — gota a gota, nascendo do rio, voando para as montanhas, esquecendo que um dia foi nuvem. A lua, então, era apenas o reflexo de um tabuleiro de xadrez jogando sozinho há milênios, onde brancas e pretas trocavam segredos de boca fechada. A dama de copas tirou a coroa e virou rio, depois vapor, depois pergunta suspensa no ar. Os pensamentos, esses, nunca existiram de verdade — eram apenas o eco de movimentos que o relógio prometia mas nunca cumpria, horas que se recusavam a nascer. E quando a bússola despertou, finalmente soube: norte é onde a cachoeira descansa, sul é a lua fingindo ser lua, leste e oeste são as duas cores do tabuleiro dançando em círculos. A dama sorriu, porque entendeu — ser rainha era nunca ter sido peça, apenas água disfarçada de coroa, tempo disfarçado de estratégia, direção disfarçada de perda. Tudo faz sentido quando aceitamos que é o sentido natural da existência.
"Você pode se sentir perdida, deslocada ou até colocada no lugar errado, mas isso não significa que ficará ali para sempre."
A arte perdida de seguir em frente sem explicações.
Apenas siga e deixe que as pessoas presumam o que quiserem.
O resto é interpretação alheia.
“Perdida entre o que digo, o que não quero dizer, o que já disse e tudo aquilo que ainda preciso dizer.”
Inverno implacável
No inverno que se estende, frio e implacável,
minha alma vagueia, perdida e sem abrigo.
Procuro a poesia, mas a esperança é frágil,
as palavras escapam por entre meus dedos, como o vento pelas frestas da janela... gelando completamente meu lar, meu abrigo.
Desiludida, caminho por ruas de sombra,
onde o eco do silêncio grita ardorosamente.
A beleza se esconde, a luz já não assombra,
e em cada estrofe, sinto o peso da vida... meus pés dormentes.
Mesmo na noite mais sombria e profunda, porém,
a chama do sonho não se pode apagar.
Pois mesmo cansada, a busca é fecunda,
e um dia, quem sabe, renasça a esperança de recomeçar.
Assim, a dor se transforma em verso,
e o inverno cede espaço ao calor que amana do universo.
A pior guerra é a que travamos diariamente conosco mesmos! Aquela que, se for perdida, destruirá absolutamente o mais importante: nossa consciência! Isso acontecendo, o humano estará perdido e nos restará tão somente o ser!
