Para sempre
Sempre haverá um
condor acompanhando
cada passo meu,
neste peito devoção
há pelo continente,
não sei qual será
o destino da nossa gente.
Talvez a segunda onda
virá ainda mais forte,
será usada como álibi
para a injustiça culposa
do vício daqueles tais
que têm poder evidente.
Sempre haverá um
condor acompanhando
cada verso meu,
que insiste rogar
pela liberdade do General
que está preso inocente,
e por uma tropa igualmente.
Talvez a segunda onda
virá ainda mais atroz,
o Peru amanheceu mais
uma vez sem presidente,
apareceu mais de um algoz,
e não há grupo interferente.
Pela primeira vez nunca
tivemos tão distantes
de alcançar a luz do final do túnel
de cada rincão e dos instantes,
não arrisco a previsão
que virá daqui para frente.
Só sei que a vida por aqui
está a cada dia mais indecente,
e o povo sendo condenado à indigente,
que cada poema me custe o sangue,
tenho orgulho da minha insônia
serena de quem não vive indiferente
neste mundo onde nem as araucárias vivem livres.
Prenderam a esposa
e o filho pequeno
como sempre
para forçar a barra
e a apresentação
(da justiça eles
têm sido a negação).
Este inferno não
só eu conheço,
e todos sabem
bem como eles são
(acima do Bem do Mal,
e de toda a razão).
O levaram para o tal
conhecido endereço
sem cinco estrelas,
o famoso inferno
de cinco letras:
Um jornalista sem
direito a ampla defesa
continua preso
vítima de uma história
sem pé nem cabeça:
(escrevo para que
ninguém esqueça).
E cada que vez que
uma história abate
algum peito é na dor
dela que me abraço
e com ela permaneço:
(porque é na dor do
mundo que me reconheço).
Assim tenho contado
tantas histórias desde
quando um General
injustamente foi preso
e até hoje contra ele não
há nada que justifique
permanecer a estúpida prisão;
(e assim segue a rima repartida
com todos os presos
de consciência em igual situação).
Neste mundo temos
muito o quê celebrar
sempre um ao outro,
Porque viver o amor
romântico para uns
se tornou estranho.
Nós dois somos
bem mais ligados
do que zinco ou estanho
com potentes metais,
E todos os dias nos
queremos ainda mais.
Não tem ligação com
o autor das Histórias
que serão contadas,
Mas deve ser por
nós sempre lembrada,
Como lição a não
ser nunca mais repetida:
A rádio em Ruanda
foi usada como arma,
e da memória não
deve nunca ser apagada.
Não existe tragédia
maior do que a outra,
Cada uma carrega
o seu veneno particular.
De Grozny na Chechênia
a memória não deixa
da minha mente apagar.
A televisão foi usada
para reputações
mentes e corações
diante dos olhos
e sonhos assassinar.
Não existe tragédia
menor do que a outra,
Cada uma entrega
a natureza da liderança.
De Aleppo na Síria
a História se fez
por ação destrutiva.
A comunicação cortada
ampliou a extensão
do terrorismo brutal,
e corremos o risco
do esquecimento geral.
De Agdam no Azerbaijão
a história da devastação
conheço muito bem
e a extendida agressão.
Não existe tragédia
maior do que a outra,
Cada qual separa um
povo irmão e a fixação
de quem a fez continua.
A tragédia de Mariupol
na Ucrânia é mais uma
que não será esquecida.
Não existe tragédia
maior do que a outra
a de hoje foi na imprensa
e na tecnologia gestada.
Da Criméia por ela
ocupada só confirma
que 1944 ainda vive.
Não existe tragédia
maior do que a outra,
ela pichou a sua marca
na porta de uma casa.
A Rússia sabe muito bem
como é conviver com
a tragédia e dela ser refém.
A livre consciência ninguém
detém e as almas protetoras
das cinquenta montanhas,
Eis a ironia do destino feita
para infernizar tiranos
e derrubar todas muralhas.
A paz nem sempre tem a bandeira branca, pois há a questão da diversi-
dade de caráter, no entanto ser feliz é primordial.
A trajetória de cada um tem prólogo, prefácio e epílogo, nem sempre há qualidade ou somente defeitos, eis o fiel da balança.
Aprenda - Sempre haverá alguém que faz o que você faz mais barato (se é bom ou de qualidade... não importa!) Alguém sempre fará o que mesmo que você faz, só que mais barato. (pois é)
