Para que Tanta Mentira Magoa e Dor
Mágoa
Quebrou-se em mim
Um coração cheio de dúvidas
Que se estendeu pelos tendões
Pelas mãos, pelos pés, pelos sapatos e luvas
Tentei curar, tentei conter
Mas um organismo foi formado
Um instinto de defesa
Que me pergunta o que devo fazer
Eu tento. Tento viver, tento acreditar
Eu tentei, tentei de tudo que é jeito
Mas algumas coisas morrem por completo
Quando morrem dentro do peito
Não devemos nunca magoar a quem quer que seja; principalmente as pessoas que nos são mais caras. Quando elas se forem para sempre, são dessas atitudes que mais nos lembraremos ao longo da vida.
"Sinto saudade de quase tudo dos meus anos 60, mas também tinham; o Óleo de rícino, Emulsão de Scott e o cruel Merthiolate de assoprar desesperado.
Desses eu guardo mágoa"
E da ferida necrosada, retiro a carne morta e limpo-a para que cicatrize.
Devoro os cadáveres e deixo a terra pronta para o plantio.
Adubo o solo já seco e árido, ainda que não vá ver as flores que ali brotarão.
Eis que sou como os corvos, com sua aura de morte e dor, vivendo a par da humanidade
E ficando apenas o tempo necessário para fazer o que é preciso.
Ainda que não vá comer do fruto das futuras arvores, ainda que nem chegue a pousar em seus frondosos galhos, ainda assim faço meu trabalho.
E alço voou sem nunca ter um abrigo fixo.
Caiu e fez-se em mil pedaços. Ela insistentemente tentava junta-los e só o que conseguia era cortar-se cada vez mais mais.
Quando criança, sempre caia da árvore e me ralava toda, eu prometia que não voltaria a subir. Em meio aos choros que eu engolia devido a dor e ardência, e enquanto olhava o sangue escorrer, eu prometia que nunca mais chegaria perto de árvores, que jamais voltaria a sentir aquela dor novamente. Mas então o sangue estancava, a dor passava e eu voltava a subir. Obviamente voltava a cair e todo o processo ocorria que nem antes. Mesmo depois de tanto tempo, continuo fazendo a mesma coisa, só que sem subir em árvores.
Minha mente meio tórpida balança entre o agora e o talvez, absorvendo possibilidades que quase parecem lembranças de tão intensas sensações que experimenta.
Meu ser meio adormecido, tenta agarrar-se a dolorosas ilusões que aos poucos se desfazem e escapam feito poeira passando por entre os dedos.
Minha mente, agora lucida, castiga-me com memórias forjadas, desejos inalcançáveis e abre reais feridas.
Meu ser já tão cansado, entorpece-se mais uma vez e minha mente volta a balançar.
O pulmão arde pela ausência de oxigênio, os braços e pernas, cansados do esforço para tentar emergir, aos poucos reduzem sua velocidade. A dor cresce em um ritmo maior do que ela consegue subir e aos poucos ela se entrega e inerte se deixa afundar…
Acredite, ela preferia ser diferente. Preferia ainda ser capaz de sorrir por qualquer coisa, sorrir de verdade. Não aquele sorriso que ela ensaia todos os dias em frente ao espelho para poder fingir que esta tudo bem e preferia sair pulando em poças na chuva ao invés de sucumbir na tempestade dentro dela.
Acredite, ela ainda ama ver o sol nascer e dormir ouvindo as gotas de agua tilintarem no vidro da janela, ela ainda ama dar as mãos e girar no meio da rua, mesmo que isso pareça ridículo,ela ainda ama abraços apertados, sair andando de madrugada sem ter um rumo, só para olhar o céu estrelado. Ela ainda torce para chover enquanto você estão a pé e longe e casa só para poder correr com você na chuva, ela ainda ama cantar mesmo que desafinado e que sujem o nariz dela com a massa do bolo.
Acredite, ela se divertiria bem mais se a massa acabasse espalhada em vocês dois e por toda a casa do que dentro do forno.
Acredite, ela ainda ta ali em algum lugar, mas ela esta se afogando de forma lenta e não consegue voltar a superfície. Ela estica as mãos diariamente na esperança de que alguém veja e a salve… Porem é caos demais para saber lidar, se nem ela consegue imagina outra pessoa.
Acredite, ela entende, mas isso não tira a dor que ela sente por estar morrendo.
PARTO
Meu partido não é POLÍTICO
É do poético que parto,
Não é do parto das ideias (Sócrates)
Mas parto das palavras (...da dor),
De meu coração PARTIDO.
(Arnaldo Toni)
Uma coisa é o que te fizeram sofrer. A outra é a angústia e os conflitos decorrentes das marcas que deixaram em você. Mas o pior de tudo mesmo é quando, no final das contas, você se convence de ser aquilo que te fizerem ser.
A DOR POR AMAR
Se nunca percebeu que amar dói...
Então nunca amou alguém de verdade;
Se a ausência do amado não te traz
uma certa inquietação, uma eterna espera,
não é relevante o teu sentimento.
Se saudades não sente...
Um vazio no teu peito não arde?
então não digas juras de amor.
Se não amas com medo da dor,
se arrasta-te nas margens vida,
vegetas e já não vives...
E jura que os teus dias não tem cores,
e sua vida é vazia por amar:
Pois, ainda que sinta dores por amar:
Amar vale a pena.
Se fugires da dor, se foges de amar...
É desistir de viver;
Pois no fim se descobre que
amar é indispensável à vida;
Pode-se fugir, esconder-se...
Inventar-se mil desculpas,
mas sem sofrer a dor por amar a vida não tem graça.
Negritude
Ouço o eco gemendo,
Os gritos de dor,
Dos navios negreiros.
Ouço o meu irmão,
Agonizando a fala,
Lamentando a carne
Pisada,
Massacrada,
Corrompida.
Sinto a dor humilhante,
Do pudor sequestrado,
Do brio sem arbítrio,
Ao longe atirado,
Morto e engavetado,
Na distância do tempo.
Dói-me a dor do negro,
Nas patas do cavalo,
Dói-me a dor dos cavalos.
Arde-me o sexo ultrajado
Da negra cativa,
Usada no tronco,
Quebrada e inservida,
Sem prazer de sentir,
Sem desejos de vida,
Sem sorrisos de amor,
Sem carícias sentidas,
Nos seus catorze anos de terra.
Dói-me o feto imposto ao negro útero virgem.
Dói-me a falta de registro,
do negro nunca visto
Além das senzalas,
No comer no cocho,
No comer do nada.
Sangra-me o corte na pele,
Em abertas feridas,
De dores doídas,
No estalo da chibata.
Dói-me o nu do negrinho
Indefeso escravozinho,
Sem saber de razões.
Dói-me o olho esbugalhado,
No rosto suado,
No medo cravado,
No peito do menino.
Dói-me tudo e sobre tudo,
O imporque do fato.
Meus pêsames sinceros à mentira
multicolor da princesa Isabel.
Mas contudo,
Além de tudo
E muito mais por tudo,
Restou-me invulnerável,
Um imutável bem:
Ultrajadas as raízes,
Negados os direitos,
Ninguém roubou-me o lacre da pele.
Nenhum senhor. Ninguém!
Viver é,
Saber se sobrepor à toda dor,
Toda pancada,
É conseguir olhar pra si mesmo,
Sabendo que nos momentos mais difíceis é você que estará lá pra se resolver,
Nos mais alegres é você que fará sua melhor comemoração...
Acredito que isso seja um reflexo da modernidade líquida,
Cada dia mais as pessoas estão mais envoltas de pessoas e mais vazias de verdade...
Tipo um esconde-esconde,
Onde pessoas usam máscaras,
Até mesmo elas,
Acreditam em sua própria mentira,
Vida fake,
Um Avatar de redes sociais,
Uma hora que cai,
Vira estilhaço,
Cortando à si e aos outros ao seu redor,
Mas,
Quem se importa,
Já que se tem umbigo,
O mais incrível é que ninguém é perfeito,
E o escudo tornou-se olhar pro defeito dos outros,
Para se sentir melhor,
Aonde?
Não sei,
Se defeito é defeito,
Só muda de nome ou pseudônimo.
A dor da "crocodilagem" das pessoas que a gente considera e ama, é pior que a dor da faca cravada nas costas!
Poesiacalma...
(Nilo Ribeiro)
Poesia branca,
anti luto,
a dor ela estanca,
nasce um fruto
poesia da paz,
anti pesar,
você é capaz,
segue a caminhar
poesia do sossego,
anti derrota,
é o seu aconchego,
aninhe-se como a gaivota
poesia da quietude,
anti estresse,
viva a sua plenitude,
faça uma prece
poesia da brandura,
anti agitação,
acabe coma sua amargura,
pratique a redenção
poesia da tranquilidade,
anti ansiedade,
busque a sua felicidade,
vá pelo caminho da verdade
poesia da calma,
anti ira,
reconcilie com a alma,
não viva da mentira
poesia da meditação,
anti preocupação
faça uma reflexão,
acompanhada de uma oração
o silêncio desta poesia,
é a favor da luz,
agradeça pelo seu dia,
agradeça a Jesus...
Talvez
Talvez não seja ausência
Nem seja dor
Pode ser medo do seu desamor
Talvez não sinta alegria
E nem queira minha companhia
E percebeu, se enganou
Talvez seja mentira
Tenho medo que demore
A declarar verdadeiro amor
Talvez nunca declare
Nesse caso não tem jeito
Quando perceber que existo
Já não saberá a meu respeito.
A vontade de curar essa dor que é tão mais forte que eu, que chegou na alma. Que dói tão dilacerante, quanto a mentira pra mim mesma que tá tudo bem. Não tá.
