Para Além da Curva da Estrada
Depois da curva, onde talvez esteja o fim desta estrada, passei por encruzilhadas e retornos, até chegar ao recuo e perceber que a trajetória valeu o sacrifício.
O destino, sentado na curva da estrada,
sozinho, em silêncio,
resmunga e se questiona:
— Por quê?
Por que o povo já não acredita mais em mim?
Pois é, destino...
O povo mudou.
Aprendeu que o destino não passa de uma palavra,
e que palavra alguma é capaz de dirigir uma vida vivida.
Quem vive de expectativas é teatro —
influenciadores.
O povo, esse sim, vive de realidade.
O destino não pode manipular
a vida de ninguém.
No silêncio do passado esquecido, espero por ti.
Na estrada deserta, na curva estreita, encaro o destino que insiste em me assombrar.
Se vivo de ilusões e a esperança já se dissipou,
peço-te: não busques saber onde estou.
Habito um limbo — esquecido até por mim —
sem rastros, sem lembranças, apenas sendo.
Aguardo, sem saber quando,
o dia incerto,
a hora de partir.
A estrada da vida é sempre de duas vias, você percorre faz a curva e na volta observa os filhos percorrendo na paralela.
O que parece fim é apenas curva da estrada.
Siga com firmeza e dignidade, e verá que cada obstáculo carrega uma nova possibilidade.
A vida, às vezes, se apresenta como uma estrada maltratada, cheia de buracos e curvas perigosas. Para quem já aprendeu a caminhar entre tombos e tropeços, cada obstáculo deixa de ser um fim e passa a ser apenas mais um trecho do caminho.
Os buracos não paralisam quem já conhece a dor da queda. Pelo contrário, tornam-se parte da paisagem, lembrando que a resistência não nasce do conforto, mas da luta. Quem vive aos trancos descobre que a estrada ruim não é inimiga, mas professora: ensina a levantar rápido, a endurecer o passo e a enxergar além da poeira.
O percurso não é fácil, mas é verdadeiro. E quem segue, mesmo entre tropeços, carrega dentro de si uma força que não se mede pela suavidade da estrada, mas pela coragem de continuar caminhando.
Às vezes a estrada fica com muitas curvas. E temos que decidir se seguimos enfrentar ou ficar no labirinto das dúvidas. A vida é um caminho sinuoso, cheio de escolhas e incertezas. Mas é justamente nesses momentos que encontramos a nossa força e coragem. Para seguir sem dor, com muito amor próprio. É preciso encontrar a nossa própria voz. E ouvir o que o coração tem a dizer. E deixar que a sabedoria interior nos guie.
Maria Bueno.
Às vezes a estrada fica com muitas curvas. E temos que decidir se seguimos enfrente ou ficar no labirinto das dúvidas.
"A vida é como uma estrada repleta de encantos: a cada curva, descobrimos novas paisagens, a cada parada, encontramos pessoas fascinantes e em cada destino, aprendemos valiosas lições."
Pelas estradas da vida
estou eu a caminhar
Atravesso Pontes,
terrenos pedregosos
faço curvas perigosas
mas nunca desisto de caminhar
Às vezes é preciso parar
Que seja para descansar
se recompor, refazer os planos
Recuperar as energias
Refazer estratégias
Porque nunca é conveniente
que se ignore a sinalização
Sinais de perigo ou setas
Sinalizam que é preciso
parar e repensar
manter os sentidos em alerta
O importante é nunca desistir
Se tropeçar, tente se equilibrar
Se cair, procure se levantar
Porque o importante
não são as quedas
Mas como as superou
e a seu destino chegou
editelima
Um dos grandes desafios na estrada da vida é estar atento a uma curva inesperada que, nem sempre a enxergamos antes de entrar nela.
Soneto da Vida Eterna
De passo em passo vou mudando a estrada,
E a cada curva, um novo amanhecer;
A vida nunca é reta, nem traçada,
Mas um constante e belo renascer.
Há reencontros na jornada percorrida,
Há despedidas que ensinam a ficar;
E toda mudança acolhida na vida
É uma nova forma de se encontrar.
O bem não mora apenas na grandeza,
Mas no instante singelo e verdadeiro:
Como num lago em calma, ou na suave certeza.
De ter alguém por perto o tempo inteiro.
Pois quem encontra amor na simplicidade
Já toca, ainda em vida, a eternidade.
Indefinição
Neves lá longe... perpétuas.
Sobre os pés estrada negra.
Curvas que se sucedem.
O vento é forte e gélido
Os homens nem sabem o que perseguem.
A lua brilha no céu
As estrelas mansamente bruxuleiam.
Céu sem nuvens.
Estrelinhas faceiras por ele passeiam.
Cheio de música o mar.
As ondas na praia a se esparramar.
O mar ondula.
Eu, armada de medo, mas aprendi sim o mundo enfrentar.
A vida é estrada de curvas e desvios, Onde tropeços revelam nossos vazios.
Cada erro, um espelho que nos desafia,
Cada queda, uma lição que nos guia.
Nos caminhos tortos que ousamos trilhar,
Aprendemos a levantar, a perdoar.
O tempo ensina, com paciência e cuidado,
Que o passo errado não é fracasso, mas legado.
Entre lágrimas e risos, vamos crescendo,
Entre perdas e ganhos, nos compreendendo.
O coração aprende a pesar com precisão,
O que vale a pena, e o que é ilusão.
E no fim, cada cicatriz, cada dor,
Se torna luz, esperança e amor.
Pois a vida é um poema em constante evolução,
Escrito com erros,
mas guiado pelo coração.
Elegia para Quem Esqueceu o Caminho
Perdeste-te…
Não foi na curva de uma estrada,
nem no desvio de um destino qualquer.
Perdeste-te onde a esperança já não envia socorro,
onde até o silêncio desiste de chamar pelo teu nome.
Habitaste uma mente em guerra,
um céu permanentemente coberto por tempestades,
onde a revolta fez morada,
o orgulho ergueu muralhas,
e a lucidez partiu sem se despedir.
Os teus ouvidos permaneceram atentos,
mas apenas às vozes errantes,
aos ecos daqueles que também caminham às cegas,
como náufragos convencidos
de que o horizonte pertence ao mar
e não à coragem de remar.
Fizeste das pressas uma religião,
das decisões impulsivas um altar,
e sacrificaste a verdade
em nome de promessas que nunca tiveram raiz.
Quiseste resgate,
mas nunca aprendeste a ajoelhar diante da humildade.
Quiseste respeito,
mas esqueceste que o caráter
não se veste como uma roupa de ocasião.
Constrói-se.
Sustenta-se.
Honra-se.
Vi-te entregar as cordas da tua própria vida
às mãos de quem nem sequer sabia
desatar os nós da própria existência.
Marionetas a conduzir marionetas.
Cegos a desenhar mapas.
Almas vazias a ensinar o significado da plenitude.
E assim foste caminhando,
cada passo mais distante de ti,
até deixares de reconhecer
o reflexo que o espelho, por compaixão,
ainda insistia em devolver.
Hoje parto.
Sem ódio.
Porque o ódio aprisiona.
Sem vingança.
Porque ela alimenta apenas quem já morreu por dentro.
Parto com a serenidade
de quem compreendeu que nem todas as batalhas
merecem ser vencidas,
e que algumas despedidas
são a mais pura forma de renascimento.
Não olharei para trás.
As águas passadas não movem moinhos;
apenas alimentam rios
que seguem o seu curso
sem pedir licença à saudade.
Deixo para trás o peso das ilusões,
o cheiro amargo das promessas quebradas,
as noites onde a verdade sufocava
sob o perfume enganador das aparências.
Levo comigo apenas o que o tempo não conseguiu roubar:
a consciência tranquila,
a dignidade intacta,
a paz de quem escolheu caminhar sozinho
em vez de permanecer perdido na multidão.
E se algum dia o destino voltar a cruzar os nossos passos,
que seja apenas para te mostrar
que havia, afinal, um caminho.
Mas esse caminho
nunca começou nos outros.
Sempre começou dentro de ti.
Adeus.
Que a vida te ensine
o que as palavras nunca conseguiram.
Que o tempo te devolva
a bússola que abandonaste.
E que um dia descubras
que a maior perda de um ser humano
não é perder alguém…
É perder-se de si mesmo.
Hassamo Abdurrahimo
