Palco
"Eu sou só o palco em que desfilas.
Eu sou a escuridão, para que você seja a luz que brilha.
Serei palavras soltas, para que meus pedaços você os una e recite poesia.
Serei tristeza, para que sejas alegria.
Serei a carne, para que me sangre com sua lâmina fria.
De bom grado, serei a morte, para que sejas vida.
Serei a seca, para que você seja a chuva por sobre as pradarias.
Farei-me efêmero, para que tu se eternize em minhas escritas.
Entre modas, sonhos de bodas, palavras não ditas.
Alianças derretidas.
Palavras, promessas, juras vazias.
Sentimentos, olhares, mulheres malditas.
Percebi que sou nada, além do palco em que tu, amada minha, desfilas..."
Podemos viver como expectadores da Vida ou subir no palco e desfrutar das maravilhas que ela nos proporciona.
Nem toda dor quer palco.
Algumas só querem consciência.
Quando eu dei nome ao que doía,
a dor diminuiu
e eu cresci.
🌙🌱
Viver de forma consciente
é sair do palco das desculpas
e assumir as escolhasque escrevem
o roteiro daprópria vida.
Beatriz Campos Arroyo
No palco da dor
O coração é o protagonista
Minha mente é a antagonista
Meu sentimentos são os coadjuvantes
Trapézio
No palco vazio da minha memória
um sopro acendeu teu nome no ar
era só ensaio, mas virou história
um tropeço da alma querendo cantar.
Te mandei um áudio, foi quase oração,
palavras nuas, sem máscaras, sem véu,
teu silêncio virou multidão
meu peito virou carrossel.
E eu danço sozinha no circo da vida,
meu coração é trapézio sem rede.
Se não me seguras, não é despedida,
é voo de quem já não teme a queda.
Tua resposta foi espelho quebrado,
metade verdade, metade invenção,
um truque barato de ator ensaiado
pra esconder do público a contradição.
Mas eu não sou plateia perdida,
nem boneca esperando aplauso.
Eu sou corda bamba erguida,
sou estrela cadente que risca o espaço.
E eu danço sozinha no circo da vida,
meu coração é trapézio sem rede.
Se não me seguras, não é despedida,
é voo de quem já não teme a queda.
Entre palhaços, luzes e cortinas,
aprendi que a solidão é camarim.
E quem não sabe ler suas próprias linhas
não pode escrever um final em mim.
Hoje desamarro as fitas do destino,
não carrego amarras, nem cordéis.
Se um dia tua alma buscar o caminho,
vai me encontrar voando em outros papéis.
Espetáculo final
Qual é o público que espia pela gaiola
enquanto atuamos no palco?
Quem são aqueles que puxam nossas cordas e
fazem o espetáculo?
O show acabou, nos aplaudiram, a cortina se
fechou, as luzes se apagaram, saímos do
palco, e agora?
"O universo não é o palco onde existimos, mas o crime de isolamento que cometemos contra o Todo; cada observador é um deus exilado que, ao se recusar a ser apenas 'Um', condenou a eternidade a se tornar tempo para poder ter o luxo de uma perspectiva própria."
Entre o Espetáculo e o Silêncio
Há existências que se erguem sobre o palco. São vidas que se alimentam da visibilidade, que transformam cada gesto em performance e cada instante em proclamação. Cercadas de amigos, festas e aplausos, parecem plenas de movimento e alegria. Mas por trás da música alta e das luzes cintilantes, há um vazio que não se confessa: a solidão.
Nessa vida, as necessidades pessoais tornam-se supremas, superiores a qualquer vínculo — filhos, pais, companheiros. O mundo gira em torno do desejo de ser visto, desejado, celebrado. A festa é refúgio, mas também prisão: companhia efêmera, vínculos superficiais, afeto substituído por euforia. No fim da noite, quando o silêncio retorna, resta apenas a ausência. A afirmação de que se está só “por opção” é narrativa defensiva, sustentada por padrões inalcançáveis de um parceiro ideal. O brilho fora compensa o vazio dentro, e a superioridade proclamada é apenas máscara para a fragilidade interna.
Mas há também outra forma de existir: aquela que se retira do palco e encontra força no silêncio. Essa vida não precisa de plateia, não depende de aplausos, não busca confirmação externa. Cada instante é vivido em sua plenitude, não como espetáculo, mas como presença. A viagem não é conteúdo, é vivência. O encontro não é performance, é intimidade. O cotidiano não é vitrine, é verdade.
Na sociedade da visibilidade, escolher a invisibilidade é um ato de resistência. É afirmar que nem tudo precisa ser mostrado, que há dimensões da vida que só fazem sentido no silêncio. Quem não precisa ser visto é livre: livre das expectativas, dos julgamentos, das comparações. Livre para errar sem plateia, para acertar sem aplausos, para existir sem máscaras.
Assim, temos dois modos de ser:
O da festa interminável, que parece abundância, mas termina em solidão.
O do silêncio autêntico, que parece ausência, mas revela plenitude.
Entre o espetáculo e o silêncio, cada um escolhe o modo como deseja existir. Mas é no silêncio, e não na festa, que a vida encontra sua densidade mais profunda. Pois o verdadeiro sentido não está em ser visto, mas em ser.
Tatianne Ernesto S. Passaes
A ilusão de pertencimento nas redes sociais barateou o palco, mas destruiu o valor da conquista.
Nas redes, o barulho é recompensado e a mediocridade é aplaudida, enquanto gênios e sábios permanecem invisíveis por optarem pelo silêncio.
Em cima das revelações, lamentos,
No palco das músicas tristes, sofrimento,
A liberdade foi transformada em ilusão, humilhação,
A máscara da alma caiu, reflexo.
Piso para os atuadores pedestres
Plataforma para os atuadores ativistas
Palco para os atuadores teatrais
Plateia para os atuadores auxiliares
Picadeiro para os atuadores circenses
Palanque para os atuadores candidatos
Lucci e Fabi saíram um dia,
com café frio e pouca energia.
“Precisamos de sala, palco e plateia!”
“E que não caia a internet véia!”
No Discord acharam só gato e cachorro,
um bot bugado gritando socorro.
Criaram canal, mas na hora do teste,
foi só silêncio… ninguém aparece.
Na Twitch pensaram: “Agora vai!”
Mas o chat xingava: “Cadê o Wi-Fi?”
Um cara entrou só pra pedir pão,
outro jurou que viu alien na transmissão.
No YouTube enfim tentaram pousar,
mas esqueceram de apertar “publicar”.
Gravaram três horas de puro talento,
sem áudio, só vento e um barulhinho de vento.
E assim na aventura, com riso e tropeço,
Lucci e Fabi seguem o progresso.
Porque no fim, não importa o bug do sistema,
a graça tá sempre em rir do problema.😂😂
No palco complexo da existência, somos tanto atores quanto espectadores de nossas próprias
narrativas. A verdadeira sabedoria reside em compreender que, enquanto protagonistas,
temos o poder de moldar nosso destino, mas como observadores, aprendemos a acolher o
fluxo da vida com humildade e gratidão.
Muitos trocaram o púlpito pelo palco;
Deixaram de ser luz no mundo para ser estrelas em um SHOW que era para ser culto, BUSINESS, o que era para ser Igreja.
