Palco
“O palco não me pede aplausos: ele me exige verdade. E toda vez que piso nele, deixo uma versão antiga de mim morrer para que outra, mais corajosa, respire à vista de todos.”
Durante muito tempo, guardei o meu sentimento em segredo. No palco da minha mente, planejei mil vezes como me declarar para você. Mas, na hora de falar, a voz sumia diante do tamanho do meu amor. É curioso como posso me sentir forte e, ao mesmo tempo, tão vulnerável diante da mulher que amo.Eu amei você em silêncio, nos detalhes que ninguém mais percebeu. Fui como uma estrela que fica escondida durante o dia, mas continua lá no céu, esperando a noite cair para poder te encontrar no único lugar onde éramos um só: nos meus sonhos.O silêncio, que antes era o meu abrigo, virou uma prisão pequena demais para a força desse amor.Hoje, não há mais sombra que consiga esconder o que sinto. Guardar este amor é impossível. O meu coração cansou de se esconder e decidiu criar uma ponte até você.Não quero mais que você seja apenas uma imaginação. Quero que você seja a realidade e a voz que dá vida aos meus dias. Quero sair do silêncio e viver esse amor às claras, trocando o sentimento guardado pela vida real, lado a lado com você.Amar em silêncio pode ser uma arte, mas amar você em voz alta é a minha liberdade.
Preferem o palco da briga e da humilhação com os grandões do que a parceria honesta com quem é pequeno e realmente se importa.
“Cérebro e coração são a dupla imbatível que nos guia com a bússola da alma pelo palco do desconhecido.”
" Felicidade não chega, ela invade. É uma dança silenciosa que ocupa o palco inteiro do universo que a gente é por dentro. "
- Bia Moretti.
Apego Ato 2
(Palco quase escuro. Um único facho de luz. Ele caminha lentamente.)
Assim termina o engano do meu próprio coração.
Eu, arquiteto da ilusão,
escultor de um trono que jamais me pertenceu.
Com mãos trêmulas de afeto ergui muralhas de admiração,
e no topo delas coloquei um ser humano…
feito da mesma fragilidade que eu.
Mas ceguei-me.
Preferi chamá-la de estrela,
para justificar minha disposição em viver na sombra.
Oh, que doce veneno é idealizar.
Enobrece o outro
e empobrece a si mesmo.
Fiz dela soberana de um reino que inventei.
Curvei-me diante de um amor que não pediu joelhos.
E quando clamei por reciprocidade,
o eco foi minha única resposta.
(pausa longa)
Mas eis a tragédia maior
não foi rejeição.
Não foi desprezo.
Foi consciência.
Consciência de que nenhum trono se sustenta sozinho.
Que todo pedestal exige um chão.
E eu… eu escolhi ser chão.
(olha para as próprias mãos)
Estas mãos que ergueram,
agora aprendem a desfazer.
Pois se amor houver de existir,
que venha sem coroas.
Sem alturas inventadas.
Sem abismos criados pelo excesso de devoção.
Que venha como encontro.
De pé.
Olho no olho.
Respiração contra respiração.
E se não puder ser assim…
(entonação firme)
Que caia o trono.
Que se despedacem os altares.
Que reste apenas a verdade
dois seres humanos
ou nenhum.
(A luz se apaga lentamente. Silêncio.)
Apego Ato 3
(O palco ainda guarda vestígios do trono quebrado. A luz nasce lenta, como amanhecer.)
Sobre as ruínas, permaneço.
Não mais de joelhos.
Não mais cego pela própria devoção.
Aprendi tarde, mas aprendi
que amor não é escalar alguém até os céus,
é caminhar ao lado, mesmo quando o chão treme.
Toquei o fundo da minha própria ilusão
e descobri algo inesperado:
eu também sou digno de altura.
(olha ao redor)
Que tolos fomos, eu e meu coração,
confundindo intensidade com entrega cega.
Amar não é desaparecer.
Não é reduzir-se à sombra do brilho alheio.
Amar…
é permanecer inteiro.
Se outra vez meu peito arder,
que arda lúcido.
Que admire sem se diminuir.
Que exalte sem se apagar.
Não construirei mais tronos.
Não erguerei altares.
Se houver amor,
que seja entre dois reis sem coroa,
duas almas sem palco,
dois humanos imperfeitos
que escolhem ficar.
(pausa)
E se um dia eu voltar a sofrer
que seja por ter sido verdadeiro,
não por ter sido menor.
(ergue o olhar)
Hoje não carrego mais o peso de sustentar ninguém.
Carrego apenas a responsabilidade de ser inteiro.
E isso…
isso é liberdade.
(A luz se expande. Fim.)
"Quem recebeu os aplausos, muitas vezes, era o mais triste no palco — e nem assim a multidão notou a sua dor. Afinal, ninguém paga pela tristeza dos outros!"
