Palavra Triste
CHORO
Cachoeira salgada
Delicado declínio
Se forma pingada
Me afoga em fascínio.
Cada alma que escorre
Na saliência do rosto
Num lenço se morre
Cada uma a seu gosto.
São almas que saem
É corpo que fica
Na mente que moro.
Lágrimas caem
Lembrança é rica
E por isso choro.
O ser que não suporta a solidão está condenado a viver entre a tristeza e a dor da própria existência.
Aquilo que não se pode mudar e nem se evitar não precisa ser lamentado. A vida segue o curso de uma odisseia, queira-nos ou não. A lamentação nada materializa, além da dor e sofrimento do ser que se martiriza.
A sensação de estar tão feliz naquele momento, mas a passagem do tempo leva junto a alegria, aquilo não durou como eu esperava... E depois de pouco tempo a felicidade é substituída por arrependimentos, pensamentos ruins, tudo aquilo que sempre digo para mim mesma "eu deveria ter feito isso" e toda a escuridão de antes cresce ainda mais, me sufocando, me impedindo de respirar.
Eu não me amo, isso é algo que eu não posso controlar. Dói, dói muito, todo esse sentimento que me adoece, tudo isso está tão difícil de suportar. Me olhar no espelho e só enxergar defeitos, tirar uma foto e apagar logo em seguida... Tudo que me quebra, todos os dias. E me dói saber, que por mais que eu tente, eu não tenho forças para tentar enxergar alguém através de mim, porque aos meus próprios olhos eu não sou nada
Carta para N.S.L.
A verdade é que nunca houve amor entre nós. Não de sua parte, pelo menos. Você não me amou quando cruzamos fronteiras e paisagens juntos, nem quando arriscamos construir um lar compartilhado. Você não me amou quando o caos engolia o mundo, nem quando dividimos o mesmo teto. Eu nunca fui sua âncora, nunca sua família. Para você, eu não passava de uma distração conveniente, uma relação transitória para curar feridas de outro tempo. Você amou outros, mas a mim... a mim você apenas utilizou. Sugou-me, sobretudo, emocionalmente, como quem busca tapar o vazio deixado pela ausência de um pai, como quem tenta desesperadamente preencher buracos de uma autoestima quebrada. Talvez, no máximo, você tenha amado o reflexo do que eu te oferecia: minha dedicação, minha ternura, meu zelo. Mas amar a mim, ao meu eu mais genuíno, isso você nunca fez.
Eu, ao contrário, amei você em sua inteireza. Amei até as rachaduras da sua personalidade, os seus muitos defeitos, as suas sombras. Agora, olhando para trás com o olhar frio da razão, percebo que deveria ter encerrado essa história muito antes. Deveria ter abandonado tudo naquela fatídica tarde na estação de trem em Veneza, quando você despejou sua amargura em mim. Ou nos momentos em que você, sem motivo, se recolhia à sua frieza cortante. Ou, quem sabe, nos anos em que eu não podia expressar nem um pensamento sem que você revelasse seu lado mais cruel, mais insuportável. No fundo, eu sabia. Naquele dia em que a verdade queimou como um grito preso na garganta, eu me perguntei — e a resposta agora é cristalina — sim, você é um monstro. Um monstro não apenas em alma, mas um ser cuja maldade se reflete agora em sua face, corroendo-a lentamente.
Você viveu atormentada pelas dúvidas sobre seu propósito, mas devo admitir: encontrou sua vocação. Você é uma mentirosa extraordinária. Uma ilusionista perfeita. O que você fez comigo, transformando amor em ruína, é prova disso.
Não desejo sua queda, mas tampouco desejo sua ascensão. Para você, não guardo nem o menor vestígio de querer — nem bem, nem mal, nem absolutamente nada. Esta carta é apenas um exorcismo, um ato de purgar as memórias pútridas que você deixou impregnadas em mim, uma tentativa de varrer sua sombra de minha mente.
Dedico estas palavras em memória de alguém que um dia foi meu porto seguro, um amigo que confiava sem reservas, brutalmente traído por quem mais deveria protegê-lo. Descanse, querido amigo, embora seu legado seja agora enterrado junto com a mágoa de sua partida.
*13/04/2019
+13/06/2024
É uma ironia que chega a doer como faca: você partiu no mesmo dia em que chegou ao mundo, ambos marcados por um número que pareceu persegui-lo como uma maldição. Que o número 13, tão presente em sua história, não cruze mais meu caminho como cruzou o seu.
Que o destino leve para longe sua lembrança, e que o vazio que você deixou, ainda que enegrecido, seja minha liberdade.
O Natal é a época em que todo mundo acha que está indo mal, não importa o que faça. Nenhuma felicidade basta, nenhuma riqueza basta, nada basta.
Droga. Olho no espelho de novo e lá está: uma casca vazia. Já foi algo lindo, cristalino, como água brotando de uma nascente pura, como uma floresta intocada. Agora? Nada. Só vazio. A floresta queimou, a nascente secou. O que sobra é uma casca cheia de buracos, apodrecida, como um ninho de cupins abandonado. Que inferno.
Nas páginas desbotadas do livro da minha vida, o capítulo do amor é uma narrativa de despedidas e silêncios não ditos. As estrelas que outrora iluminavam nosso destino agora são apenas pontos distantes, testemunhas silenciosas de um cosmos onde a constelação do nosso afeto desapareceu. Entre as linhas borradas, minha alma vagueia em busca de significado, perdida na penumbra de um amor que se desfez.
No cadinho das minhas esperanças desfeitas, o amor é uma chama que consumiu não só o que éramos, mas também os resquícios do que poderíamos ter sido. Meu coração, agora um campo de batalha desolado, é um testemunho silencioso do colapso de promessas e da fragilidade dos laços quebrados. As lágrimas, como ácido, corroem a essência do que uma vez foi um refúgio, deixando para trás a ruína de um amor que desmoronou sob o peso da sua própria tragédia.
Cada lembrança é um espinho cravado no jardim do meu coração, onde as flores murcham sob o peso das memórias que se transformaram em facas afiadas
Perceber quando somos impelidos a seguir adiante, pois não mais ecoamos neste espaço, é dançar entre a resignação involuntária e o brado autêntico da rebeldia.
Saiba que até mesmo no teatro de fingir que já não me importava, reside um ato de bravura. Enquanto sua suprema covardia se revelou em culpar-me pela minha reação.
Você permitiu, não me defendeu
Quando ele me partiu
Você permitiu, me fez sentir grande
Me fez sentir importante
Me fez esquecer
Que ele me partiu
Você permitiu, você permitiu
Que ele me quebrasse
Que ele me despedace
Você deixou tudo isso acontecer
Você permitiu, me deu gaiola de ouro
Me fez sentir superior
Quando eu era pior
Quando eu era inferior
Você permitiu, me deu diamantes
Me fez esquecer
A minha vida não é importante
Num instante, surge alguém como um sopro no teu caminho, um estranho que, subitamente, torna-se imprescindível. Apesar da brevidade do encontro, a conexão é tão profunda que parece ter raízes em tempos imemoriais. E então, em meio ao encanto efêmero, percebe-se que o coração já está partido, embalando a triste melodia de um amor que transcendeu a brevidade do tempo.
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