Palavra Sábia
Não me confundam
com militante política,
Eu sou diferente:
sou militante poética.
Quero saber até
quando vocês vão
esconder as listas
das prisões políticas
da prova de fogo?
Não me confundam
como militante política,
Eu sou diferente:
sou militante poética.
A poesia tem a sua
militância política,
das maldades
deste mundo ela
sempre é teimosa,
e quer virar o jogo.
Não me confundam
com militante política,
Eu sou diferente:
sou militante poética.
Só que a poesia
é muito superior
do que a política
que sempre tira
a esperança do povo:
a poesia pacífica
e a devolve de novo.
Ela pede todo dia
para que todos
tenham paciência,
perguntar
não é ofensa:
até quando a justiça
irá manter presos
a tropa e o General do povo?
Passou um mês
do massacre
de Sacaba:
ninguém foi preso
e quem sabe
da verdade
não abre a boca,
Não se indigna
ou não demonstra
por medo
de represália
de ser mais
um desaparecido,
Um sobrevivente
sem salvo-conduto
ou simplesmente
se tornar mais
um preso político.
Não importa
onde esteja
se é na quermesse
em prol das vítimas
de Senkata ou até
mesmo na igreja,
O autoritarismo
vai te aprisionar
quando você
não permite
a sua dignidade
ele sequestrar.
Muitas histórias
sem fim nesta
Pátria imensa
para contar e recontar,
Não se sabe nem
o porquê e nem
quando vão soltar
a tropa e um General
presos injustamente
e não há notícias
nem de esperança
para este Natal,
Da poesia sigo
sendo o último
soldado até o final.
Sabe como o meu cérebro lê o mantra "nunca os artistas foram tão hostilizados"? Você que escreve ou faz qualquer tipo de arte cale a sua boca porque eu não tenho a mesma capacidade do que a sua.
O drama das crianças
e suas comunidades
indígenas do Amazonas.
Você sabe muito bem
do que estou falando...
Guerrilheiros,
paramilitares
e grupos armados,
Não seja fingido
que você nada sabe
sobre este submundo.
Você ignora tudo
o que estou falando...
A execução
de seis
jovens na fronteira,
Um sargento foi
assassinado quando
chegava em casa,
E você finge que não
está acontecendo nada.
Você acha que vai
seguir se autoenganando...
O General
foi preso
injustamente
em meio há uma
reunião pacífica há
mais de um ano e meio,
A régua da tua
justiça só funciona
por conveniência
e nem escolhe patente,
Prefere privilegiar
os de fora e os de casa
duramente sacrificar
mesmo que seja
como fizeste
a pena sobre
o destino dele pesar
Você sacode os ombros
porque não está a se importar...
Não é preciso
ler em oráculos ou
nas cartas de tarot,
É nômade quem
sabe ir e ler
o quê está
escrito nas estrelas.
No chá servido no
samovar do tempo,
Tu haverá de queimar
a tua língua,
Pois em cada passo
em imigração,
Eis me presença
mesmo não me veja.
Cada filho longe
da Pátria equivale
a uma gaivota
longe do oceano
e perdida
na tempestade
em busca
de sobrevivência.
Alma de gaivota
leve, livre e cheia
de bondade intacta
como a Brigada "Gracias Causa"
plantando flores.
na Plaza de
la Mujer em Tacna.
E cantando
"Alma Llanera"
em tom tão alto
quanto do ronco
do Rio Arauca,
Pedindo a todos
os ventos
a libertação
de tanta gente,
do General
que está preso
injustamente
e irmãos de farda
cada um a sua
maneira dotados
de sublime ideal.
Muito pouco provável
que algum dia
ele tenha me lido,
O General nem sabe
que eu existo,
A história dele eu
conheço como as
linhas das palmas
das minhas mãos
E cada poema que
está sendo por mim
escrito é de minha
total responsabilidade.
Venho refletindo sobre
a trajetória dele,
E de tantas outras
que precisam
receber a liberdade.
Desejo crer que
serei escutada pelo
Foro de São Paulo
de verdade,
O General sempre
dedicou a vida toda
a Pátria dele
com integral lealdade.
Não me permito
medir forças
porque não as tenho,
E também não faria
nenhum sentido
mesmo se as tivesse,
Todo o diálogo de
última consequência:
sempre condeno,
Porque só a paz
sempre será
melhor caminho.
Porque por pior
que seja um Governo,
O Império não tem
nenhum direito
de condenar a todo
um povo ao bloqueio.
Quem conhece a história
sabe como e o quanto
ela vem se repetindo
em nosso tempo,
Não há mais como
esconder de ninguém
o quê caiu na boca
de todo um povo,
cântico de
calabouço: - Marulanda...
Ao Foro de São Paulo
eu peço socorro,
com nome de Santo
Que leva não há como
ocultar o escombro;
o tempo é implacável
tal qual o perito
que correu para
disfarçar o incontestável.
As marcas da tortura
que cometeram
contra o cirurgião,
As máscaras caindo
estão e são tantas
mentiras que ainda
não deu para
recolher do chão.
Um General está
há mais de um ano
preso injustamente,
todos sabem
que ele é inocente;
e o quê foi feito
contra ele não
tem desculpa:
transferi para mim
esse sofrimento,
Pois através da
história dele
venho contando
outras para
que ninguém caia
no esquecimento.
Sem nenhum sucesso
e sem saber ao certo
o que está ocorrendo
na Pátria vizinha,
que por um bloqueio
vem sendo agredida.
O que faz falta ao povo
me preocupa,
e o que preocupa
me tortura e faz mal.
Em asas de corydon,
peleus, tucupita e ululina,
apoio minhas palavras
para contar histórias,
para não perder a rima
e pedir a libertação
de um injustiçado General.
Ele que há mais de um ano
se encontra preso,
está sem acesso a justiça
e nem da Mãe
permitiram receber a Bíblia.
A paz só existe
com reciprocidade,
e sobretudo
com boa vontade,
Ninguém sabe,
ninguém viu,
e dizem que
desapareceram
três militares
e um civil...,
Por isso empresto
as letras e voz
a todo o preso
de consciência.
Lindo é o voo
das guacamayas
em lugar dos pássaros
de aço do Império
que invadem os céus
sem pedir licença,...
Essa gente faz
qualquer um perder
a santa paciência,
Mas precisamos
mostrar a resiliência.
E contando tantas
histórias como
quem para
o relógio olha
para saber as horas,...
Onde
e como está
o General INJUSTIÇADO?
Ele foi preso desde
no dia 13 de março
do ano passado,
está em GREVE FOME
desde o dia 8 de julho
e há mais de dois
meses está
INCOMUNICADO.
Um jovem perdeu
a visão por
perdigonazos,
Tu não sabe
o quanto a mim
me dói a notícia
de cada filho
ferido ou tombado.
Responder a um
cumprimento,
a um pedido
ou pergunta
é sinal de respeito:
Onde está o General?
Os calabouços
do Inferno
de cinco letras
seguem longe
das vistas,
e em especial
para duas visitas
foram encerrados.
Por favor,
me responda
se o General
Rodríguez Torres
continua vivo!
Os calabouços
do Inferno
de cinco letras
receberão
uma manifestação
de autoria
do autoproclamado,
Mais uma
trapalhada
para a coleção.
Não faz sentido
tanto silêncio
envolvido...,
Da mesma
forma tanta
austeridade
que chega
dar enjoo,
Há outros oficiais
forçosamente
desaparecidos,
E sobre o General
e todos eles
nenhum pio,
Tudo isso
só causa
mesmo é arrepios.
Você bem
sabe que
sou tudo
aquilo
que você
não tem
coragem
de ser nesta
existência,
E que nada
é coincidência.
Nas paredes
dos calabouços,
Por cada grito
silenciado,
Em tudo e todo
o pedido de
socorro não
atendido
E nos corpos
dos torturados,
e muito
mais próxima
da tua
consciência:
Não me calo
e nem perco
a paciência.
O General
que foi preso
injustamente
não foi
encontrado,
ele está
desaparecido
E como
ele existem
outros
da mesma
maneira,
E por todos
eles não
me canso
de pedir
pela liberdade
e por consciência.
O irmão do General
que se encontra
preso injustamente
onde só Deus sabe,
recordou quando
os 4F foram presos
no Quartel de São Carlos.
Eram tempos áureos
de direitos atendidos
pelos superiores;
Não quero os fazer
mais magoados,
Só aceno para
que não sejam
mais esquecidos:
- Das Mães dos filhos
de hoje em dia ninguém
se importa com as dores.
Da Torre da Liberdade dou
loas as vozes pela opressão
perseguidas e censuradas,
Quero bem mais do que isso:
- Desejo andar contigo
de mãos dadas e almas
plenamente reconciliadas.
Nos teus olhos não
há mais como conter
o amanhecer e a primavera;
Você vai libertar cada
prisioneiro da cela,
E juntos não vamos
mais olhar para trás e nem
para cada um que ofendeu.
Ninguém sabe
mais do paradeiro
do General que
foi preso inocente,
A irmã perguntou,
O pastor também,
E ecoei porque
sou insistente,
Não dá para fingir
que não me
sensibilizo
porque nasci gente.
Não se sabe
onde está
o Vice-Presidente,
O Inferno e suas
Cinco Letras
estão emudecidos
simplesmente;
Há mais de um
desaparecido
neste continente.
Nenhuma linha
de Oslo
os desaparecidos,
Poderia até
fingir que
não percebi
a ausência disso;
A incoerência
sobre isso inspira
e até mesmo
sugere que não
está ciente
ou é indiferente.
Distribuíram
sopapos para
dez liberdades
de imprensa,
Só Deus sabe
para qual lugar
levaram presos
os onze médicos;
Alguém avisa
à eles que não
querer respeitar
cada uma delas
jamais compensa?
Tudo demonstra
que não há mais
limiar para dar
espaço para a
sensibilidade,
Disso tudo
sou como o
soldado ferido,
Porque a dor dele
também sinto.
A cifra de feridos
já está em 200,
O número de presos
saltou para 190,
Houveram 2 mortes,
Mas parece que
pode vir a variar
a cada hora,
E ainda tem gente
que acha lindo;
As vezes acho que
sou eu é que ando
em pleno delírio
porque não ando
mais acreditando
naquilo que vejo.
Está a me assombrar
de forma silenciosa
aquilo que não vejo
e não tenho nem
ouvido falar,
O General enfermo
que está preso
inocente e de uma
tropa igualmente,
Tenho receio que
estas histórias
sumam pelo ar.
Sabe-se que
eles vem
sofrendo
todo o tipo
de castigo
e de sevícia;
Não consigo
ignorar este
gênero
de notícia,
e fingir que
não sinto.
Dizem que
o Major não
deixaram
terminar
o tratamento,
Até quando
Deus seguirá
em frente tanto
sofrimento?
Na prisão
de cinco letras
o maltrato vem
sendo diário,
Rostos corados
se foram pelo
ralo e estão
muito pálidos.
Onde está
a justiça?
Eis a nova cifra
de 193 militares
presos por
motivação política.
Meu Deus!
Essa história
não pode ser
considerada normal,
trago nestes versos
a dor reiterada
no ombro do General.
Não se sabe
mais nada,
O silêncio
só aumenta
e tortura,
E não me
conformo,
Não sei
viver sem
saber de tudo,
Sei que não
vou mudar
o mundo,
Só acho que
posso tentar
ser poeta.
Se o Major
foi forçado
a se suicidar
ou se não
aguentou
a pressão,
Não se sabe
a verdade;
Só se sabe
que o estado
é delicado.
Não há luz
e sobra dor,
Até que me
provem o
contrário
Todos estão
ameaçados
para não
denunciar
os maltratos,
Quase não
há mais ar,
Faltam janelas.
Tudo me faz
atordoada,
A dor alheia
à revelia
transferi
para mim,
Não convivo
bem com
a indiferença,
Não soube
de mais nada
do General
e da tropa,
Dessa história
só quero crer
que haverá
um bom final.
Faço votos que
isso não passe
de um mal
entendido,
de uma intriga
ou mesmo de
um pesadelo;
Porque custo
a acreditar
que entre
os Filhos
de Bolívar
isso esteja
acontecendo.
Saber que
falta luz e água,
tem me deixado
aterrorizada,
porque se tudo
falta ao povo,
a mim também
me faz falta.
Do General
injustiçado
e da tropa
perseguida
não estou
sabendo
mais de nada.
Como eu ainda
gostaria de crer
que o mundo
possível existe;
Não é fácil buscar
motivos para um
sonetário onde
sobra o silêncio,
e rende o tormento.
Saber que falta
bom trato entre
militares até
os dias de hoje
tem me deixado
infinitamente triste,
o quê se tem sabido
não é orquestra
para os ouvidos,
e nem conforto
para o coração.
Não saber se há
e quem é o novo
defensor do General,
tem me causado
um mal enorme
e inominado,
pois ele está
notoriamente
muito adoentado.
Não há nada mais
horrendo saber
que há maltrato
entre pessoas que
fizeram a mesma
caminhada na vida.
Se falta notícia
é sinal que está
em falta a justiça,
a força da vida
mesmo que doa
nos ensina que
independentemente
dos fatos: a verdade
deve sempre ser dita.
Os meus poemas
talvez jamais serão
lidos pelo General
que está doente,
que todos sabem
que ele é inocente.
O importante é
que toquem o coração
de alguém que cuide
do abatimento físico,
e que se entenda isso!
Os meus poemas
talvez jamais serão
lidos pela tropa
que está refém de
um grande capricho.
Todos sabem que
eles são perseguidos
e o importante
é que todos
saiam dessa vivos!
Os meus poemas
talvez jamais
serão conhecidos,
o importante
é que se instalem
no coração de alguém
que pelo General
e pela tropa trabalhe
pela liberdade
em sua plenitude.
E assim consigno
neste Universo
que não aceitarei
nenhuma baixa,
sou a idéia que
sempre desencaixa
onde se retém
aquilo que
no fundo
não se detém.
