Palavra Sábia
Sabe por quê eu não perco tempo orientando um orgulhoso? Porque logo ele vai achar algo para te julgar e dizer que você não é exemplo, ou seja, a verdade absoluta faz ele achar que seus erros são erros e os erros dos outros são pecados.
Saber desfrutar com plena consciência as horas de lazer que conseguimos conquistar na vida, é compreender que o excesso de comodismo é tão pernicioso como o próprio abandono.
A vida é um espelho onde se reflete o que o ser pensa ou faz, ou o que os pensamentos próprios ou alheios o levam a fazer.
O tempo se perde, em grande parte, quando não se faz nada, quando a mente divaga ou não pensa.
A imaginação é criadora só quando não se afasta da realidade.
Tempo que se perde é vida estéril, que não merece sequer a honra de ser recordada.
Aperfeiçoamento também significa simplificação, intensidade, velocidade.
O conhecimento amplia a vida. Conhecer é viver uma realidade que a ignorância impede desfrutar.
Ninguém pode ir ao lugar que se propõe, se ao mesmo tempo pretende permanecer no ponto de partida
Para isso existem os amigos. Você quer saber como ter uma amizade com Deus? É assim.
Os amigos dizem a verdade. Os amigos dizem as coisas exatamente como são. Os amigos não fazem intrigas ou falam apenas o que acham que você quer ouvir.
Os amigos, no entanto, não lhe apontam simplesmente o problema e o abandonam com ele nas mãos. Os amigos estão sempre por perto, dando apoio constante, ajudando com sua presença e oferecendo amor incondicional.
Isso é o que Deus faz. É disso que este diálogo trata.
Sabe, prefiro meu cachorro a qualquer homem do mundo. Chingo ele, deixo sem comida, e boto pra dormir na rua, mas quando eu abro a porta no outro dia ele vem correndo lamber a minha mão.
Doutes
Sabe, cansei-me da minha roupagem velha. Cansei-me dos meus vestidos, dos meus sapatos, das minhas nuances, das minhas emoções, das minhas dores, dos meus amores. Preciso de outros ares, alcançar outras estrelas, navegar outros mares. Mas, na verdade, ainda não sei onde quero ancorar. Aliás, também não sei se quero mesmo ficar. Então, ficarei em preto em branco. Por enquanto não correrei o risco de me entediar com outras cores...
O verdadeiro sábio não é aquele que conhece o mundo, ele simplesmente sabe decidir para onde quer ir.
Sabe moço, não sou perfeita e nem faço ideia se sou aquela que você sonhava para a sua vida.
Só não posso deixar de ser quem eu sou só para agradar-lhe. Eu estaria sendo egoísta comigo mesma, só para satisfazer a sua fantasia de mulher perfeita.
Não posso ser aquela boneca que vem com manual de instrução.
Não posso ser só mais uma Alice no país das Maravilhas.
Preciso ser eu. E você sabe disso. Precisamos ser nós mesmos.
Não sou igual a ninguém. Então não me diga o que devo ou tenho que fazer.
Me aceite ou deixe-me ir.
Você não sabe conversar e eu sou um poço infinito de palavras, jogadas na sua cara, mostrando que a falta de conteúdo pode sim te afetar.
A vida é maior do que se sente. É maior do que se sabe. É maior do que se teme. A vida é maior do que eu ou você. É por isso que se chama vida. Então para de se agarrar as suas dores, ao que acha que sabe e aos seus temores e vá viver.
Sabe por que a noite eu olho cada uma das estrelas brilhar, e por que me faz lembrar de cada sorriso seu estampado em seu rosto...
Você sabe como eu sou despreocupada, que me encerro neste quarto e me permito todas as divagações, as fantasias, obsessões, perseguições. Todos os dias você sabe que eu me viro de inventos, que eu me reparto e dou crias que eu mal me resolvo e me aguento... Carrego pedras no bolso e enfrento ventanias.
Lá na infância
Qualquer pessoa que já tenha se separado e tenha filhos sabe como a gente se preocupa com a reação deles e procura amenizar qualquer estrago provocado por essa desestruturação. É preciso munir-se de muito respeito, delicadeza e amor para que essa ruptura seja bem assimilada e não produza traumas e inseguranças.
Muito do que somos hoje, do que sofremos e do que superamos, tem a ver com aquele lugar chamado "infância", que nem sempre é um paraíso. Por mais que tenhamos brincado e recebido afeto, é lá na infância que começamos a nos formar e a nos deformar através de medos, dúvidas, sensações de abandono e, principalmente, através da busca de identidade.
Por tudo isso, estou até agora encantada com a leitura de Marcas de Nascença, fenomenal livro da canadense Nancy Huston e que deixo como dica antes de sair de férias. O livro é narrado por quatro crianças de uma mesma família, em épocas diferentes, todas quando tinham seis anos: primeiro, um garotinho totalmente presunçoso, morador da Califórnia, em 2004. Depois, o relato do pai dele, quando este também tinha seis anos, em 1982. A seguir, a avó, em 1962, e por fim a bisavó, em 1944. Ou seja, é um romance genealogicamente invertido, começando logo após o 11 de Setembro e terminando durante a Segunda Guerra Mundial, mas é também um romance psicanalítico, e é aí que se torna genial: relata com bom humor e sem sentimentalismo todo o caldeirão de emoções da infância, mostrando como nossas feridas infantis seguem abertas a longo prazo, como as fendas familiares determinam nossos futuros ódios e preconceitos e como somos "construídos" a partir das nossas dores e das nossas ilusões. Mas tudo isso numa narrativa sem ranço, absolutamente cativante, diria até alegre, mesmo diante dessas pequenas tragédias íntimas.
A autora é bastante conhecida fora do Brasil e ela própria, aos seis anos, foi abandonada pela mãe, o que explica muito do seu fascínio sobre as marcas que a infância nos impõe vida afora. É incrível como ela consegue traduzir os pensamentos infantis (que muitas vezes são adultos demais para a idade dos personagens, mas tudo bem), demonstrando que toda criança é uma observadora perspicaz do universo e que não despreza nada do que capta: toda informação e todo sentimento será transformado em traço de personalidade.
Comecei falando de separação, que é o fantasma familiar mais comum, mas há diversas outras questões que são consideradas "linhas de falha" pela autora e que são transmitidas de geração para geração. Permissividade demais gerando criaturinhas manipuladoras, mudanças constantes de endereço e de cidade provocando um desenraizamento perturbador, o testemunho constante de brigas entre pessoas que se dizem amar, promessas não-cumpridas, pais que trabalham excessivamente, a religião despertando culpas, a política induzindo a discordâncias e exílios, até mesmo uma boneca muito desejada que nunca chegou às nossas mãos: tudo o que nos aconteceu na infância ou o que não nos aconteceu acaba deixando marcas para sempre. Fazer o quê? Em vez de tentar escapar de certas lembranças, o melhor é mergulhar nelas e voltar à tona com menos desespero e mais sabedoria. Todos temos nossas dores de estimação. O que nos diferencia uns dos outros é a capacidade de conviver amigavelmente com elas.
Marcela tem medo da solidão. Fecha os olhos pro mundo procurando enxergar o infinito. Ela sabe que tem algo além do certo. Além do que é permitido. Tem o mar além do aqui. E tem um aqui onde ela quer estar.
Marcela foge do chão. É muito chato ter os pés fincados na realidade. Vai procurando ser alguém, vai sendo ela mesma sem querer, vai se ajeitando sem perceber.
Quando alguém te der boa noite, boa tarde ou bom dia, responda, você não sabe como vai ser seu dia e muito menos se vai ter a oportunidade de viver mais um dia, uma tarde, uma noite...para responder de novo!
